quarta-feira, 11 de agosto de 2010

...história da sexualidade... michel foucault...

Foucault denuncia, nesta obra, a relação entre a repressão sexual actual com a hipocrisia associada ao   poder, ao "prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue - poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir." Foucault constrói uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências.

domingo, 8 de agosto de 2010

...é que um gaijo fica confuso...

DOIS MILITANTES DO BLOCO DE ESQUERDA DE VIZELA LEVARAM UMA REPRIMENDA, SOB A FORMA DE ADVERTÊNCIA, DA MESA NACIONAL DESSE PARTIDOZECO QUE SE CHAMA BLOCO DE ESQUERDA POR DEVOLVEREM AS DELARAÇÕES DE CANDIDATURA A 54 CANDIDATOS QUE EXPRESSARAM A VONTADE DE DESISTIR DESTA, DEVIDO AO FACTO DE PEDRO SOARES QUERER IMPINGIR OS CANDIDATOS... A COMISSÃO DE INQUÉRITO ACHA QUE ESSAS DECLARAÇÕES JÁ PERTENCIAM AO BLOCO.CITO:
"A Comissão de Inquérito considera que as declarações de aceitação de candidaturas autárquicas não são um texto alheio ao BE. Tais documentos não são uma declaração individual e unilateral da vontade do seu subscritor, antes representam o início dum compromisso comum de intervenção política local, susceptível, como é óbvio, de cessar pela vontade duma parte. Pelo que discordamos do entendimento dos inquiridos sobre a “pertença” de tais declarações unicamente aos seus signatários."

OS ARGUIDOS ACHAM QUE PELO CONTRÁRIO:
"Pelo aderente nº 364 – José Manuel Faria foi referida, a título de declaração prévia, a sua discordância pela presença, na Comissão de Inquérito, de António Lima, de Braga e que foi candidato à Câmara e Assembleia Municipal de Braga. Sobre a matéria em apreciação, a alegada retenção de declarações de aceitação de candidatura devidamente preenchidas e assinadas, é sua opinião que tais declarações de aceitação de candidatura só são pertença do BE após entrega ao respectivo mandatário. Assim sendo, não houve qualquer retenção das referidas declarações já que estas ainda não tinham sido entregues ao mandatário da lista, logo não estavam ainda no domínio do BE."
Mais explicou que no dia 23 de Julho de 2009 tinha ocorrido uma reunião da Comissão Promotora da candidatura (que incluía aderentes do BE e 5 independentes) com o mandatário Duarte Ribeiro, Pedro Soares, coordenador nacional autárquico e Custódio Braga do secretariado da distrital de Braga, onde ficou acordada a indicação dos dez primeiros nomes à Câmara e Assembleia Municipal bem como a data de 8 de Agosto pelas 17,30 horas para apresentação das listas à imprensa. Sucedeu então que a aderente Sandra Manuela Ferreira da Silva, que constava como nº 2 na lista à Câmara Municipal de Vizela, foi surpreendida pela posição expressa pelos camaradas Custódio e Pedro Soares que defendiam que o nº 2 da lista fosse o camarada Paulo Monteiro, pelo que a Sandra Silva de imediato renunciou às suas candidaturas à Assembleia de Freguesia de Infias e à Câmara Municipal de Vizela. Como grande parte das pessoas (54) que tinham subscrito declarações de aceitação de candidatura eram suas conhecidas, também acompanharam a Sandra Silva na renúncia, até porque só tinham aceite ser candidatos devido à ligação e à confiança pessoal que depositavam na Sandra Silva.
Por isso, os 54 deram a conhecer dois dias depois, em 10 de Agosto de 2009, em conferência de imprensa, um documento (aliás mostrado à comissão de inquérito) onde manifestavam a sua renúncia às candidaturas autárquicas, tendo-lhes sido devolvidas, nessa mesma data, 10 de Agosto, as declarações de aceitação de candidatura que previamente tinham assinado e que não tinham sido ainda entregues ao mandatário das listas autárquicas. A razão para a entrega das declarações de candidatura aos respectivos subscritores, entretanto renunciantes, foi a de que tais declarações poderiam ser usadas indevidamente pelo mandatário Duarte Ribeiro."
E AGORA ALGO DE VERDADEIRAMENTE INSÓLITO, O PRÓPRIO PEDRO SOARES, NO PAPEL DE ACUSADOR, QUE TENTOU IMPINGIR OS CANDIDATOS (MAS ISSO NÃO É NADA DE NOVO PARA QUEM CONHECE COMO FUNCIONA O BLOCO) CONCORDA COM O JOSÉ MANUEL FARIA EM DECLARAÇÕES AO DN DE 10 DE AGOSTO DE 2009. ORA VEJAM: OU SERÁ QUE LI MAL?????
"A concelhia de Vizela não aceita que lhe impinjam candidatos", referiu José Manuel Faria, responsável pelo Bloco de Esquerda (BE) em Vizela.
O militante do BE e deputado na assembleia municipal faz parte das 54 pessoas que, em abaixo-assinado, divulgado hoje, resignam aos lugares que ocupavam nas listas à câmara, à assembleia municipal e a cinco das sete freguesias que compõem o concelho.
O grupo de militantes e apoiantes do Bloco acusa a distrital de Braga de "congeminar um complot no sentido de propor alterações ao ordenamento da lista à câmara".
"Houve um trabalho árduo de meses que foi posto em causa com a obrigatoriedade de colocar na lista pessoas que em nada trabalharam e em nada dignificam o Bloco de Esquerda", salientou José Manuel Faria.
Pedro Soares, coordenador nacional do Bloco de Esquerda para as autárquicas, nega qualquer "imposição" de nomes.
"Em Vizela ainda não há nenhuma lista e como não há nenhuma lista, não pode ter havido alterações", frisou.
"No Bloco de Esquerda, todas as listas têm que ser ratificadas, primeiramente, em plenário concelhio e esse plenário só está marcado para a próxima quinta-feira. Portanto, sem essa ratificação, mão pode haver qualquer lista", disse Pedro Soares.
As 54 pessoas que renunciaram à candidatura têm outro entendimento.
"A apresentação das listas estava marcada para o dia oito de Agosto e foi cancelada à ultima hora, não por não estar ratificada pela concelhia do Bloco em Vizela, mas por incluir o nome de algumas pessoas que, pelos vistos, querem ser candidatos", esclareceu José Manuel Faria.
"No BE a democracia funciona e todas as decisões têm que ser ratificadas em plenário. Até haver ratificação dos nomes, não há listas", finalizou Pedro Soares.

