quarta-feira, 29 de julho de 2009
...imbondeiro...
"Dizer que as sementes do imbondeiro são sementes terríveis, só por uma influência ocidental, perdoa-se a Saint Exupéry. Para os africanos é praticamente uma árvore sagrada. O imbomdeiro, Adansonia digitata, L., da família das bombaceae, a mesma das ceibas. Esta planta tem dois tipos de folhas conforme a idade. Justificação para que no princípio do século passado fosse uma árvore considerada em vias de extinção e árvore fóssil por não se conhecer este facto e não se verem exemplares jovens com as folhas do exemplar adulto. Em África ouvi um nativo dizer, que o imbomdeiro só dava fruto quando mudava de roupa. Pelas populações locais esta árvore é uma árvore protegida e muitas vezes se lhe ligam sentimentos religiosos. Nalguns locais é tido como um intermediário entre Deus e os homens. E percebe-se, pelo elevado número de utilizações que as populações locais fazem dele. As crateras que se abrem no interior do tronco, para além de poderem armazenar água, servem muitas vezes de celeiros de cereais e até de sepulturas.
As raízes algumas vezes são desenterradas para se tirar parte delas e produzir um corante vermelho, que se usa para corar olaria, madeiras e tecidos. Do entrecasco extraem-se fibras grosseiras que servem para a confecção de cordas e tecidos grosseiros. A polpa dos frutos seca dá origem a uma farinha de sabor agradável. A farinha é rica em vitaminas C e do complexo B, de enorme valor nutricional. " extraído de um amador da natureza
terça-feira, 28 de julho de 2009
...os chassos da covibus são uma mina...
"A concessão dos transportes urbanos à Covibus é uma mina. Se não é, parece: recebeu 75.000,00€ por dois meses de serviço e agora, por mais dois meses, embolsa o mesmo que receberia por três: mais 115.000,00€. Apetece perguntar se o aumento da subvenção é um prémio pelo serviço de qualidade que a empresa presta, com os chassos que por aí se arrastam. Bendita providência...Em Maio, Carlos Pinto "justificava a atribuição do serviço à empresa que ganhou o concurso para a concessão com o argumento de que fazia sentido os funcionários começarem a familiarizar-se com as rotas", segundo o NC. Agora, João Esgalhado, aparentemente preocupado com os lucros da empresa (sabe-se lá porquê...), "explicou que nos meses de Julho e Agosto há um número significativo de pessoas que sai da cidade, como é o caso dos estudantes, e faz diminuir as receitas da Covibus." Perceberam? " grémiodaestrela
domingo, 26 de julho de 2009
... cheira-me aqui a qualquer coisa...
«Os estudantes do Politécnico da Guarda vão pagar mais 70 euros de propinas no próximo ano lectivo. A proposta de aumento, apresentada pelo presidente do Instituto, foi aprovada pelo Conselho Geral sem grande contestação e destina-se a suprir «em parte» a diminuição dastransferências do Estado. Assim, as matrículas nas licenciaturas custarão 820 euros, contra os750 cobrados este ano, enquanto os mestrandos pagarão 1.200 euros e os frequentadores dos Cursos de Especialização Tecnológica (CET) 270euros. «Este aumento era inevitável», garantiu Jorge Mendes, presidente do Politécnico. Um opinião partilhada por Marco Loureiro,para quem esta medida é um mal menor. «Qualquer aumento nunca é uma boa proposta, mas podia ser pior, pois conseguimos que os responsáveisdo IPG optassem por uma subida menor», disse o presidente da Associação Académica da Guarda (AAG), adiantando que estava prevista ser apresentada uma proposta de aumento de «220 a 230 euros, atingindo assim de uma só vez o valor da propina máxima estipulada por lei[actualmente de 980 euros]». Para Marco Loureiro, os 820 euros são um montante «mais justo e consciente» para os estudantes. O dirigente assaca as culpas deste agravamento para o Ministério do Ensino Superior, lembrando que o IPG recebeu no último ano lectivo menos dois milhões de euros do Estado. «O que tem reflexos negativos na gestão do Politécnico. De resto, acreditamos que este desinvestimento vai continuar, pelo que a propina máxima será implementada mais cedo ou mais tarde», avisa Marco Loureiro, que destaca o facto do IPG ter ainda «uma das propinas mais baixas» do país, factor que acredita será atractivo para os futuros estudantes."ler aquisábado, 25 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
...central fotovoltaica abre em setembro...
"Foram precisos quatro anos para passar do papel para o terreno. Em setembro começa a funcionar. Cobre uma área de cinco hectares, o equivalente a cinco campos de futebol. Quando estiver totalmente operacional, já no próximo mês de Setembro, produzirá energia suficiente para 30 a 40 habitações. A Horta Solar, instalada na Quinta da Charneca, na freguesia do Ferro é uma central fotovoltaica pequena, talvez a mais pequena do País, mas as vantagens que dela podem resultar, ao nível empresarial e pedagógico 'são grandes', disse ao Diário XXI João Nuno Serra.O projecto foi seleccionado pela Agência Portuguesa de Investimento (API) como Projecto de Interesse Nacional (PIN) na área da inovação. Vai usar, pela primeira vez na Europa, seguidores solares bifaciais construídos por uma empresa do leste, a pedido da Enforce adoptando tecnologia semelhante à usada pelos russos nos satélites enviados para o espaço. Trata-se de uma tecnologia proposta pela empresa covilhanense, instalada no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã, porque gera mais electricidade que os sistemas tradicionais de montagem fixa.
Segundo João Nuno Serra, a nova tecnologia garantirá um ganho energético de 50 por cento quando comparado com instalações tradicionais fixas. 'A colocação de células fotovoltaicas nos dois lados do painel garante a produção de mais 20 por cento de energia e o seguimento solar garante mais 30 por cento representando uma eficiência energética 50 por cento superior, o que é muito significativo', disse o empresário. 'Apesar de existir algum nível de incerteza vamos validar na prática os cálculos teóricos. Estamos muito confiantes quanto aos resultados', acrescentou.
