quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

The Cult's "She Sells Sanctuary"

The Sisters of Mercy - More

dancer in the dark

Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra - Unza Unza Time

dragão ao ataque

Acerto de calendário e nono sucesso consecutivo, num final de ano de aparições constantes e ritmos exigentes. O Dragão desceu à Amadora para vencer um opositor complicado e reforçar a sua autoridade de Tricampeão. O terreno armadilhado e um empate aberrante reformataram a contenda, mas nem assim a tornaram inacessível. Este F.C. Porto avança decidido, misturando classe, magia e crença.
A equipa de Jesualdo Ferreira arrancou a mil, posicionando-se para lá do meio-campo e exibindo intenções logo no primeiro minuto, com Fucile a disparar para defesa apertada de Nélson, guarda-redes que viria a cotar-se como um dos melhores do Estrela. Sem apresentações ou cordialidades, o F.C. Porto empurrava o adversário para as cordas, com Hulk a deixar meio mundo a ler-lhe o nome nas costas, antes de servir Lucho para um desenho que merecia terminar em golaço. ler mais

«Jornalista que atirou sapatos a Bush é corajoso»

"O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, destacou a «coragem» do jornalista iraquiano que atirou os sapatos ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acção que gerou manifestações dentro e fora do Iraque «Menos mal que não tenha acertado. E não é que esteja a promover sapatadas, mas que coragem de verdade» , afirmou Chávez disfarçando um sorriso, durante uma reunião com ministros transmitida esta segunda-feira na televisão pública."SOL

domingo, 14 de dezembro de 2008


A esta distância... falta de pontaria ou falta de sorte?

os homens do presidente

http://diasdeumfotografo.blogspot.com/

"Depois do absentismo da gaijada. Alberto Martins declarou, SEM SE DEIXAR RIR,que os deputados do PS têm plena consciência dos seus deveres."


Mas o senhor sabe quem eu sou?


Colocado numa posição onde se induzia uma subserviência perigosa, o empregado tentava explicar que aquele jogo era para menores de dezoito anos…
- Mas o senhor não sabe quem eu sou?
Com toda a certeza será gente perigosa! - induziu o empregado, a ameaça induzia o temor de uma tragédia.
-O senhor sabe ou não quem eu sou?
Não… não sabia… a ameaça arranhava-lhe os ouvidos... Estava colocado numa posição de subserviência difícil… com toda a certeza que será gente perigosa… a ameaça forjava a garantia de uma vida postiça e deprimente... induzia um fabuloso tacho numa das empresas do estado, um fabuloso meio tempo, um fabuloso ordenado, ameaças de segurança no adversário, ninguém o parecia incomodar na vida.
O empregado, que sempre se levantou muio cedo, ousou a profecia:
- Mas se o Senhor não sabe quem é como quer que eu lhe diga?
ana monteiro

old song - Old voices, New voices!


sábado, 13 de dezembro de 2008

o palhaço, carregando a corda e a vertigem da escada

tela de miguel almeida
- Queres que te atire esta corda?
- Não vou descer pela escada, é mais seguro...
- Pela escada?
- Sim, aqui há esse costume...
- Que raio de hábito! E se deitar o fogo à corda? Chegarias antes dela arder?
- Ia ser demasiado emocionante, ainda assim prefiro a escada...
- Que vou fazer eu com a corda?
- Sei lá! Não vais puder usá-la aqui, infringirias a lei!
- Já dominei uma das feras, e não estava dentro de grades, vi-a pela primeira vez numa revista!
Ainda fui a tempo...
- Quem estavas tu a proteger?
- As crianças, mas não me aplaudiram, roubaram-me a corda, teceram uma rede! Vou pescar
para o mar, vou assustar os peixes!!!
- Dava mais jeito ao trapezista...
- Ao trapezista?
- Sim, aqui há esse costume...
- Que esquisito, pensei que confiavam nos milhares de mãos que lá em baixo o
tentam apanhar...
- Essa tua corda alguma utilidade deve ter, mas eu vou arriscar o primeiro degrau!
É mais seguro...
- Que vou fazer eu com a corda?
- Vais encontrar utilidade, alguma vez a usaste?
- Não atirei-me sempre da janela, teceram-me uma rede!
- Afinal és mulher!
- Mas não arranjei marido!
- E aqui há esse costume...
- Preferes a escada? Que raio de hábito! Usam a mesma via para subir e descer!
- E tu não nasceste aqui?
- Sei lá, acho que sim, mas não me lembro de ter inventado as escadas... como as iria transportar? Tão pesadas, tão seguras... com raízes a crescer... e tão cheias de utilidade!!! Vou atar a minha corda a um balão e vou participar em “rodeos”, mas tenho de me apressar não se lembrem de construir uma escada até ao sol e conseguirem apagá-lo antes dele lhe pegar fogo!
- Não entendo... até estranho... durante este tempo não puseste os pés em cima de uma mesa!!!
- Que importa?
- Saberás tu viver?
- Não sei... estou no caminho...
- Vais para muito longe?
- Não sei para onde quero ir...
- Posso dar-te sugestões... um pais exótico...
- Correria o risco de não encontrar ninguém como eu! Sempre tive medo de ficar só...
- Alguma vez tiveste alguém?
- Não. Ainda não perdi o medo do escuro! Talvez por medo de quem não me pudesse fazer companhia...
- Tens medo de mim?
- Talvez, mas não és daqueles sons que me fazem cobrir o rosto para adormecer...
- Não te sou tão desconhecido?
- Não... não me recordo de ti!
- Queres que te conte o passado?
- Talvez o saibas fazer melhor do que eu... estive entre tuas mãos...
- Porque vieste ter comigo?
- Tens uma história bem curta para contar... nem precisei criar raízes... muitos sabiam que iria ser um deles, olhavam-me com expectativa, guardavam um segredo que ainda não lhes tinha sido revelado...aguardavam que saísse de casa e lhes dissesse as palavras!!! Depois riam... todos carregavam o que não lhes pertencia...
- Penso que tens medo do que os outros possam não revelar!!! E não tens medo de nada!!! Amanhã vais conseguir apagar a luz antes de adormecer?
- Não me irei esforçar! Vai ficar tudo como está... nem sei ler nas mãos dos outros...
- Um dia quis chegar mais perto... devagarinho... sem dar sinal de mim... avancei ainda mais devagarinho, dando a impressão de não sair do mesmo lugar... temias por ti própria... agora vais embora... amei aquele animalzinho, toquei-o! Sai sem te ter assustado...e aqui é esse o costume...
ana monteiro