...toma... dezassete taças...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

...hoje passei no museu da electricidade...

A Fundação EDP associa-se às comemorações do Centenário da República com a exposição internacional POVOpeople. A pergunta, «O que é o povo?» serviu de linha orientadora a esta exposição que propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO.
Resumo: o povo é sereno; o povo é quem mais ordena; ganharás o pão com o suor do teu rosto; casas do povo; se isto não é o povo, onde é que está o povo? ; queres fiado, toma… são alguns dos slogans e dizeres que grafitam os espaços do Museu da Electricidade, nos quais se exploram arquivos de som e de imagem, obras de pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e cinema, textos literários, memórias e testemunhos populares e eruditos. Através do recurso a novas tecnologias, a exposição assume as características de uma «instalação» em permanente interactividade com o PÚBLICO – POVO. A Kameraphoto, colectivo de fotógrafos independentes, foi convidada a criar um mural dinâmico de fotografia.
POVOpeople oferece enquadramento para um projecto editorial, em parceria com a Tinta da China Edições, que se traduz no lançamento de três livros:
– Como se faz um povo Ensaios originais de investigadores portugueses acerca das práticas e representações populares, com apresentação de José Neves.
– A política dos muitos Antologia de textos teóricos de autores universais sobre os temas dos sujeitos colectivos (do POVO às «massas», entre outros).
– O que é o povo? Respondem… depoimentos de artistas, políticos, empresários, gestores, jornalistas e desportistas a propósito do conceito de POVO.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

...interditem a síntese dos contrários...

Uma exposição que apresenta trabalhos do artista português Vasco Araújo (Lisboa, 1975) e do artista venezuelano Javier Téllez (Valencia,1969). Vida, morte, drama, ópera, fado percorrem a exposição de um lado ao outro: há um excesso, há um mais que a vida em todas estas obras.
Nesta mostra são fundamentais as referências à história do cinema, e estamos perante uma dimensão psicológico-psiquiátrica que atravessa igualmente as obras dos dois artistas.
Mais que a Vida integra o programa de 2010 – Ano da Saúde Mental. No âmbito da exposição, decorre às 4ªas feiras na Sala Polivalente do CAM, com o apoio do Serviço de Saúde, o ciclo de cinema “13 x Mais que a Vida – Cinema e Mente” comissariado por João Mário Grilo.

...vai acabar tudo à chumbada...