HORTA SOLAR SEM APOIOS
Embora seja uma experiência piloto, a Horta Solar não tem qualquer apoio para o investimento, superior a 700 mil euros, menos 300 mil do que estava inicialmente previsto. 'O risco é suportado pela banca em 80 por cento e por capitais próprios no restante', explicou João Nuno Serra. O Governo garante a entrada de toda a energia produzida pela central fotovoltaica na Rede Eléctrica Nacional a 35 cêntimos por kilowatts, ou seja três vezes superior aos 11 cêntimos cobrado pela EDP ao consumidor final. 'É uma boa ajuda porque 'permite amortizar o investimento em 13 anos', concluiu o empresário.
Russos à espera dos resultados
A empresa russa que forneceu os painéis bifaciais está expectorante quanto à eficiência do projecto. Segundo João Nuno Serra, a montagem de painéis bifaciais com seguimento solar 'é único no Mundo', O administrador da Enforce adiantou que 'os russos estão à espera dos resultados que vamos alcançar com o projecto para tomarmos decisões quanto ao fabrico dos módulos', Segundo João Nuno Serra, 'eles próprios [os russos] não tem capacidade para produzir em série caso se confirmem as expectativas e se abra um grande mercado em Portugal, Espanha ou nos Países de Língua Oficial Portuguesa', explicou. 'Ai teremos de pensar na criação de uma linha de montagem em Portugal', acrescentou o empresário, adiantando que 'há contactos já estabelecidos', com a Accionna, empresa que produz para a maior central fotovoltaica do Mundo, instalada em Moura, no Alentejo."
Francisco Cardona
quarta-feira, 22 de julho de 2009
...a concepção de estado...
"O pragmatismo de base da ciência política de Maquiavel delega no príncipe as funções de governação da coisa pública, afastando a igreja que se devia confinar às questões ligadas com os céus. Repescando de Aristóteles a ideia de que a política é a arte ligada à realidade em si e não ao que ela deveria ser, a sua ocupação com a política baseia-se em fundamentar e legitimar a esfera política baseada no carácter dos homens.A palavra estados inaugura o primeiro capítulo d´O Príncipe que aparecem sob a forma de repúblicas ou principados (monarquias), porém, Maquiavel manifesta o desejo de criar o estado, o novo estado, fundado na unificação do país e cuja única ameaça residiria na fragmentação desse mesmo país, como era o caso de Itália, à época.
Apesar de Maquiavel não apresentar nesta obra uma definição de estado, mas percebemos que o que atrai Maquiavel é o poder soberano e unificado, independentemente da forma com que se vestir, ou de república, ou de monarquia, mas com o objectivo de como se podem governar e manter esses principados. Aliás, depreendemos desta obra que, a Maquiavel, pouco interessa que o estado seja novo, velho ou isto, mas os seus sustentáculos são as boas leis e os bons exércitos.
Temos de ter ainda em consideração a secularização desses principados, em que a igreja é totalmente afastada deste estado novo. Assentando a política nos conceitos de Virtú e Fortuna, estes arredam-na da ideias de bem e de mal e impõem a glória e a grandeza como novos princípios, exemplo disso César Bórgia que era tido como cruel, mas com a sua crueldade manteve o povo unido e em paz. Aliás, em Maquiavel, ao contrário de Aristóteles, a política tem como fim ela própria e não se tem de organizar em função de um fim fora de si, de justiça ou de injustiça, o que pode fundamentar a própria razão de estado, onde os fins justificam os meios. Daí a forma pejorativa como Maquiavel é sinalizado. O poder em Maquiavel assenta na capacidade do príncipe saber adequar uma resposta a uma situação que se lhe apresenta no presente, deixando de lado os princípios morais, e mais êxito terá, quanto mais eficaz e consequente for essa resposta. Não podemos considerar Maquiavel como amoral, mas a acção do príncipe não se baseia numa hierarquia de valores, mas, o critério reside nas consequências dessa mesma acção, a própria violência é legitimada como preservadora do estado e da ordem civil, e não pelo humor do governante.
A questão do estado desprende-se, para além de outras, da Obra de Marx, em parceira com Engels, no Manifesto do Partido Comunista, sendo este, não algo de transversal a todas as sociedades, mas uma criação da divisão de classes e da divisão social do trabalho, ou seja, é uma criação dentro da própria sociedade e não algo que lhe é imposto do exterior, é a própria “família” que lidera e que aparentemente legitima o estado, como acima da sociedade, e que a legitima como classe politicamente dominante. Vemos aqui um ponto de ruptura com Maquiavel, para quem o estado, apesar de se basear numa necessidade, subsiste para além da forma como se apresenta. O estado é comparado a uma máquina usada pelo capitalismo para reprimir o operariado. Com a emancipação do proletariado, com a organização da produção baseada na associação livre, diz Marx, o estado será atirado para o museu das antiguidades, ao lado da roda de fiar e do machado de bronze.
Marx apresenta-se como um grande crítico da igualdade contemplada nos direitos humanos e a figura do sufrágio universal, pois enquanto existir propriedade privada, que gera a desigualdade entre a classe detentora dos meios de produção e a detentora da força de trabalho, esta igualdade não sairá do domínio teórico. Com a revolução operária o estado perde a sua razão de existir, deixando de existir o antagonismo entre as classes e a própria noção de classe.
Podemos ver como exemplo dessa desigualdade o facto ao proletariado ser vedado o uso das armas, mas apenas ao exército ou polícia, o que em sociedades primitivas era universal. Outro exemplo, o da justiça, se as sociedades primitivas funcionavam e assembleias colectivas, onde todos se podiam pronunciar, na sociedade capitalista está reservado a uma certa minoria o direito de julgar." Ana Monteiro
terça-feira, 21 de julho de 2009
... a maldita teoria dos caos...
...há mais sucesso nos cursos profissionais:) vai-se lá saber porquê:) :) :)
domingo, 19 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
... land art...
A Land Art foi reconhecida como a mais "suportada" das inspirações artísticas. No final dos anos 60, um numero de artistas iniciou fora das quatro paredes da galeria uma série de criações no deserto e montanhas do Nevada, Utah, Arizona e Novo México. A Land Art deixa os espaços comuns de exposição como a galeria, o atelier e o museu para "investir no planeta". Renova a noção de exposição: uma experiência real e intransponível, representada em vastos espaços, como a montanha, o mar, o deserto e o campo, para uma maior liberdade criativa.