Pessoa & Companhia‏


...há coisas que um indivíduo tem de guardar...

Velhote 1 - O Senhor Vítor tem bom olho, eu… é cá uma desgraça! Já nem com óculos! A vista faz tanta falta! Eu gostava de ler e lia de tudo! Um gajo tinha era pouco dinheiro para comprar livros. Hoje é uma desgraça! Chegam à quarta classe sem saber ler e escrever… pior nem a tabuada sabem…
Velhote 2 – O Unhais vai à frente…
Velhote 1- O Penamacor é que está a afundar-se…
Velhote 2 – O novo guarda-redes, aquele que veio lá de ao pé de Leiria, já se estreou… dizem que é bom rapaz… parece que anda a tirar um curso na Universidade na Covilhã.
Velhote1 – Campo novo! Isto é outra coisa… Falta é o balneário… no domingo alugaram um autocarro para ir a malta toda…
Velhote2 – Tenho os recortes dos jornais todos … tenho muito anos de Covilhã mas gostar, gostar é da minha terra.

Pausa, um velhote continua a ler e o outro bebe o chá.
Velhote 1
– O gajo que é fogueiro lá no hospital também é de lá… quebrou-se lá o gás… passei lá a tarde toda de Domingo. Dei cabo do braço… tudo me acontece… apagou-se a luz… comecei pela tomada atrás de um guarda-fatos… a mulher teve de lá tirar a roupa toda de inverno… às páginas tantas apanhei lá um esticão… pensava que era mais fácil e mais rápido, com os anos de trabalho um gajo parece adquirir experiência.
Velhote 2 –(sem tirar os olhos do jornal) isto é uma vergonha… pedem-nos para poupar e os aviões vão sempre cheios…para eles não está tão mal como dizem… andam sempre em viagens de negócios…
Velhote 1 – se alguém tem de poupar são os que estão no governo…
Velhote 2 - reduzam os deputados para metade, que vão para o trabalho de bicicleta… tanto dinheiro e tanto malandro que lá está… há-os lá que quando não faltam é só para levantar o braço…
Velhote 1 – os pedreiros às vezes são malandros, espetam com um bocado de cimento… e quem mete os fios está tramado… só ao poder de muito trabalho se encontra a caixa… a mulher disse que teve uma inundação lá em casa?
Velhote 2 – Precisa de um tubo novo… continua a correr a àgua… tenho lá este tubo em minha casa há quinze ou dezasseis anos, veio com uma máquina de lavar da Suíça que estava a escorrer para a sanita. Gosto muito de guardar nem que seja um prego… se calho a deitar o tubo fora agora não o encontrava e não resolvia o problema. Aquilo tem de ser tudo desmontado e colado com silicone. Há coisas que um indivíduo tem de guardar.
ana monteiro

DOGMA 95 -THE VOW OF CHASTITY


"I swear to submit to the following set of rules drawn up and confirmed by DOGME 95:
1.Shooting must be done on location. Props and sets must not be brought in (if a particular prop is necessary for the story, a location must be chosen where this prop is to be found).
2.The sound must never be produced apart from the images or vice versa. (Music must not be used unless it occurs where the scene is being shot).
3.The camera must be hand-held. Any movement or immobility attainable in the hand is permitted. (The film must not take place where the camera is standing; shooting must take place where the film takes place).
4.The film must be in colour. Special lighting is not acceptable. (If there is too little light for exposure the scene must be cut or a single lamp be attached to the camera).
5.Optical work and filters are forbidden.
6.The film must not contain superficial action. (Murders, weapons, etc. must not occur.)
7.Temporal and geographical alienation are forbidden. (That is to say that the film takes place here and now.)
8.Genre movies are not acceptable.
9.The film format must be Academy 35 mm.
10.The director must not be credited.


Furthermore I swear as a director to refrain from personal taste! I am no longer an artist. I swear to refrain from creating a "work", as I regard the instant as more important than the whole. My supreme goal is to force the truth out of my characters and settings. I swear to do so by all the means available and at the cost of any good taste and any aesthetic considerations.Thus I make my VOW OF CHASTITY."