"O Expresso, o jornal, traz à estampa umas atordoadas de mais um ministro INCOMPETENTE. Desta vez, coube as sortes à ministra da educação. Uma tal de Alçada que, tem mais prazer em escrever histórias plagiadas, pois aumenta-lhe o pecúlio na conta bancária do que ser ministra.
Que maçada, isto de ser ministra!!!
Deixem-na com o seu plano de leitura e com os «seus» livrinhos para atrasados mentais.
Já agora: quanto pagamos para o tal projecto acéfalo do LER +???
Já foi feita a avaliação do mesmo???
Quando o será??
Pois.... em frente!!!
Vem agora a tiazinha de Cascais, dizer, que maçada falar para os jornais, que os «chumbos» são para acabar!!! A tiazinha estará a fazer confusão com as datas?? É que a época da caça ainda não acabou, sabia??? E se a mariazinha quer acabar com os chumbos mande fechar as lojas da especialidade querida!!! Agora falar em chumbos isso não é de menina da linha, filha!!!
Que disparate, que disparate filha.
Fale antes dos scones e do chá da tia Zezinha!!!
A menina tem cada lembrança!!!
Toda a gente sabe, pelos vistos só a tiazinha é que não entendeu, que já ninguém reprova no ensino obrigatório.
Reprova, Não transita!!! Fica retido!!! percebeu linda!!!
Essa inteligência querida!!!Uma aulas de semiótica não lhe faziam nada mal, acompanhadas com um creme de aveia ou de baba de caracol!!!
Depois, a «rica» a institucionalizar a reprovação só está a ajudar o «tio» Sócrates a descredibilizar a escolinha pública.
Percebeu, querida!!!
Que bom a menina não ter percebido nada.
É só uma aventura, percebeu???
Um sodadinho de.....chumbo!!!
Uma aventura no país do «tio» Sócrates!!!!"
extraído de CP

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

...da igreja para o shopping center...