Os "Land Artists" usavam escavadoras e caterpillers para criar buracos na terra ou para construir largas rampas. O resultado foi uma enorme expansão da arte, na sua paisagem, na qual a formação da terra, o horizonte, o tempo e a erosão transformaram-se em verdadeiros materiais. . Os "Land Artists" aceitam os fenómenos atmosféricos, que enchem os fossos e esbatem os contornos cuidadosamente marcados, como parte integrante da obra. Desejam criar sem fabricar, e simultaneamente alertar para a precariedade de recursos naturais. O interesse destas realizações não é efémero, de um só gesto. Na Land Art a obra só se completa após a sua destruição, eternizando-se com arquivos fotográficos, que testemunham a sua evolução e decomposição.
Em espaços nus e desertos, ninguém poderá adquirir as suas obras nem lhes poderá atribuir uma cotação. Numa sociedade de hiperconsumo e de desenvolvimento industrial incontrolado, estes artistas recusam-se a criar objectos como "dama de companhia" de outros objectos.
Os seus círculos e espirais, tão característicos, são mais que uma expressão colossal da Arte Minimal. A projecção de uma atmosfera romântica associada ás órbitas cósmicas, os cultos de Fé e os rituais num espaço, a disseminação de um vasto panorama de imagens, tudo isto toca, de certa forma, na Land Art. Assim como os pintores da Landscape do século XVIII e XIX, - David Friedrich, John Constable – evocam constantemente os círculos megalíticos, estruturas indianas calendarizadas, pictogramas dos Peruvianos, entre outros.
A presença física de Michael Heizer, Robert Smithson, Walter De Maria, Robert Morris na natureza distingue-os dos outros comuns artistas. O envolvimento na paisagem é ainda mais profundo: a maior parte dos seus trabalhos estão estritamente ligados com os sítios. A força primordial do cenário, o desnudar das camadas geológicas, a exposição para a erosão e clima, o envolvimento corporal de humanos em profundidades artificiais monumentalizaram as suas obras, que viajam entre a história natural e a arte. Estes não são discretos, entendidos como representações isoladas, mas totalmente relacionados com o ambiente circundante - uma experiência inimitável, vivida nos espaços da galeria através de fotografias, mapas, documentos escritos.
Embora os artistas rejeitem o espaço físico da galeria, o que acontece de facto é que a Land Art, como todas as formas avant-garde activas, continua dependente do museu. Richard Long encontrou uma solução para este problema: a importação de elementos naturais para dentro da galeria - Vermont Georgia South Carolina Wyoming Circle, e Robert Smithson desenvolveu a teoria que relacionava a localização particular de um ambiente - o sítio - com os espaços anónimos e intercomplementares das galerias – os non-sites.
Na mesma esfera, embora num outro extremo, aparece-nos Christo e Jeanne-Claude, no seu trabalho interventivo na Landscape e, maioritariamente, na Cityscape. Nesta última, o seu trabalho, fisicamente efémero, envolve obrigatoriamente o social, tendo como resultado permanente a sensibilização comunitária e uma possível memória colectiva.
Em 1979, o crítico Rosalind Krauss propôs um entendimento racional, uma solução para a desmesurada proliferação da(s) arte(s). Baseando-se no campo extensivo de Morris, Krauss escreve que a Land Art poderia ser melhor definida como não sendo nem paisagem nem arquitectura. A sua inter-relação com as Instalações e a Environmental Art começou a fazer sentido. O conceito base foi-se transformando e adaptando, alterando a essência filosófica deste movimento - "Na Natureza nada se perde (…) tudo se transforma". aqui
...a inspiração atomista do materialismo dialéctico...
Segundo Marx, a sua tese de doutoramento resolve um problema na filosofia grega, devolve a importância histórica e de pensamento ao círculo Epicuro, Estóicos e Cépticos. Para Marx a história nem sempre fez justiça para com estas linhas de pensamento, sendo mesmo consideradas como apêndices em relação ao pensamento grego. O próprio Hegel, o grande pensador, entrincheirado no que ele pensava que era o pensamento especulativo, não reconheceu a estes sistemas a devida importância em termos de história da filosofia. Na sua tese de doutoramento, Marx refere que a história da filosofia grega não fez justiça a estes sistemas, terminando a filosofia em Aristóteles, sendo as filosofias pós-Aristotélicas consideradas como um complemento incongruente, sem nenhuma relação com seus vigorosos antecessores, e a filosofia epicurista foi considerada como um agregado sincrético da física de Demócrito e da moral Cirenaica.
Mas, segundo Marx, estes sistemas são a chave para compreende a verdade da história grega. Não podemos afirmar que a tese de doutoramento de Marx seja um estudo exaustivo do atomismo, aliás é ele próprio que no-lo afirma, que o que lhe interessa particularmente não é uma teoria da matéria ou uma teoria das relações entre a matéria e o espírito, ou mesmo a diferença entre a física de Demócrito e Epicuro acerca dos átomos e o espaço. Na própria dedicatória ao futuro sogro, Ludwig von Westphalen, Marx, na senda de encontrar o elemento subjectivo destas filosofias, reconhece-as como de vital importância para decifrar a emergência da consciência-em-si e para a resolução do problema entre a filosofia e o mundo. Podemos ver já aqui um ponto de distanciamento em relação à filosofia hegeliana, se tivermos em conta a atenção que Marx vai dar à auto-consciência.
Desde a primeira parte da sua tese, podemos concluir que se na base do atomismo de Epicuro está o atomismo mecanicista de Demócrito, cedo se começam a traçar desigualdades, no que diz respeito à verdade, à possibilidade do conhecimento, à relação entre o pensamento e a realidade, e ao próprio sentido da ciência.
Se Epicuro deve aos livros de Demócrito a inspiração para a sua teoria física, porém, adopta uma postura crítica face a este na sua construção teórica, aliás, podemos situar Demócrito do lado da necessidade e Epicuro do lado do aprofundamento dessa mesma necessidade. Todo o atomismo é formado por construções singulares por parte dos pensadores que integrar esta escola, muito apesar de Cícero afirmar que não há nada na física de Epicuro que não esteja já na de Demócrito, o que se afigura como uma afirmação polémica.