Copenhagen, Monday 13 March 1995On behalf of DOGME 95
Lars vos trier e Thomas Vinterberg


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"ganhamos com paixão"



Milhares de quilómetros depois de uma vitória épica na Liga dos Campeões, a que o adversário de Alvalade pudera assistir confortavelmente do sofá, a equipa do F.C. Porto, alvo de sátiras e gracejos, provou que o acontecera em Kiev não sucedeu por mero acaso. Fê-lo num invulgar assomo de energia e coragem, mesmo reduzido a nove elementos, mesmo depois de duas horas de futebol, de uma dúzia de grandes penalidades e reerguendo-se de uma entrada infeliz no jogo, da qual caiu, como que do céu, a vantagem do Sporting.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

É caso para dizer: - Há caixotes do lixo e caixotes do lixo!!

Mandaram-me um mail que achei digno de registo
"Queridas amigas,Passei por uma situação muito incómoda ontem com uma amiga minha, no Porto. Cuidado pois até vos pode acontecer o mesmo. Estava sentada com uma amiga, a almoçar, numa mesa do restaurante, e dois homens vieram sentar-se à nossa mesa.Nós lançámos-lhes um olhar gélido, mas eles simplesmente ficaram ali, impávidos a olhar para nós. Isto acabou com o nosso almoço... Eu pus a mão esquerda sobre a mesa, para verem que sou casada, a minha amiga também fez o mesmo, para mostrar que não tínhamos interesse nenhum por eles. Por sorte, eles perceberam a nossa dica e saíram, mas eu consegui tirar-lhes uma fotografia.Aqui vai a fotografia em baixo, como aviso - para o caso de eles também tentarem abusivamente aproximar-se de vocês. "

domingo, 5 de outubro de 2008

A lagartada já com as faixas de campeão encomendadas... correu mal!

Foi dia de pagamento! A História que se repete, um desaire na Europa e o senhor que se seguiu foi o Sporting, Apesar de com o Zé Mourinho o resultado ter sido bem mais dilatado... estamos lembrados??? Uma meia dúzia!!! Digna de registo a grande revelação de Paulo Bento, o comandante da lagartada, no final do jogo : "O porto ganhou 2-1!!" GANDA VERDADE!!!... parece que este meu porto ainda não perdeu o jeito de jogar fora como se de sua própria casa se tratasse. Nota máxima para o El Comandante Luis Oscar González que para além de ser um médio fantástico é um liiiindo homem com o tal "un petit peut de je ne sait quoi" !!! O Porto é assim !!!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

the Inner Life of Martin Frost - Paul Auster


Um escritor de sucesso acabou de publicar o seu último romance e decide ir descansar sozinho para uma casa de campo.
Na manhã do seu primeiro dia na casa, ele descobre uma misteriosa e surpreendente mulher deitada a seu lado. Fascinado pela sua beleza de inteligência, Martin apaixona-se profundamente por ela. Ele encontrou a musa que o leva sem remissão a escrever o seu livro mais perfeito.
Mas quem é essa estranha mulher que tão bem conhece a sua vida e o seu trabalho?
Será uma musa verdadeira?
Ou imaginária?
Ou um fantasma que se introduziu na vida interior de Martin Frost?

My Life Without Me

Com apenas 23 anos, Ann (Sarah Polley) é mãe de duas meninas, Penny (Jessica Amlee) e Patsy (Kenya Jo Kennedy), e é casada com Don (Scott Speedman), que constrói piscinas. Ela trabalha todas as noites na limpeza de uma universidade, onde nunca terá condições de estudar, e mora com sua família numa roulote, que fica no quintal da casa da sua mãe (Deborah Harry). Ann mantém uma distância obrigatória do pai, pois há dez anos que ele está na prisão. Após passar mal, Ann descobre que tem um cancro nos ovários. A doença alcançou o estômago e logo chegará ao fígado, ela terá no máximo três meses de vida. Sem contar a ninguém o problema diz que está com anemia, Ann faz uma lista de tudo que sempre quis realizar, mas nunca teve tempo ou oportunidade. Começa uma trajetória em busca dos seus sonhos, desejos e fantasias,imaginando como será a vida sem ela.

sábado, 20 de setembro de 2008

SOMOS A PRIMEIRA GERAÇÃO QUE PODE ERRADICAR A POBREZA

Todos os anos se celebra mundialmente no dia 17 de Outubro o Dia Mundial para a erradicação da Pobreza.
No ano passado mais de 43 milhões de pessoas levantaram-se para exigir aos líderes mundiais que cumpram as suas promessas para acabar com a pobreza e desigualdade. Portugal contribuiu com mais de 65 mil vozes nesta iniciativa. Este é o terceiro ano consecutivo que a Pobreza Zero está na coordenação do evento em Portugal. Serão três dias de actividade por todo o país, de 17 a 19 de Outubro, onde esperamos que mais de 100 mil pessoas estejam directamente envolvidas em acções.Todos os anos ficamos surpreendidos com a imaginação e capacidade de mobilização de tanta gente para o Levanta-te. Pelas experiências anteriores, a Pobreza Zero já contou com Concertos de música, com eventos de dança, eventos desportivos, manifestações e concentrações em torno de temas relacionados com a Pobreza, Educação, Igualdade, etc.É com muito orgulho que reconhecemos que somos o país com maior número de actividades em termos europeus.
É por tudo isto que lançamos o desafio de provar que quando temos altos objectivos a atingir, somos capazes de reunir a diversidade que todos e todas representamos, para lograr na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e feliz.
Várias bandas, artistas, figuras públicas, organizações, escolas, etc, já demonstraram querer participar nesta actividade em Portugal, que será reportada para todo o mundo.E tu? vais ficar de fora?Aceita o desafio!
Manifesta-te, organiza-te e mobiliza-te ...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ENTRADA DE DRAGÃO