"É domingo, dia de missa na Igreja da cidade, e os sinos tocam para anunciar o sermão do padre ao seu rebanho servil. Soam as badaladas e vê-se uma ou outra pessoa entrar dentro desse local de culto a Cristo. Mas entramos dentro da Igreja quando o padre já se apresta para começar a sua missa e vêem-se apenas pouco mais de uma dezena de crentes. Do outro lado da cidade autocarros e automóveis transportam os crentes de uma religião cada vez mais em expansão para os seus lugares de culto. São milhares que se apressam a entrar nesses novos lugares megalómanos de oração para ouvirem a missa dos saldos. A morte de Deus anunciou a era do Capital, o novo Deus real.
A religião dos cristãos, nas suas diversas formas e dimensões, pregava acima de tudo uma salvação, a das almas que estariam condenadas a cair nas profundezas do Inferno, ao lado de outros pecadores, se não obtivessem uma salvação terrena. O sacrifício terreno era assim a única forma de obter uma pós-vida junto dos bemaventurados, daqueles que pagaram a sua pena em vida. O Reino dos Céus era assim a terra prometida, uma nova vida para além da morte para quem tivesse desprezado a vida na terra. À medida que esta religião se ia tornando decrépita muitos fanáticos foram descobrindo um novo culto, um culto que começou a ser erigido a partir do momento em que se começaram a produzir mercadorias em massa. Locais de culto foram construídos em diversos pontos do globo para converter os seus autóctones que, devido à sua grandeza e magnificência, os maravilharam. Estes locais começaram a nascer como cogumelos e os crentes nesta nova religião começaram a encontrar ali a sua salvação. Afinal não seria numa outra vida que esta seria encontrada. Um novo materialismo, alimentado por uma crença radical na ciência, cúpula intelectual desta religião em expansão, colocou completamente de parte qualquer possibilidade de uma vida para além desta.
Nada melhor então de que juntar ao materialismo crescente uma acumulação cada vez maior de mercadorias. A produção em massa vem assim satisfazer essa necessidade de acumulação supérflua, mas que cria um sorriso nas faces dos novos crentes. Nasce assim a religião do Capital com o seu novo local de culto, o Shopping Centre. Esvaziam-se as Igrejas, enchem-se esses centros de comércio.
O Reino dos Saldos não é algo de transcendental, é acessível a quem tenha um cartão de crédito. Não há a necessidad de haverem regras morais de conduta, nem restringimentos de qualquer tipo, basta um certificado de acreditação passado por uma qualquer instituição bancária para que se possa ter acesso a um imenso mar de produtos que farão o crente sentir-se satisfeito. Nesse reino terrestre, que se pode descobrir dentro dos locais de adoração ao Deus Capital, pode-se encontrar de tudo. Para os adeptos da vanidade, ou melhor dizendo da vaidade, encontram-se inúmeras lojas de roupa, sapatos, malas, cosméticos, tudo a preços bastante acessíveis para quem pode usar o cartão de crédito. Para os glutões existem inúmeras cadeias de fastfood sempre prontas a providenciar um menu completo acessível a qualquer bolso mais miserável. As calorias contidas nesses menus dariam para engordar o mais faminto dos humanos, e a um preço imbatível. É o reino da abundância. Para osmque não se suportam existem as lojas de telecomunicações, podendo assim estar sempre em contacto com outros que não se suportam, havendo assim uma alienação momentânea com vista a uma socialização que os faz esquecer o seu vazio existencial. Para adeptos da auto-lobotomia existem as lojas de videojogos e os cinemas. A mirada no ecrã, durante uma grande parcela do tempo diário, é um sucesso garantido. A actividade cerebral é reduzida ao mínimo, o tempo esvai-se, e a sensação de libertação do peso existencial vale o preço por ela paga.Existem também as agências de viagens prontas a vender uma fuga para os paraísos artificiais mais na moda. Também a cultura é vendida nestes locais de culto a um preço acessível. Nas montras expõem-se os novos best-sellers, literatura light que não obriga a uma cansativa actividade cerebral. O último grito da pop musical está também colocado nas prateleiras, a apregoar um romantismo infantil ligeiro digno de uma telenovela.
Outro produto que se vende nestes locais de culto é o tempo, o dos que nele trabalham aliado à sua mão-de-obra. Para que estes monumentos megalómanos possam existir há a necessidade de se empregar o labor dos escravos modernos que por um salário de miséria vendem o único produto pelo qual podem capitalizar, a sua força de trabalho. Ao capitalizarem essa força de trabalho também eles podem fazer o papel de crentes, gastando o seu mísero salário nos produtos à venda nos locais de culto onde se vendem. Para que tais centros de culto possam existir, para que possa haver produção em massa, explora-se meio mundo. Exploram-se recursos naturais, explora-se a vida animal, explora-se a mão-de-obra escrava. Destroem-se florestas, desertificam-se os campos e os mares, chacinam-se animais. A transformação dessa matéria bruta implica mais destruição, gases são emitidos diariamente não só nas fábricas onde são produzidas as mercadorias, mas também no transporte desses produtos através do globo. As suas implicações são catastróficas. Tudo para alimentar a necessidade sanguinária do Deus Capital, representado no globo terrestre por um grupo reduzido de corporações multinacionais com os seus afanados dirigentes à cabeça. E o rebanho continua a seguir os seus mandamentos dirigindo-se para os seus centros comerciais onde se comercializam os produtos da destruição planetária. Tal como sanguessugas, é de uma miséria humana que estes emissários do Deus Capital se alimentam, através de métodos alienantes de pressão social baseados em padrões de existência. A alienação do património de todos levou a uma construção de hierarquias com esse todo-poderoso Deus Capital no topo a ditar as suas regras e leis e seguido por uma horda de crentes que o veneram cada vez que satisfazem a sua miserável vida ao adquirirem um produto proporcionado por essa religião do Capital. A miséria humana, donde se alimentava a religião cristã, é a miséria humana donde se alimenta agora essa nova religião parasitária, que não se contentará até que consiga assimilar toda a vida neste planeta onde  existimos."
Pedro Morais, revista Húmus

...my dear mike ...you were so welcome...

terça-feira, 27 de julho de 2010

...a oposição em portugal...