Posicionando-se ao lado do filósofo do jardim, afasta-se de uma tendência para o cepticismo por parte de Demócrito, tendo este reduzido a realidade sensível à aparência subjectiva, não conseguiu estabelecer uma relação entre a essência e o fenómeno ao afirmar que a verdadeira realidade são os átomos e o vazio, sendo tudo o resto mera aparência, aderindo, Marx, à ideia de que as percepções sensíveis não podem ser eliminadas, afirmando que toda a sensação é verdadeira, pois revela com evidência imediata a natureza das coisas e determina o conhecimento racional. O erro ocorre quando a razão julga erradamente os dados da experiência sensível.
Demócrito cai assim no cepticismo recusando o conhecimento da essência das coisas e apenas as qualidades, dos átomos, percebidas através dos sentidos, tais como, o cheiro, o frio, a cor, na forma como são percebidos pelo sujeito, sendo, como tal, aparência e instabilidade, excluindo a verdade do ser.
Ao contrário de Demócrito, vemos em Epicuro a confiança no conhecimento da verdade a partir dos sentidos, como fonte segura do saber e os arautos da verdade, a Epicuro interessa encontrar a compreensão, de forma simples, para o mundo físico, que assenta na sua filosofia na divisão: a física -filosofia da natureza, a canónica - teoria do conhecimento e a ética filosofia moral, e o mais interessante será que são as duas primeiras a fundamentar a última.
Não podemos pensar Epicuro sem parar na sua ideia de declinação da linha recta associada ao movimento dos átomos, encontrando aqui a sua originalidade em relação a Demócrito que apenas equaciona, como movimentos que conduzem à formação de compostos, a queda em linha recta e a repulsão entre os átomos. Assim, segundo Marx a física de Demócrito assenta na categoria da necessidade, ou num determinismo natural, e exclui a génese ontológica da liberdade. Ao considerar a possibilidade do desvio da linha recta, ou de um terceiro movimento dos átomos no vazio, de repulsão, Epicuro, introduz a ideia de clinamen, ou movimento de declinação, como determinação formal, que chega até nós através Lucrécio, o único de todos os antigos que compreendeu a física de Epicuro, nas palavras de Marx.
Para Marx a declinação era um aspecto central na filosofia de Epicuro como originária da consciência de si singular e abstracta, não se ficando apenas como um elemento da física, mas ocupando um lugar central na sua moral, fundando mesmo a ideia da ataraxia.
A queda em linha recta, como determinação material, não contempla a individualidade ou singularidade de cada átomo, antes pelo contrário, torna-os simples pontos que se movem, sem liberdade ou autonomia. A ideia de liberdade atrai Marx, principalmente a ideia de uma vontade própria ou auto-determinação, introduzida por Epicuro através da ideia da possibilidade do acaso, na negação do movimento da linha recta. Nas palavras de Lucrécio, Epicuro, rompe com os laços da fatalidade, sendo uma quebra nas cadeias do destino. Aliás, como nos diz Marx, a própria existência das coisas depende da declinação, dado que movimento em linha recta impossibilitaria o encontro dos átomos.
A declinação para além de explicar o encontro entre os átomos, ultrapassa o campo da física, e no âmbito social e político, em formas como o contrato e a amizade, como movimentos de autodeterminação e autarquia dos homens singulares, que desviam o ser humano da sua imediatez natural e o lançam no plano da liberdade e até do fortuito, libertando o homem do determinismo, o que poderá aqui fazer eco na concepção da luta de classe em Marx.
Seguindo o raciocínio de Marx, a singularidade humana, realiza-se como tal, reportando-se a outra coisa, por exemplo a uma existência imediata.
O próprio conceito de existência alienada, tão caro a Marx, está já presente pelo conceito de contrariedade entre a forma pura e a expressão material dos átomos. Tamanho, forma e peso são as qualidades atribuídas aos átomos por Epicuro, na composição dos mesmos a forma é fundamental e daí podemos concluir que estamos perante uma relação dialéctica entre a forma e a matéria, sofrendo esses mesmos átomos de mutação, em diversas formas, entram em contradição com a ideia de imutabilidade do átomo, por exemplo a negação do tamanho seria a pequenez infinita. Marx assimila a ideia de contrariedade entre a essência e a existência, ou a alienação da essência, enquanto princípio constitutivo do ser, apresentando Epicuro com tendo representado o fenómeno através da materialização do átomo, na sua determinação material ou manifestação sensível.
Marx é sensível ao confronto da natureza com a sua forma, o que o leva a chamar Epicuro o Maior iluminista grego, na sua teoria económica, Marx recusa as leis eternas da economia, que poderão ser combatidas pela autonomia do indivíduo. Marx assimila também a ideia de uma realidade sensível como ponto de partida da consciência irrefutável, ou seja a importância da percepção sensível na formação da teoria.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
... buckle...
In this book, Stephen Buckle provides a historical perspective on the political philosophies of Locke and Hume, arguing that there are continuities in the development of seventeenth- and eighteenth-century political theory which have often gone unrecognized. He begins with a detailedexposition of Grotius's and Pufendorf's modern natural law theory, focusing on their accounts of the nature of natural law, human sociability, the development of forms of property, and the question of slavery. He then shows that Locke's political theory takes up and develops these basic themes ofnatural law. Buckle argues further that, rather than being a departure from this tradition, the moral sense theory of Hutcheson and Hume represents an attempt--which is not entirely successful--to underpin the natural law theory with an adequate moral psychology.domingo, 12 de julho de 2009
A desmistificação da verdade absoluta
Associada à filosofia contemporânea está a noção de crise, principalmente no conceito natureza humana e de verdade. A crença no homem como ser racional e capaz de conhecer e dominar a realidade, cai por terra com Marx, Freud e Nietzsche. Foucault diz que estes três filósofos abriram feridas inextinguíveis no pensamento actual, mudando a própria forma de interpretar a realidade num espaço com outra profundidade.Sendo as relações materiais, responsáveis pelo rumo da história, infra-estrutura, condicionantes da vida e determinantes do pensamento, residindo nas forças económicas o rumo da história, sendo as condições materiais que suportam a super-estrutura, onde, o cérebro que constrói os sistemas filosóficos é o mesmo que constrói as estradas de ferro com as mãos dos operários, Marx não aceita o conceito de verdade universal, sendo esta a manifestação das ideias dominantes e a do interesse da classe dominante.