F.C. Porto-Fenerbahçe, 3-1
"Foi com redobrada obstinação que o Dragão ultrapassou uma obstinada marca, que ameaçava tornar-se indissociável das campanhas europeias azuis e brancas. Cinco épocas de entradas na Champions sem registos de triunfos ficaram resolvidas em apenas 13 minutos, com tiro duplo de assinatura argentina, mas só confirmadas em cima do apito final, no resoluto espírito portista que não se deixa restringir perante memórias ardilosas.
A entrada dos Dragões não poderia ser mais convincente para aqueles que ainda faziam contas e trocavam estatísticas passadas, remetendo as atribulações dentro de campo a meros exercícios de destino e fortuna. Em dois tempos, inspiração dobrada, os comandados de Jesualdo Ferreira esclareceram os cépticos."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

o sonho de morales

"Estão muito claras as motivações dos atentados que assolam a Bolívia. A elite econômica e os políticos de direita, encastelados nas cinco províncias orientais, não podem aceitar um governo que deseja redistribuir a renda, beneficiando os mais pobres; controlar a economia, extinguindo privilégios; e dar certo grau de autonomia às comunidades indígenas, exploradas e marginalizadas em 183 anos de história
Além disso, o intervencionismo de Morales – embora se insira no quadro de um regime misto, onde o Estado ora é sócio das empresas, ora socializa setores mal explorados por elas – causa repulsa nas atrasadas classes abastadas bolivianas.
Por fim, o fato de Evo Morales ser um presidente índio é repelido pela minoria branca e europeizada – 15% da população –, dominante sobre a maioria quechúa e aymara – 60%. Expressões usadas pelos governadores da oposição para agredir Morales como "macaco", "índio infeliz" e "índio porco" são reveladoras.
Na verdade, os grupos políticos e econômicos que sempre dirigiram a Bolívia não têm muita autoridade para justificar suas posições.
Seguindo fielmente o FMI, eles entregaram ao presidente eleito em dezembro de 2005 uma Bolívia nas seguintes condições: país mais pobre da América do Sul, com 60% dos seus 9 milhões de habitantes abaixo da linha da pobreza e 38% em extrema pobreza; desemprego de 12%, com 40% de sub-empregados; renda dos indígenas 40% inferior a dos não-indígenas.
Nos dois anos e meio de governo Morales, tal quadro começou a mudar. Primeiro, ele procurou aumentar as rendas do Estado, revendo os acordos de exportação de gás e petróleo com o Brasil e a Argentina, desvantajosos ao país, e estabelecendo o controle estatal sobre a exploração dessas riquezas. A Bolívia passou a ficar com 85% dos lucros e suas exportações dobraram de 2005 para 2006, chegando a 4,9 mil milhões de dólares.
Para estimular a industrialização e reduzir o desemprego, concedeu-se, através de licitação, a exploração da mina de Mutun à empresa siderúrgica indiana Jindall Steel & Power, com proposta de investir 1,5 mil milhão de dólares já e mais 2,5 mil milhões em 8 anos. Mutun possui reservas de 40 mil milhões de toneladas de ferro, 10 mil milhões de magnésio (70% das reservas mundiais) e se achava sub-explorada.
Acordo com o Irã prevê o investimento de 230 milhões de dólares na instalação de uma fábrica de cimento, mais 1,1 mil milhão em energia, agricultura e indústria alimentícia.
Na área social, Morales anunciou uma reforma agrária que seria iniciada com a desapropriação de 14 mil hectares de terras, a maioria não cultivada, concedidas irregularmente como favores políticos por governos anteriores. Pesados investimentos foram realizados na Educação e destinou-se parte do imposto cobrado sobre o gás para os idosos pobres.
Mesmo não realizando as economias preconizadas pelo FMI, o governo conseguiu superávit em 2006 e 2007, algo que não acontecia na Bolívia desde 1940.
No entanto, para poder realizar as reformas necessárias, era preciso uma nova Constituição. Ela foi aprovada pelo Congresso, com abstenção da direita, mas precisa passar por referendo popular.
A revolta dos governadores dos cinco departamentos da oposição começou com manifestações de protestos. Exigiam autonomia – o controle da distribuição dos recursos dos hidrocarbonetos produzidos localmente (82% do gás do país), o fim das pensões financiadas com parte do imposto do gás e a rejeição "in limine" da nova Constituição.
No meio da crise, Morales e seus adversários concordaram com a realização de um referendo revogatório, no qual o povo poderia manter ou afastar o presidente, governadores de departamentos e prefeitos das províncias.
O resultado foi favorável ao governo central. Morales obteve 67% dos votos a favor e venceu em 95% das 112 províncias. Quatro governadores de direita também venceram e três foram rejeitados, sendo dois da oposição e um do governo, o qual não obstante saiu ganhando, pois lhe coube nomear os prefeitos provisórios até nova eleição.
Fortalecido, Morales esperava que a oposição abrandasse e aceitasse a realização do referendo constitucional.
Aconteceu o contrário. O apoio popular a Morales, representado pelos 67% dos votos, era uma garantia de vitória para ele. Por isso, a direita continuou em pé de guerra.
As manifestações se intensificaram, numa escalada de violência que hoje chega ao bloqueio de estradas para impedir a chegada de alimentos às cidades, incêndio de edifícios de instituições do governo central – com destruição de documentos públicos, ataques a aeroportos, estações de trens, locais de reuniões de indígenas e, por fim, explosões de gasodutos e cortes no envio de gás para o Brasil –, visando paralisar as exportações. Tudo para provocar o caos, criando um ambiente propício para um golpe de Estado.
O governo fez o possível para conseguir um acordo. Aceitou a autonomia administrativa, mas sem desistir nem do controle dos recursos naturais nem da nova Constituição. Em vão. Diante da violência da oposição, Morales agiu brandamente. O Exército foi proibido de atirar, devendo limitar-se a guardar as instalações de produção de petróleo e gás. Mas a violência chega agora a um grau insuportável. Está evidente o objetivo de derrubar o governo ou pelo menos separar os cinco departamentos da Bolívia – os gritos de "independência" são freqüentes nas ações direitistas.
Não se acredita que a moderação do governo acabe acalmando os ânimos. Já há motivos de sobra para se declarar a intervenção federal nos departamentos revoltosos. Mas Morales hesita. Precisaria usar o exército, opor violência à violência, e ele não quer vítimas. Teme também que, chamado a intervir, o Exército fique ao lado das forças direitistas. Historicamente é o que tem acontecido.
Existe a idéia de recorrer à mobilização popular, armar os índios, mineiros e camponeses para defender o governo. Nesse caso, conforme Ivan Canelas, porta-voz de Morales, estaria aberto o caminho para "um tipo de guerra civil". O que poderia desagradar os militares e fazê-los aderir à sedição.
Intervir usando o Exército, de acordo com a lei, ou com o povo armado implica em sérios riscos.
Mas Morales terá de optar por uma delas. Ou renunciar ao seu sonho de construir uma Bolívia com justiça, igualdade e esperança."Luiz Eça - jornalista brasileiro