"Concordando todos os anarquistas que a oposição que existe é apenas oposição política e não oposição ao sistema, é a primeira que eu vou analisar.
Tem-se verificado frequentemente uma certa concordância entre oposição e governo no que toca a algumas matérias, a isto se tem chamado bastas vezes de pacto de regime. Ora mesmo nós assistindo às acaloradas discussões parlamentares e arengas, essas são muitas vezes mais um engano do que a verdade em torno do que se julga ser prática oposicionista.
Os partidos praticam apenas oposição de circunstância e meramente procurando a reforma social das instituições, pretendendo conseguir a melhora de vida das populações, o que conseguem é reformar um Estado irreformável, e o que se vem a verificar é a continuação da prática das desigualdades e ignomínias que são o corrente da organização estatal.
Ora não se vê nem dos ditos partidos supostamente progressistas e de esquerda uma prática de luta social, manifestações e/ou outras práticas que visem aumentar o conflito social que se impõe numa sociedade onde imperam cada vez mais os despedimentos, o baixo nível de vida, a precariedade laboral e o desemprego, bastas razões para aumentar a luta directa dos trabalhadores ao invés de continuarmos a aturar vezes sem conta a inútil arenga parlamentar. Com isto não quero dizer que existe alguma razão para conservar a existência inútil dos partidos, mas tão só dizer que só a luta social e a acção directa interessam e são a verdadeira forma de oposição: a popular.
Só a acção na rua e o seu aumento, bemmcomo o recrudescer e fomentar de acções de luta extra parlamentar (pois só estas lutas interessam), só elas preenchem os verdadeiros interesses da classe trabalhadora que hoje é explorada de forma tão ignóbil como nos tempos idos do século dezanove, mas com novas e avançadas técnicas de exploração.
Cabe-nos a nós anarquistas e outros grupos autónomos executar formas de oposição directa ao regime actual e às suas causas de desigualdade social, de forma a melhorar as condições de vida destas. Devemos procurar entendermo-nos com grupos autónomos e não políticos que visem como nós uma efectiva oposição ao actual e eterno estado de coisas. Busquemos mais e novas formas de protesto e acção contra a situação social actual e o Estado, pois de “oposição” no parlamento estamos nós fartos!"
extraído de revista "Húmus" aqui

segunda-feira, 26 de julho de 2010

...michel onfray...

...mãos em riste...

...numa sessão da assembleia municipal da covilhã, farta daquela barrigada de patetices e imbecilidades, no final de uma intervenção minha e após uma chamada de atenção do presidente da mesa, saiu-me, entre dentes, inaudível naquela sala,  algo que não consegui de forma alguma controlar, um "VÁ-SE FODER!", fiquei depois a imaginar o que aconteceria se, num momento de fúria descontrolada, desactivados quaisquer mecanismos de auto-censura,  manifestasse em alta voz o que a alma reclamava  "VÁ-SE FODER...!"
...a este propósito transcrevo um texto de Guadapupe Subtil, extraído da revista Utopia, com o qual não poderia estar mais de acordo...
"Mãos em riste? Mãos em chifre? Mãos indicativas e indicadoras? Ah! Ah! Ah! Este sim foi o espectáculo mais humano e nada degradante nem alienante. Fez-nos ser solidários com o homem/menino, neste caso ministro da economia. Quem não reage naturalmente assim numa conversa com outrem, numa discussão mais acesa, numa brincadeira incondicional? Onde e porque têm de ser controladas as emoções? Onde está o “pecado”? O que acontece quando nos deixamos ir pelas emoções? Quando reagimos humanamente? Aí, aparecem as vozes punidoras que sem quê nem porquê varrem o mal pela raiz. Saí de ao pé de nós! Nós somos muito racionais, portamo-nos bem, jamais teríamos uma reacção tão infantil num caso destes! E ele teve de sair da governação, pese embora terem existido antes muitos mais motivos que o poderiam ter afastado. Neste espectáculo o que nos agrada é revermo-nos no gesto saído, bem elucidativo e bem captado. Quem de nós não poria as mãos em riste, em chifre de outras formas acabadas em “…iste”para todos os que dizem governar-nos? Não seria bom podermos rir e responder gestual e verbalmente a todos estes “palhaços” públicos que dizem representar-nos? Que mais gestos imaginamos poder fazer-lhes publicamente? Não é um prazer o que retiramos destes gestos que imaginamos realizar? Mais e mais destes espectáculos desejam-se. Estes são salutares, não mórbidos nem alienantes, por serem bem mais naturais e humanos. Emoções são precisas. O controlo de emoções leva aos espectáculos quotidianos que assistimos, leva tantos e tantos seres infelizes a desconhecerem a sua infelicidade."

terça-feira, 20 de julho de 2010

...ensaio sobre a intoxicação voluntária de peter sloterdijk...


Foi Nietzsche quem inventou a fórmula do filósofo como médico da cultura. Assim, hoje, quando alguém exprime uma opinião sobre o tempo presente evolui necessariamente num terreno que Nietzsche explorou. Para se poder formular um diagnóstico sobre uma época é necessário ser intoxicado por ela.
O pensamento filosófico não é uma pura reflexão nem a expressão de qualquer sabedoria: trata-se principalmente duma febre reagindo à inoculação duma espécie de curare. Se a filosofia é uma intoxicação voluntária, ela é o fermento dum veneno graças ao qual – por uma lenta alquimia – o espírito consegue recuperar uma parte da sua liberdade.

sábado, 17 de julho de 2010

...um chá no deserto...