Marx apontou, desde logo, o dedo ao facto de não ser a consciência que domina a vida, mas a vida que domina a consciência, operando aqui a inversão teoria/prática, com acentuação na praxis revolucionária. O homem é um ser maleável que se projecta e constrói ele próprio o seu processo de emancipação pelo trabalho, dominando e transformando a própria natureza. O homem é aquilo que faz, a moral, a religião, a filosofia, estão necessariamente ligadas à praxis humana, sendo condicionadas por aquilo que o homem faz.
Freud, através da psicanálise, enfatizou o papel do inconsciente e dá voz à irracionalidade das paixões, pulsões e desejos, como motores do comportamento humano.
Nietzsche manteve o seu debate com a profundidade, nas palavras de Foucault, criticando a profundidade ideal ou de consciência, inventada pelos próprios filósofos, como uma procura inferior e mutiladora da profundidade, revelando-se na hipocrisia, na resignação e na máscara, que revelou apenas uma ruga da superficíe.
Sabemos que para Nietzsche o mundo desenvolve-se numa transformação constante, alheio à ordem e à racionalidade, e atravessada pela relatividade da verdade e pelo caos, a desordem e o fracasso em que o ser humano vive, lutando assim contra a vontade da verdade como absoluta e metafisicamente fundada, apoiada no ideal ascético. O ideal ascético foi até agora senhor de toda filosofia, [...] a verdade foi entronizada como Ser, como Deus, como instância suprema [...] A partir do momento em que a fé no Deus do ideal ascético é negada, passa a existir um novo problema: o problema do valor da verdade. – A Vontade de verdade requer uma crítica – com isso determinamos nossa tarefa –, o valor da verdade será posto em questão, palavras de Nietzsche na Genealogia da Moral. Não podemos deduzir que Nietzsche negue a verdade, mas sim a verdade absoluta, apontando para uma verdade como interpretação ou construção humana.
Nietzsche, na obra Genealogia da Moral destrona o conceito de Eu fixo e acabado, revelando-se contra a monadização da alma e afirmando a pluralidade dessa mesma alma. Para Nietzshe este conceito, e mesmo de homem, é uma criação domesticada, revelando-se grande crítico da noção grega de homem como racional e do seu conceito biblico de homem como imagem do deus. Nietzsche recupera a ideia anterior a Sócrates em que o homem era o exercício dos seus intintos, realizado na figura do super-homem, arredado da ideia de homem como ser consciente, responsável, trabalhador, respeitador das leis e temente a Deus. A origem da má consciência do homem faz-se no reprimir cruel dos instintos pela razão, pela sociedade, pela culpa, pela justiça, adoecendo o homem, tornando-se fraco e religioso. Para Nietzsche o paradigma da racionalidade que culmina na era moderna e subjuga os instintos criadores no homem.
sábado, 11 de julho de 2009
...silêncio selvagem...
"Nada me surpreendeu mais do que saber, pelo PÚBLICO de ontem, que essa civilização nem sempre se estende à condenação dos selvagens. Falo dos selvagens que se divertem a pôr cães perigosos (que eles próprios criaram e treinaram para serem assim) a lutar contra outros cães.Falo dos seres desumanos que põem os cães tão nervosos e agressivos que os condenam a uma existência psicótica. E que, de vez em quando, fogem do controlo dos donos, e atiram-se a quem calhar.
Por que carga de água-de-colónia, então, é que o PSD e o CDS-PP se abstiveram no diploma que criminaliza os promotores de lutas entre animais e os donos de cães perigosos que se atiram às pessoas?
Podem explicar-me o que há de tão polémico nesta lei que castiga quem organiza lutas entre animais? E que dá alguma satisfação às vítimas dos ataques destas bestas?
A nova lei é até daquelas desconcertantes que se estranha não haver já há muitos anos.
Saúde-se o deputado do PSD Mendes Bota, o único que votou a favor. Mas não chega. Fazer bonitos com abstenções é feio quando se trata de proteger pessoas e animais uns dos outros. E venha o Partido Pelos Animais!"
Miguel Esteves Cardoso
sexta-feira, 10 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
... não quero saber o teu nome...
" O Último Tango em Paris é já há muito um autêntico emblema erótico da História do Cinema, e certamente assim continuará nos demais tempos vindouros, algo lhe deve, visto esta ter salientado o incontornável estatuto que detém tão libertadora obra. Por outro lado, a censura foi terrivelmente ingrata para com o filme em questão, pois é vergonhoso e descarado o mesmo ser privado de ser descoberto por espectadores com idade suficiente para o fazer, visto que O Último… merece precisamente o contrário. Conta-se que para tal ser levado a efeito na altura, tornou-se moda ir ao estrangeiro (para quem o seu país padecia de conservadorismo doentio) para poder visioná-lo, dado o intenso hype polémico que vigorava. Em Portugal, o seu visionamento foi proibido pela ditadura, situação que se quebrou somente após a Revolução dos Cravos. Embora a dimensão controversa da obra supere a qualitativa (há muito filme bem mais aclamado que este enquanto que os mais controversos não são assim tantos), esta não é, nem de longe nem de perto, o típico caso de possuidora de imensa fama e desprovida de méritos que a honrem.
Quanto à sobejamente conhecida história: um homem e uma mulher. Em Paris. Ela, Jeanne (Maria Schneider), uma jovem bonita parisiense, enquanto procura um apartamento depara-se com Paul (Marlon Brando), um misterioso americano desolado e atormentado cuja infiel mulher se suicidou recentemente. Entre os dois nasce instantaneamente uma estranha atracção, prolongando-se num ardente e tórrido romance que afectará profundamente as suas vidas, à medida que Paul tenta superar a morte da mulher e Jeanne prepara-se para casar com o seu noivo Tom (Jean-Pierre Léaud), que está a realizar um documentário sobre ela.
É insolitamente estabelecido na relação entre os dois o factor anonimato, para além da não descortinação do passado de ambos, embora este seja consideravelmente alvo de revisitações, no entanto duvidosas. E se é verdade que às vezes sentimos mais medo quando não vemos fisicamente o perigo, também às vezes o fascínio é maior quando este não é quebrado pelo desvanecer da sensação sedutora de mistério que permanece nos corpos. Uma opção ousada que vai no complexamente intrigante espírito da obra, mas os méritos estão bem longe de terminar por aqui.