domingo, 14 de setembro de 2008

ZARAGOZA 2008

Ateliê de Escrita Criativa

Data: 20, 21 e 27, 28 de Setembro de 2008

Local: Casa Grande Barroca do Zêzere - Fundão (Há a possibilidade de transporte sem acarretar mais custos para o local do atelier).

Orientação: Joaquim Eduardo de Melo Oliveira
Experiência Profissional:
Licenciatura em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior. Frequência de Pós-Graduação em Jornalismo Judiciário, na Universidade Católica de Lisboa. Foi colaborador, desde 1994, dos jornais A Capital, Manhã Popular, Semanário e da revista Factos. É editor-adjunto no Diário 24 horas desde 2003. É autor de inúmeras reportagens, as últimas das quais centradas nas temáticas policial e judicial.
Horário: 10:00 h – 12:30 h e das 15:00 h às 17:30 h

Público-alvo: Público em geral Limite de participantes : 15

Custo: Sócios: 12 Euros; Não Sócios: 32 Euros. Alimentação: 4 almoços - 20 Euros).

Contactos para inscrição no ateliê: Professor António Pereira ou Professora Catarina Crocker ou ainda enviar e-mail para cotovelo@hotmail.com (Deve enviar os seguintes elementos: Nome completo, idade, morada e telefone para contacto.)

O meu arroz doce


Ingredientes
250 g de arroz (tem de ser carolino)
150 g de açúcar
1 litro de leite gordo
2 cascas de limão
Sal
Canela em pó e em pau

Preparação:
Levar ao lume um tacho com água abundante temperada com uma pitada de sal. Quando a água ferver, junta-se o arroz até abrir. levar o leite a ferver com a canela em pau e a casca de limão. Escorrer o arroz e mergulhar no leite a ferver. Cozer em lume brando e adicionar o açucar. deitar numa tijela e polvilhar com canela em pó.
Recomendação
O arroz doce que nos sabe melhor é o que se deposita que resgatamos nos lábios do outro!!! E se for dos do Mourinho até a mais abominável céptica e iconoclasta "adoçaria"...

domingo, 7 de setembro de 2008

Operação Sarkozy: Como a CIA colocou um dos seus agentes na presidência da República Francesa


"Nicolas Sarkozy deve ser julgado pelas suas acções e não pela sua personalidade. Mas quando as suas acções surpreendem até os seus próprios eleitores, é legítimo debruçarmo-nos em pormenor sobre a sua biografia e interrogarmo-nos sobre as alianças que o conduziram ao poder. Este artigo descreve as origens do presidente da República Francesa. Todas as informações nele contidas são verificáveis, com excepção de duas imputações, pelas quais o autor assume a responsabilidade exclusiva." Thierry Meyssan

Chavez terá razão?

FOTOS MOSTRAM BUSH BÊBEDO NAS OLIMPÍADAS DE PEQUIM E SEGURANDO A BANDEIRA AO CONTRÁRIO.

sábado, 6 de setembro de 2008

FOR IMMEDIATE RELEASE!!!