Port Moresby (John Malkovich) e a sua mulher Kit (Debra Winger) chegam de barco a vapor ao Norte de Africa, em 1947. Casados há dez anos, são incapazes de viver juntos apesar do amor que sentem um pelo outro, e vieram para o deserto Africano a procura de harmonia e inspiração. Subtilmente surge nesta viagem um sentimento de desespero e perda. A fascinante paisagem, filmada pelo aclamado Bernardo Bertolucci, serve de cenário as tentativas de ambos realizam para se aproximarem, com um crescente isolamento emocional. As incursoes pelo deserto, repletas de desvaneios sexuais, não resultam em alívio e harmonia, preconizando uma destruição trágica dos laços que unem ambos. Um jovem milionário chamado George Tunner (Campbell Scott) junta-se ao casal Moresby em Marrocos, fascinado pelas suas atitudes liberais e pouco convencionais, sentindo-se ao mesmo tempo atraído por Kit. Ambos tem um pequeno caso, ao mesmo tempo que Port e seduzido por uma bonita prostituta Arabe. Mas nenhuma destas liagações dá novo folego à relação, e Port e Kit decidem seguir caminhos diferentes. George fica para trás e concorda em encontrar-se com eles em Tanger, daí a uns meses. No entanto, nem Port nem Kit aparecem conforme combinado. Longe dali, Port, desfalece num asilo de loucos, enquanto Kit, consumida pelo amor que lhe tem, permanece a seu lado. Depois de sua morte, ela vagueia através do deserto, imbuída de desgosto e de alucinações mórbidas. Salva por um bando de nómadas, ela inicia uma intensa relação com o chefe do grupo, mas é encontrada quase morta por um elemento da Cruz Vermelha, e levada para o hotel em Tânger, onde George ainda se encontra. Mas passado pouco tempo, Kit desaparece de novo rumo ao deserto Africano.