Os actores entusiasmam: Brando, nomeado ao Óscar de Melhor Actor, e desencantadamente irrepreensível, é o elemento desconcertante da “estória de uma vida” pela qual é acompanhado por Schneider, sem possibilidade de evitarem os tumores emocionais que se alastram gradualmente. Schneider, detentora de uma putativa cara de garota, que, por não transportar devidamente essa inocente vulnerabilidade, é com alguma naturalidade que faz jus à “gata” que muito bem cultiva a bel-prazer de Brando. Enquanto isso, Jean-Pierre Léaud, actor fetiche de François Truffaut, interpreta com inteligente dinamismo o seu personagem. Mas como não é só de actores que resplandece a obra, há também que referir outros campos gloriosos. Um deles: a fotografia antiquadamente sedutora a propiciar um maior espírito de sedução e a enfatizar o apaixonante sentimento de mistério e obscurantismo que paira em muitas atmosferas de incerta tragédia emocional. Outro: a banda sonora jazzy a condensar eximiamente o ambiente carnal munido de notáveis requintes estéticos. Para estes, muito contribui a câmara de Bertolucci, nomeada ao Óscar de Melhor Realização. Esta, quando não se revela sobriamente discreta, opta por sentidos devaneios, ora a estilizar os espaços, ora a potenciar ainda mais a carga de visual deslumbramento dos personagens. Personagens esses com arrebatador fascínio, com um elevado grau de complexidade emocional, com uma intrigante carga de mistério, com… alma. "
terça-feira, 7 de julho de 2009
...vitor franco... a banda sonora de uma vida...
....semalmente irei postar a banda sonora que melhor, no meu entender, se adapta a determinadas personagens e personalidades... a estreia é vitor franco...candidato à câmara de loures...
... eu cá sou bom...
...que dor de alma ver a minha música favorita dos xutos, "à minha maneira", fazer-se hino deste burgesso aburguesado...
...bloco de esquerda vai a votos no distrito...coordenadora distrital demite-se em bloco ...
O estatuto de terceira força política alcançado nas eleições Europeias trouxe ao Bloco de Esquerda (BE) dores de cabeça acrescidas, no distrito de Castelo Branco.A Comissão Coordenadora Distrital (CCD), eleita em Fevereiro deste ano, prepara-se para realizar eleições antecipadas, em data a designar, para apaziguar os ânimos exaltados nos últimos meses.
Primeiro com a demissão de Ana Monteiro – do partido e da Assembleia Municipal da Covilhã – e agora, com a saída de Bruno Pereira, da CCD do BE e, também, da Assembleia Municipal de Castelo Branco por divergências profundas com os restantes sete membros da Coordenadora e com Vítor Franco, dirigente designado pela Mesa Nacional.
A antecipação das eleições para a CCD foi decidida a 25 de Junho, um dia antes de Bruno Pereira ter pedido a demissão alegando “subserviência” dos dirigentes distritais do BE às directivas apontadas por Vítor Franco.
A gota de água que fez transbordar o copo teve a ver com declarações proferidas por Bruno Pereira, na qualidade de coordenador distrital do BE, sobre os resultados das eleições Europeias no distrito.
“O Bruno não participou em nenhuma reunião desde a eleição da comissão mas comentou os resultados das eleições invocando um cargo que não tem”, disse Luís Barroso, dirigente distrital do BE, responsável pelo núcleo de Castelo Branco. “A comissão não é um órgão hierarquizado”, acrescentou.
As divergências começaram quando, em Fevereiro, ainda antes da eleição da CCD, Bruno Pereira admitiu publicamente a possibilidade de apoiar Leal Salvado, candidato do PS à Câmara do Fundão.
“O nosso adversário é o PS”, disse Luís Barroso que, na última semana assinou um comunicado saudando a substituição de Bruno Pereira, na Assembleia Municipal de Castelo Branco e afirmando que “peca por tardia”. “As prioridades do Bloco de Esquerda são de cariz político e não pessoal”, lê-se no comunicado.
Bruno Pereira acusa Luís Barroso “subserviência” com a atitude de Vítor Franco, que, segundo ele, “elaborou uma acta e um comunicado de imprensa de uma reunião antes de a mesma ter lugar”, em Fevereiro deste ano.
A demissão em bloco dos membros da CCD, decidida a 25 de Junho, deverá ser anunciada hoje, às 18 horas, numa conferência de imprensa que terá lugar em Castelo Branco. O BE deverá anunciar, também, a apresentação de listas às eleições Autárquicas de 11 de Outubro, no concelho de Castelo Branco, Covilhã, Belmonte e Sertã. Kaminhos
...sopa de feijão verde com segurelha
Numa panela ponham a cozem 1 cebola, 2 dentes de alho, um pedaço de abóbora, 2 ou 3 cenouras, 6 ou 7 batatas, 1 tomate, sal a gosto quando cozidos batam tudo e acrecentem feijão verde cortado aos bocadinhos e deixem cozer. Quase no fim acrecentem um ramo de segurelha. segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
... pachancho, o motor de rega...
"Transporta-me para os campos luminosos
onde cresce a papoila e os castanheiros
fabricam o outono devagar. Ou vem comigo
ver o linho e o cânhamo, as terras húmidas
enquadradas por pomares. Esquece o mês,
esquece o dia, as horas são eternas, vão
passando eternamente à beira da estrada
ladeada de pinhais. A caruma
que se acama vem de longe, os fetos
fazem alas aos moscardos e ver as giestas
é a mesma coisa que ficar. Ou não será
mas, atentos aos mosquitos, os cucos
cantam nos motores de rega. E se vieres
ou me levares contigo, lá ao fundo,
desenho-te um ribeiro a ir para o mar. "
Graça Vieira Lopes
... a opulência de epicuro...
quinta-feira, 2 de julho de 2009
... olé... o touro morreu na arena...