Two small boats, the SS Free Gaza and the SS Liberty, successfully landed in Gaza early this evening, breaking the Israeli blockade of the Gaza Strip.
The boats were crewed by a determined group of international human rights workers from the Free Gaza Movement. They had spent two years organizing the effort, raising money by giving small presentations at churches, mosques, synagogues, and in the homes of family, friends, and supporters.
They left Cyprus on Thursday morning, sailing over 350 kilometers through choppy seas. They made the journey despite threats that the Israeli government would use force to stop them. They continued sailing although they lost almost all communications and navigation systems due to outside jamming by some unknown party. They arrived in Gaza to the cheers and joyful tears of hundreds of Palestinians who came out to the beaches to welcome them.
Two small boats, 42 determined human rights workers, one simple message: “The world has not forgotten the people of this land. Today, we are all from Gaza.”
Tonight, the cheering will be heard as far away as Tel Aviv and Washington D.C.

CONSEGUIMOS!!

1 de Setembro de 2008

"Conseguimos!",exclamou Greta Berlin, porta-voz da operação “Navio Gaza livre”, exausta, mas feliz de ver a alegria desta cálida multidão que Israel encarcera num gueto e que tinha comparecido a aclamar a chegada dos navios Free Gaza e Liberty .

ler mais em http://www.silviacattori.net

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CANTO DE PÁSSAROS E BEM ESTAR


"O índice da qualidade de vida irá incluir cada vez mais aspectos culturais, biológicos e ambientais. Os aspectos actualmente imperantes e relacionados quase unicamente com o poder aquisitivo, o conforto e a longevidade irão certamente ceder o passo a outros critérios até hoje omitidos. Pelo menos parece ser a tendência do governo britânico que é tão irracional fora das suas fronteiras, mas que acabou por instaurar há algum tempo. Em Inglaterra deu-se o primeiro passo realmente admirável e com um horizonte muito prometedor. A administração inglesa incluiu entre os aspectos para medir o bem-estar nada menos que uma variedade relacionada com a quantidade de aves avizinhadas num mesmo lugar. Medida que nos parece ser coerente. Porque não é preciso ser especialista em ecologia para reconhecer que a presença de animais tão respeitáveis, visual e acusticamente, como as aves nos podem revelar as características da totalidade do espaço que usam. Uma das leis mais sólidas da ciência que estuda os nexos entre todas as formas de vida e entre estas e os âmbitos que possibilitam a sua existência é precisamente que tudo deve de ser encarado com reserva.
O que não vemos sustém o que vemos. Por detrás de cada pássaro que canta na Primavera há sempre um complexo sistema que deve manter muitas vidas e muita saúde para chegar até aos nossos tímpanos essa música sem partituras. As aves são signos externos dessa riqueza que são as águas limpas, os solos férteis, os arvoredos erguidos bem como uma certa aliança entre os usos humanos e espontâneos dessa mesma paisagem.
Quando se usa com variações depreciativas o termo “ passarinheiro”, ignora-se por certo que ninguém melhor que um ornitólogo detecta a crescente degradação ambiental. Os seus conhecimentos sobre a paisagem equivalem ao que os médicos de família têm sobre nossa saúde física.
Por detrás da presença de uma comunidade zoológica num espaço concreto, o que deduzimos é uma reduzida ou a nula contaminação dos ares, os alimentos, escasso ou nulo ruído, variedade vegetal e até mesmo a escassa pressa. Estes parâmetros vão configurando a ideia convencional de locus amoenus: quer dizer, daquele âmbito ao qual “todos” aspiramos, pelo menos na hora de nos relaxar, descansar e sensivelmente presumir do nosso elevado nível económico conseguido para poder adquirir qualidade ambiental no meio em que se vive.
Há mais. Sobretudo a evidência de que cada dia se distancia mais o bem-estar básico do crescimento económico. Isto porque este último aspecto fica nas mãos de escassíssimos beneficiários devido a que se fomenta a percepção de uma correspondência mínima entre o esforço de muitos e os privilégios de poucos. No meio fica então um ambiente destruído.
O paradoxo tão camuflado como desolador é: para que aumente a riqueza monetária de uns, deve ficar maltratado o património comum. Esse mesmo que formam as boas transparências do ar, a musicalidade dos bosques, a liberdade da água, a contemplação de um cenário belo e, logo, cheio de vivacidades relaxantes. As contaminações, desde a acústica até às múltiplas formas de degradação ambiental derivada dos nossos modos de produção, podem influenciar o PIB mas diminuem certamente o bem-estar real. No entanto todos aqueles que tiram rendimentos da destruição do ambiente compram de imediato um lugar onde o espaço tenha esses pássaros, essas águas e esses bosques para que possam descansar da “rentável” destruição. Deste modo, os residentes nestes escassos e circunscritos paraísos onde gozam de maior qualidade de vida são, por isso, exemplo a seguir, mas irão continuar a negar a coerência das denúncias ecológicas. Os defensores da natureza equivocam-se ao pedir o mesmo para todos que, na prática, é alcançar tais privilégios. O modelo parece imitar a madrasta da Branca de Neve, olhando-se ao espelho. A má notícia que dão semelhantes artefactos está, por certo neles."

António Delgado in Jornal de Leiria 14/8/2008.