sábado, 10 de julho de 2010

...o medo... antónio lobo antunes/visão 1 de julho

Radioterapia, medicamentos, misérias, visitas das duas às três nos dias úteis, das duas às cinco aos fins de semana, algálias, dores
Mostrou-me a análise à próstata no café
Um bocado alta não está?
Um bocado alta, de facto, e a gente os dois a olharmos o papel como se pelo facto de o olharmos muito tempo os números baixassem: não baixavam. Mantinham-se inamovíveis, a encarnado. Acabou por dobrar o papel e guardá-lo:
- O meu médico marcou-me consulta para o especialista
e silêncio. Sentou-se à minha mesa sem pedir licença, a olhar-me ­
- Acha que é grave
e não respondi porque não queria resposta. Queria alguém à frente dele, apenas. Tirou os cigarros do bolso, voltou a metê-los.
- ­Não se pode fumar em parte nenhuma, sorte malvada.
Lá fora, do outro lado da vitrina, o quiosque dos jornais e revistas. Numa delas um casal abraçado: Mécia e Raul, separação no horizonte? E frio, e chuva. Não calha bem adoecer em fevereiro. Faltava-lhe um botão num dos punhos da camisa, a barba mal feita no queixo:
- Desde que recebi a análise nem durmo
e na mesa vizinha um par de senhoras gordas, cheias de anéis, a cochicharem.Entre ambas a revista do quiosque, aberta nos desenvolvimentos da possível separação da Mécia e do Raul. De esguelha, em letras gordas sobre uma fotografia: Mécia: Tudo tem a sua duração; Raul incontactável. Comentou ­
- Isto da próstata é uma gaita e em letras gordas, sobre outra fotografia: Um amigo de Raul: Em devido tempo ele dirá de sua justiça. Não, mais completo: Um amigo de Raul, que solicitou anonimato: Em devido tempo ele dirá de sua justiça. Percebia-se que as senhoras esmiuçavam o assunto, uma delas mencionou uma actriz que a senhora afirmava ter má índole:
- ­Não suporta que os outros sejam felizes, aquela, fez o mesmo à Patrícia, dona Esperança, lembra-se?
A dona Esperança lembrava-se
- E à Carla, já agora
enquanto o da análise
- Vai na volta tenho um cancro, amigo tentei um gesto de
- Hoje em dia essas coisas
que não me saiu bem, saiu mais do tipo
- Ninguém cá fica para semente, não é?
de maneira que emendei
- A maior parte das vezes são falsos alarmes
os cigarros saíram de novo e voltaram ao bolso ­
- E se não forem?
e a barba mal feita pareceu aumentar. No outro punho havia botão, e haver o botão, não sei porquê, alegrou-me:
talvez tenha interpretado como sendo um bom sinal em relação ao cancro.
A amiga da dona Esperança, assanhada com a actriz ­
- O sarilho que ela arranjou à Débora na época do futebolista, já pensou?
A dona Esperança já tinha pensado:
- Uma galdéria
definiu ela
- Uma galdéria e tanto
mas havia o botão, felizmente. Por pouco não o aconselhei a agarrar-se ao botão. A amiga da dona Esperança gostava tanto da actriz que se ela caísse ao Tejo lhe atirava uma palhinha para ajudá-la a não se afogar. Em lugar do conselho de se agarrar ao botão afirmei com autoridade ­
- O que mais há por aí são falsos alarmes
de cabeça a desviar-se para a Célia, coitada, que usava um decote tão profundo como uma ravina: uma rapariga de bem, notava-se logo nos olhinhos ferozes, uma vítima. Ganas de interrogar a dona Esperança
- Quem é a Célia, afinal?
com uma parte do meu corpo a tentar apreciá-la em detalhe. Aí, infelizmente, a amiga da dona Esperança impediu-me os propósitos ­
- Embora no caso do futebolista o rapaz tenha culpas no cartório
e a impressão que a análise aumentava no interior do casaco, a latejar:
- Vai-me nascer um neto para o mês que vem, já reparou na coincidência?
e quem seria a Célia, meu Deus? E a Patrícia? E uma Raquel que surgia agora na conversa ­
- Ao menos a Raquel é o filho do ministro e pronto
O neto que nascia para o mês que vem obcecava-o: a filha empurrava a barriga a custo, de pernas inchadas:
- Se der para o torto mal vou conhecê-lo
radioterapia, medicamentos, misérias, visitas das duas às três nos dias úteis, das duas às cinco aos fins de semana, algálias, dores, o da cama à esquerda a pifar do esófago suplicando ­
- Olha-me os meninos, Laurinda
e o decote da Célia a inquietar-me. Abaixo do decote umas calças tão justas que só podia despi-las à tesourada. Estava capaz do sacrifício de ser eu a pegar na tesoura.
-O primeiro neto, compreende?
Compreender compreendia, mesmo de tesoura nas unhas. Não te esqueças de comprar a revista ao saíres daqui porque há-de haver mais fotografias de certeza. Há-de ou hão-de? Não interessa desde que as fotografias lá estejam, de qualquer maneira a quarta classe já cá canta. Em relação ao cancro lembrei-me do treinador do meu clube ­
- Há que levantar a cabeça e pensar no jogo do próximo domingo
e limitei-me à primeira parte da frase. Este treinador é bom, pelo menos pôs aquela cambada a correr:
- Há que levantar a cabeça
garanti para microfones invisíveis, e acrescentei
(não daria grande treinador eu, comigo a cambada amolecia logo) ­
E ter pensamento positivo. Esta do pensamento positivo era do primeiro-ministro:
- Pensamento positivo, senhores deputados, pensamento positivo
mas ninguém, mesmo do partido do governo, aplaudiu. Acrescentei em desespero ­
- Vamos aguardar com calma pelo especialista
enquanto a Célia, sem calças, jurava ­
- Tudo tem a sua duração
de maneira que o melhor era não perder muito tempo antes que a duração acabasse.

...paul... o oráculo...


O polvo Paul escolheu o mexilhão na caixa com a bandeira de Espanha e ignorou a da Holanda, em directo e a cores na televisão. E então? Então parece que quer dizer que o polvo acha que a Espanha vai ganhar o Mundial 2010.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

...música, vuvuzelas e poder local...