"Pois que, na sequência do episódio parlamentar a que a imprensa se refere como o incidente dos chifres, Portugal ficou sem ministro da Economia. Contudo, à saída do hemiciclo, Manuel Pinho fez saber que achava que tinha todas as condições para permanecer no governo. Ora, está bom de ver que isto revela a inocência, senão mesmo a candura, de que o movimento de mãos que levantou toda esta celeuma esteve originalmente revestido. É que, apesar de ter mandado abaixo a casa onde nasceu Almeida Garrett, de que era proprietário, Manuel Pinho é, também ele, um poeta. Um homem de metáforas, que em nenhum momento quis insinuar que o deputado comunista Bernardino Soares, a quem se dirigia naquele instante, mais parece uma grande vaca. Mas nem a preguiçosa da surda-muda que vive no quadradinho inferior esquerdo do ecrã se dignou a tentar perceber, e a explicar à sua gente, que queria dizer o ministro com aquilo. Um ultraje de injustiça, no fundo.
Aqui, entendemos (reparem no plural institucional) que a consciência política de cada um obriga à extracção dos significados escondidos até nos gestos que aparentam grosseria. Assim sendo, o Cálssio decreta que a mímica de Manuel Pinho foi manifestamente incompreendida e mal-interpretada. Porque a injustiça, o rumor e a destilação de veneno são coisas que a este blogue muito entristecem, aqui ficam diferentes modos de subtrair simbolismo e de justificar o incidente dos chifres, sem malícia nem má-vontade. O que o ministro da Economia quis dizer foi, sem dúvida alguma, uma destas cinco coisas:
1.justificação pela metáfora combativa - Senhor deputado Bernardino Soares, o país está em crise! Temos que pensar em formas de a ultrapassar e de encarar os problemas de frente. Temos, enfim, de pegar o touro pelos cornos!
2.justificação pelo Plano Tecnológico - Senhor deputado Bernardino Soares, já mandei vir duas anteninhas de satélite para pendurar aqui na cabeça. Todo eu vou ser um avançado dispositivo receptor de ideias para reanimar a vitalidade económica do país.
3.justificação pelo elogio à supremacia intelectual alheia - Senhor deputado Bernardino Soares, quem dera a este humilde governante deter os dois palminhos de testa que o senhor deputado demonstra que tem, de cada vez que abre a sua comunista boca. Aliás, corrijo: quais dois palmos, senhor deputado, bastavam dois dedos! Aqui, olhe, assim.
4.justificação pelo discurso pedagógico com ilustração - Senhor deputado Bernardino Soares, PIB per capita é produto interno bruto por cabeça. A cabeça é esta parte do corpo que o pescoço segura. Espere aí, senhor deputado, que vou enquadrar a minha capita para o senhor deputado perceber melhor. (...) Arre, malditas orelhas que não me deixam enquadrá-la toda - obsctaculizam-se-me os dedos aqui na zona da testa. Mas é isto, senhor deputado, é isto. PIB per cabeça.
5.justificação pelo acesso repentino de atraso mental - Ó Bernardino, olha para mim! Sou um caracolinho! Olha aqui os meus pauzinhos ao sol!" cálssio
quarta-feira, 1 de julho de 2009
...docente acusa universidade do minho de retaliação...
Daniel Luís, professor da Universidade do Minho (UM) e autor do blogue humorístico Dissidências, não terá o seu contrato de trabalho renovado. O vínculo termina no início de Setembro e, contra aquilo que é habitual no departamento a que pertence, não será renovado. O docente diz que a decisão é consequência do caso que envolveu o encerramento do blogue há um ano e meio.O professor recebeu, no dia 17 deste mês, a comunicação de que o Conselho de Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional (DSEAE) decidiu, por unanimidade, recusar o pedido de prolongamento do contrato com a instituição. Daniel Luís tinha pedido um novo biénio de ligação à UM para concluir a tese de doutoramento que está a preparar há dois anos e meio, uma prática corrente no departamento. Mas a solicitação foi rejeitada, com base numa parecer da orientadora de doutoramento, Fátima Antunes, que evocava o pouco trabalho apresentado pelo docente.
Daniel Luís contesta a justificação. "Entreguei dois capítulos da minha tese e mais alguns materiais", justifica, lembrando que há colegas que produziram menos, a quem os vínculos foram renovados. "Nunca tinham feito isto a ninguém. Sempre facilitaram ao máximo, até aos limites da lei." Daí que acuse as chefias de retaliação: "Se não tivesse acontecido o episódio do blogue, as coisas agora seriam diferentes". Em Dezembro de 2007, o Conselho do DSEAE considerou que o blogue humorístico e o canal de vídeos mantidos por Daniel Luís eram "desprestigiantes" para a instituição. Em consequência da pressão feita pelos superiores, o docente e humorista encerrou ambos os espaços.
O assunto acabou por merecer eco público e, depois de uma reunião em que também participou o reitor da UM, o blogue acabou por ser reaberto, em Março de 2008. Mas, desde então, Daniel Luís diz que vive "num inferno". "A maioria dos colegas do departamento deixaram de me falar. Não tenho condições psicológicas e emocionais para trabalhar, mas tenho resistido", conta. No blogue fazia humor político e social, satirizando várias figuras políticas nacionais e a Igreja Católica.
Renovação dos contratos de trabalho é prática corrente para doutorandos. Daniel Luís diz que a saída da Universidade do Minho é consequência do caso do blogue humorístico Dissidências há ano e meio. Público
http://sol.sapo.pt/Blogs/dissidencias/default.aspx
http://www.facebook.com/group.php?gid=99524567266&ref=nf
http://hortadozorate.blogspot.com/2008/02/joo-paulo-guerra-do-dirio-econmico-o.html
http://www.canalup.tv/?menu=noticia&id_noticia=1815
http://shampodecapante.blogspot.com/2009/06/apoio-ao-cronista-daniel-luis.html
... freud e klimt...
"Podemos perceber que essa tela traz de forma explícita o dualismo freudiano entre Pulsões de Vida e Pulsão de Morte em constante tensão e complementaridade, transparecendo a impossibilidade de se conceber uma sem a acção da outra. Vida e morte aparecem aqui como noções mutuamente opostas e complementares: diante da confusão e profusão de movimentos e cores, corpos e intenções, afectos e expressões, a morte permanece como contraponto necessário e constituinte, só, isolada, silenciosa à espreita. Se contrapondo ao burburinho da vida, uma silenciosa, mas macabra morte dela faz parte, o que podemos notar ao perceber que o manto da morte, se pudéssemos aproximá-lo do contorno da vida, com esse se encaixaria perfeitamente. Assim como na teoria freudiana, tal tensão parece percorrer toda a obra de Klimt. "terça-feira, 30 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
...dois edifícios e menos empresas...