Traços Gerais


Voltava atrás para verificar se as luzes do seu carro estavam acesas, o sinal de aviso nunca tinha funcionado muito bem, aliás em nenhum dos seus carros e em nada da sua vida, mas pela primeira vez na vida estacionou o carro num lugar seguro e bem iluminado, a viagem iria ser longa.
No táxi e a caminho da estação o condutor reclamava-se um injustiçado cumpridor da lei, andava nesta vida há tanto tempo e nunca tinha visto nada assim!!! Gastou 200 contos a pintar o carro, fora o transtorno do tempo que esteve sem trabalhar, e agora uma nova lei já não o obrigava a tal. O governo faz leis para quem não existe, quem é que ganha para andar sempre a mudar o carro de cor? E só depois as corrige com nova lei! O pior de tudo é que a cor anterior era mais bonita e os clientes, cada vez mais exigentes, preferem a concorrência, quem é que se sente confortável num táxi desta cor?
Não se viam há muito tempo, esta era a alegria dos muitos reencontros.
- Evinha! Há quanto tempo!
Detestava que a tratassem por diminutivos, nunca se sentiu como tal, mas ainda não foi desta que o conseguiu repreender, e este não era o que mais lhe desagradava, pois também estava lá o seu nome.
Trinta anos, a ela não lhe estava a apetecer falar no que aconteceu nesses anos.
- Estás mais velha!
- Estás mais gordo!
- Deixei de fumar, lembras-te? Há trinta anos! Estava a ficar mais feio!
- Continuas o rapaz mais bonito que jamais conheci! - Afinal isso era importante para ele, admitia-o quando tentava minimizar essa característica, e apesar de ser verdade ela fez sempre questão de lho dizer.
Ambos lembraram a primeira e única vez que fizeram amor, não é que de uma história de amor se tratasse! Não tinha sido o sucesso que ele esperava, pelo hábito enraizado em todos os homens da sua geração! Nenhum dos dois percebeu muito bem aquela pequena noite, ela nunca quis encontrar uma explicação, acreditava que as coisas como estas se vivem apenas, e quando se explicam perdem a sua energia e influência para o futuro. Eva sempre soube lidar com o que aconteceu, apesar da distância e de nada ter percebido. Ele dizia estar a ser pela primeira vez infiel à namorada, ela ria como que de uma grande piada!
- Foste embora e não disseste nada!
- Era cedo para ti, meu querido, não te quis acordar! - Já não o chamava de amor! O tempo afinal passou pelas palavras!
- Li o teu livro daquele taxista que mudou a pintura do carro, fartei-me de rir, principalmente quando decidiu ir fazer ginástica para reduzir a barriga para os clientes se sentirem melhor no seu táxi! Casaste?
- Ainda hoje deve estar no mesmo café em que o deixei, medindo o tempo pelo acabar do seu cigarro, o resto do maço em cima da mesa, a carteira e o telemóvel. Ah! E penso que um copo de licor, sempre o mesmo copo, não gostava de beber, não sei se o copo lá estava, mas de qualquer modo compunha melhor o cenário.
Ela sempre lhe lá vira um copo mas agora apostava que não, ele tinha deixado de beber para lhe fazer a vontade, dizia ele! Estava a ficar com barriga e que o álcool diminuía o seu desempenho como companheiro. Nem o ousava fazer às escondidas, pois isso só mostrava o medo por ela e admiti-lo era pior para ele do que fazer de conta que tinha sido opção sua.
- Ainda hoje deve estar no mesmo café em que o deixei Olhando quem passa e parando o olhar numa rapariga mais atraente percorrendo a sua direcção enquanto estava ao alcance da sua vista, não com qualquer intenção mas pelo hábito enraizado em todos os homens da sua geração, nunca ousou trocar um olhar mais demorado com qualquer uma delas! Foi lá que o encontrei, naquela altura ainda acreditava que o conseguia tirar de lá! Passado pouco tempo achei que não tinha esse direito e comecei a passar por lá de vez em quando, cada vez menos. Num desses encontros fizemos um filho...
- Porque vieste embora?
- Ele zangou-se comigo, nunca o tinha ousado fazer! Tinha esquecido as luzes do carro acesas e a bateria avariou. - És sempre a mesma! Sempre no mundo da lua! Quando é que começas a ter atenção aonde pões os pés? - Eu não via esse tipo de importância no acontecimento. Acho que percebi que estava farto de mim, pois eu era assim mesmo! As luzes ficavam muitas vezes acesas e ele achou sempre piada, mas a bateria nunca tinha avariado! Eu acho que ele ficou logo zangado a décima terceira vez, mas nunca se apercebeu pois eu antecipava-lhe sempre um pedido de desculpas e um sorriso quase de chantagem – Deixei a luz do carro acesa! - Dizia. Quando queria dizer: - Não te vais zangar pois não?
No fundo já se percebia que era ele que a queria mudar, perdeu a paciência!
Texto e pintura de Ana Monteiro

sexta-feira, 11 de abril de 2008

NADIR AFONSO - AGORA NO TMG (TEATRO MUNICIPAL DA GUARDA)


Nadir Afonso nasceu em Chaves em 1920.Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts em Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês e até 1948 e em 1951 colaborador do arquitecto Le Corbusier e serviu-se algum tempo do atelier Fernand Léger.De 1952 a 1954, trabalha no Brasil com o arquitecto Oscar Niemeyer.Nesse ano, regressa a Paris, retoma contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina "Espacillimité".Na vanguarda da arte mundial expõe em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles "espacillimités" animado de movimento.Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitectura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicado à criação da sua obra.
ver mais