A recente inauguração do segundo edifício do Parkurbis é uma boa notícia para a região. Afinal, a estrutura tem um forte potencial de crescimento se atendermos, sobretudo, à desejável ligação com a Universidade da Beira Interior, de onde todos os anos saem recém-licenciados com ideias de negócio. É uma boa alavanca, sem dúvida. No entanto, sem que o primeiro edifício tenha a lotação esgotada, os accionistas do Parkurbis decidiram abrir um segundo. Por esta altura, estão a sugerir às empresas a mudança para as novas instalações sem que os empresários saibam, em rigor, o que administração pretende fazer ao actual edifício: onde o restaurante fechou, o mês passado; onde o Agrupamento Complementar de Empresas brasileiras também já não está desde Fevereiro, porque as expectativas de negócio não se confirmaram; e havendo, simultaneamente, empresas que estarão de malas feitas para outras paragens. E não pelas melhores razões. O serviço de internet, essencial para as empresas, falha frequentemente e os cartões electrónicos que abrem as portas do edifício já deixaram muitos trabalhadores à porta.As instalações deixadas vagas pelas dez empresas brasileiras estão agora ocupadas pela Unidade de Gestão da Comunidade Urbana das Beiras (Comurbeiras). A ideia e a possibilidade de crescimento do Parkurbis são indiscutíveis. Disso não há dúvida, mas a estrutura não pode e nem deve ser, apenas, um ou dois edifícios bonitos, com potencial de crescimento onde os desejos que deram origem à sua criação se confundem com uma realidade ainda distante.
Francisco Cardona - diário XXI
...sem papas na língua...
P – Demitiu-se no início do mês de deputada na Assembleia Municipal da Covilhã e falou na altura em «posturas anti-democráticas» dentro do Bloco de Esquerda. O que aconteceu em concreto?R – Os motivos da minha saída devem-se às sucessivas tentativas de silenciamento por parte do dirigente de apoio local designado pela mesa nacional do Bloco, Vítor Franco. A função dele seria apoiar os elementos do núcleo da Covilhã e de outros locais, devido à falta de tempo e de disponibilidade total para determinadas tarefas, por parte dos militantes locais. Vítor Franco deveria estar disponível para contactos, para fazer a ligação entre a política nacional e local e para dar apoio nalgumas questões da Assembleia Municipal. Mas isso na região nunca aconteceu.
P – A que tipo de silenciamento alude?
R – Em relação à minha pessoa. Todas as propostas que apresentava ao nível do núcleo, ele encarava-as com reticências. Acabaram por realizar-se, e até com algum sucesso, porque o núcleo e eu própria nos impusemos e achávamos que faziam sentido. Aconteceu, por exemplo, com a vinda de alguns elementos do partido, que foram boicotadas por Vítor Franco. Tive de ser sempre eu a fazer o contacto directo com essas pessoas. Aquando das eleições para a coordenadora distrital, por alguns motivos pessoais e outros, e já por essas tentativas de boicote do meu trabalho, apesar de insistentemente convidada para integrar a estrutura, recusei.
P – Por discordar da lista?
R – Essa coordenadora não foi da iniciativa dos elementos locais, mas sugerida e imposta por Vítor Franco. Foi a eleições com elementos que nós todos desconhecíamos e eles próprios não se conheciam muito bem. Isto representou uma postura autoritária e anti-democrática. Confrontei Vítor Franco com isso e a resposta que obtive foi que estas são as regras da democracia, «o Bruno Pereira é o coordenador distrital e tu agora ficas calada e obedeces» – exactamente com estas palavras. Tinha a ideia de que o BE era um partido diferente, um partido aberto à participação e colaboração das pessoas e não era de posturas de chefia fascistas como estas. O funcionário, que agora é candidato à Câmara de Loures, tinha desconhecimento da política local, nunca se interessou e muitas das intervenções foram boicotadas.
P – Concretamente...
R – Por exemplo a questão da água, que mobilizou e lançou o BE numa luta feroz contra a privatização. Ainda há bem pouco tempo foi vista com algum desdém por parte deste funcionário. Ou a minha intervenção no caso dos sobreiros no parque de S. Miguel e até da RUDE. A postura do funcionário era sempre o medo da Câmara pôr um processo em tribunal ao partido e de assim se gastar dinheiro. Quando toda a gente sabe que essas foram intervenções pertinentes do BE. Acabei por desviar o apoio para o coordenador nacional autárquico, Pedro Soares, o que não foi bem visto por Vítor Franco.
P – Fez chegar estas questões aos órgãos nacionais?
R – Sim. Aquando da eleição da coordenadora distrital, eu, como deputada municipal, e com o acordo do núcleo da Cova da Beira, denunciei a postura autoritária e anti-democrática deste indivíduo que já está sinalizado como “controleiro” ou “olheiro” típico de alguns partidos que nós não associávamos ao BE. Foi enviada uma carta bastante exaustiva de várias situações a pedir a sua substituição. Mas a comissão política não respondeu. Isso também me levou ao desencanto por considerar – não sei se poderei fazer essa dedução – que o silêncio de uma comissão política pode denunciar cumplicidade com estas práticas. Devo acrescentar que outro aspecto que levou à minha saída foi o facto de Bruno Pereira ter vindo dizer, no dia da sua eleição, que já tinha candidatos para as Câmaras do distrito – apesar de a mim me parecer que ainda terão de colocar um anúncio no jornal – e que, no caso do Fundão, não sabia bem se iria dar uma benesse a Leal Salvado, do PS.
P – Está desiludida com o Bloco?
R – Estou. Mas não estou desiludida com o núcleo da Cova da Beira e com o bom trabalho de oposição que tem feito.
P - Ainda é militante?
R – Apresentei a minha demissão do partido por considerar que, a nível local, não tinha condições para continuar a exercer a minha militância e que, necessariamente, teria que trabalhar e avalizar essas práticas. Nesse sentido, considerei que não era a minha forma de estar na política e abandonei o partido.
extraído de "O Interior"







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