Vasarely

Nasceu em Pécs, Hungria, em 1906, tendo ido posteriormente estudar arte em Budapeste, onde se familiarizou com o movimento Bauhaus e com os trabalhos de Paul Klee, Kandinsky e Josef Albers. A influência destes teve um impacto tal na sua obra que se poderá afirmar que nela tenta resumir os princípios dos pioneiros da Bahaus segundo a qual o movimento não depende nem da obra de arte em si mesma, nem do tema específico que se pretende ver retractado, mas antes da apreensão do acto de olhar, que por si só é considerado o único criador.Em 1930 vai viver para Paris, tendo-se dedicado nos 13 anos seguintes ao aprofundamento dos seus conhecimentos gráficos. O seu fascínio por padrões lineares levou-o a desenhar diversos motivos através da utilização de grelhas lineares bicolores (pretas e brancas) e das deformações ondulantes, onde a sensação de profundidade e a multidimensionalidade dos objectos foram sempre uma preocupação constante.Posteriormente, a introdução da cor nos seus trabalhos vai permitir ainda um maior dinamismo, através do qual pretendeu retractar o universo inatingível das galáxias, a gigante pulsação cósmica e a mutação biológica das células. Os seus trabalhos são então essencialmente geométricos, policromáticos, multidimensionais, totalmente abstractos e intimamente ligados às ciências.É, no entanto, o período entre 1950-60 (período Black and white) que marca definitivamente o trabalho de Vasarely, uma vez que ao introduzir pela primeira vez a sugestão de movimento sem existir movimento real, cria uma nova relação entre artista e espectador (que deixa de ser um elemento passivo para passar a interpretar livremente a imagem em quantos cenários visuais conseguir conceber), desenvolvendo e definindo os elementos básicos do que será conhecido como Op Art -um estilo e técnica que permanecerá para sempre ligado ao seu nome.

terça-feira, 11 de março de 2008

Leonard Cohen em Lisboa no mesmo dia de Lou Reed

"De acordo com o seu site oficial, Leonard Cohen está de volta a Portugal para um concerto em Julho. O espectáculo terá lugar no mesmo dia em que Lou Reed actua no Campo Pequeno.
No meio da euforia dos festivais, o site oficial de Leonard Cohen dá como certo um concerto em Lisboa no dia 19 de Julho. Acaso ou não, o regresso a Portugal do cantor e compositor canadiano acontece no mesmo dia em que Lou Reed actua no Campo Pequeno, também em Lisboa. A digressão World Tour, que apresenta uma extensa lista de datas na América do Norte e na Europa dá como local do concerto de Cohen um simples Passeio Marítimo em Lisboa, presumindo-se que o espectáculo decorra em Algés ou Alcântara. Nem o espectáculo de Cohen, nem o de Lou Reed foram ainda anunciados por qualquer produtora, ainda que o concerto do ex-Velvet Underground em Loulé, dia 20 de Julho, seja produzido pela Música no Coração."
extraído de Blitz

segunda-feira, 10 de março de 2008

Cem mil? Porreiro pá!!!

Marchei na indignação com cerca de 100 000 professores, entre o Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço. Se mil já são muitos como afirmou a senhora Ministra, 100 000 são um “tsunami”, e só pode ficar indiferente quem nunca pertenceu a uma multidão ou quem, como esta senhora Ministrazeca, já esmagou a consciência na orla desta indignação, e podem crer que os olhos dessa mesma indignação são muito grandes.
A frente do protesto ocupava o Terreiro do Paço pelas 16h30, mas mais de três horas depois eram ainda milhares os professores que percorriam a Avenida da Liberdade Restauradores, Rossio e Rua do Ouro.
A Senhora ministra não gosta destas ruas? Optou por não se demitir? Diz que não se vai embora? Não vai ceder e enclausura-se no casulo da sua litania e da sua politica há muito tempo póstuma?
Esta ministra não gosta do olho rua? Sócrates terá de ceder, o “quadro de excedentários do governo” espera-a, a factura em votos começa a ficar demasiado insustentável. Com uma manifestação destas, este passa a ser um problema do Governo”… e para o governo.
Hoje não me apetece vir aqui explicar, a quem ainda não percebeu, os motivos da indignação, se sou a favor ou contra a avaliação, da suspensão dos prazos médios ou intermédios, nem vou cobrar o lamento das aulas de substituição, das providências cautelares, do professor titular, do pouco espaço pedagógico de sobra numa sala a abarrotar de alunos, da trapalhada do novo modelos de gestão escolar… a noite foi um abrigo absurdo e inquieto e é inquieto também o desejo da pena com que escrevo, é a emoção que corre à frente do biografar dos factos e dos motivos.
O protesto foi gigantesco e os professores mostraram que não podem ser pasto seco na ignição de qualquer contingência ou incontingência. Não temos medo, o nosso grito não é clandestino…”sobrou-nos peito” e ontem fomos nós a dizer o nosso nome de forma robustamente maiusculizada e até onde a senhora ministra nos podia encontrar. Do sul ao norte da ilha da Madeira a trás-os-montes ouvi gritar com a mesma graça, a nossa raça… do Algarve veio o baile, tocaram adufes os da beira, com os de trás-os-montes bombamos como os zés Pereiras. Cantaram os do Douro as Janeiras, dançaram chulas os do Minho, os do Alentejo abriram-no o peito à planície, colhemos no fado o jeito de um país por inventar. Viemos todos empurrá-la da cadeira… E viva quem se indigna…
Aos que ficaram em casa, aos retidos nos autocarros pela PSP em Aveiras na estação de serviço, nós estivemos lá também por eles.
“Está na hora, está na hora da ministra ir embora”, todo o poema que rima também é um apelo ao desassossego de quem quer ser professor…