"Ontem assisti a algo que achava altamente improvável que acontecesse, tantos anos depois do 25 de Abril. E por ter acontecido aqui fica patente a minha indignação.
Por considerar ter sido uma excelente ideia fui ontem assistir ao concerto de música erudita que a Fundação Trepadeira Azul promoveu na Quinta de Sto. António, freguesia de Aldeia Viçosa, no fantástico Vale do Mondego. Poder ouvir boa música naquele enquadramento tão belo era um raro privilégio e eu não podia perder essa oportunidade. Mal eu sabia que a noite acabaria estragada.
De repente, ao portão da quinta e de acesso ao concerto, o presidente da junta da Aldeia Viçosa (Baltasar Lopes) vociferava. Aos berros e num ambiente de grande agressividade declarava que "só por cima do seu cadáver" ali se faria o concerto. E explicou o plano: ele e os acompanhantes tocariam "bobozelas" durante o concerto, de forma a impedir que ele se realizasse. O homem insultava o promotor do concerto (por questões estranhas à iniciativa) e os assistentes ("bananas" foi o mais meigo que lhes chamou) e vinha com um propósito declarado: impedir que os assistentes ouvissem o concerto. Impediria, com os seus gritos e com as tais "bobozelas", que os espectadores tivessem acesso ao concerto. A cena era inacreditável: Baltasar aos berros e a soprar na "bobozela" num ambiente caceteiro e arruaceiro. Os argumentos (?) que levaram Batasar a ter aquela iniciativa de boicote a uma iniciativa devidamente autorizada são do domínio judicial e, portanto, não chamados para ali (Mário Martins tem ganho as acções que interpõe, e isso há-de significar alguma coisa). Assim, Baltasar, no fundo, protestou aos berros contra decisões judiciais... boicotando activamente um ... concerto de música erudita. Ninguém se lembraria disso mas... este presidente da junta lembrou-se!!! Ele e o grupo criaram uma situação de ameaça, de insultos, de pressão psicológica insustentável. Quem chegava deparava com aquela cena. O medo pairava no ar. A intimidação era tal que os espectadores se sentiram ameaçados com a atitude do presidente da junta Como é possível que um autarca boicote (assumidamente) uma iniciativa que promove a sua terra? Quem se revê no se comportamento de intimidação e de força?
O concerto não podia começar e então chamou-se a GNR, que prontamente explicou ao autarca o absurdo da situação. Espectadores mais afoitos tentaram que Baltasar percebesse o desequilíbrio da cena, mas ele não queria ouvir ninguém. Há uma centena de testemunhas do seu comportamento (uma vereadora da Câmara, um deputado municipal e gente de todo o país, que não queria acreditar no que estava a acontecer). O homem não se acalmou com a GNR: afirmou que continuaria a tocar "bobozela" pois ninguém o poderia prender por comemorar a vitória da... Argentina. Dito isto, a GNR (que parecia conhecê-lo) percebeu que tipo de pessoa estava a enfrentar. Baltasar declarou ainda que pagava as multas que fossem precisas (só pode haver ruído até às 22 horas). A GNR não o deteve apesar da atitude de desafio à autoridade.
Decidiu-se e bem que o concerto começaria. E o que aconteceu é inimaginável: apesar da presença da GNR o som das "bobozelas" sobrepunha-se aos temas de rara beleza. Com requintes de malvadez: as "bobozelas" espalharam-se à volta da quinta, como se cercassem aquela iniciativa artística e... nos cercassem ( a nós que fomos ouvir... um concerto). Só no tema final se calaram as cornetas. Finalmente.
Eu sei que este assunto é um caso de polícia mas é também um caso de política. Que dirá o presidente da Câmara, que autorizou o concerto? Baltasar não se cansou de dizer que " a culpa era da Câmara que apoia isto. Que fará a Câmara depois desta cena? E o senhor Governador (garante da "ordem") que dirá, ele que é um democrata? Calar-se-ão todos? Como se calaram, ontem, os moradores de Aldeia Viçosa, envergonhados pelo facto de um representante do poder local proceder de uma forma que... nos envergonha a todos? " extraído de www.cafe-mondego.blogspot.com

...O ceramista SÉRGIO AMARAL... primeiro prémio de artesanato contemporâneo 2010...na FIA...

...APELO DA QUERCUS...Ministério do Ambiente prepara-se para viabilizar morte de centenas de aves protegidas em Elvas...

O Ministério do Ambiente prepara-se para nos próximos dias viabilizar a demolição de uma estrutura onde nidifica umas das maiores colónias de Andorinhão-preto do sul do país e levar à morte de cerca de quinhentas de crias desta espécie.
Obra ilegal do Exército, com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, começou no final de Maio.
Através de diversas denúncias, a Quercus tomou conhecimento no final de Maio que uma obra avançava na antiga Igreja de S. Paulo, numa muralha onde nidificam cerca de 300 casais de Andorinhão-preto (Apus apus). Mesmo após ter sido alertado para a presença da colónia de aves, o empreiteiro decidiu iniciar a demolição da parede, destruindo já na altura dezenas de ninhos, pelo que a Quercus se viu forçada a denunciar o ocorrido ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR (SEPNA).
Na sequência desta denúncia, veio a verificar-se que o dono da obra (Exército Português – Ministério da Defesa) com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, levavam efectivamente a cabo uma intervenção ilegal, na medida em que não possuíam a necessária licença para a remoção/destruição dos ninhos, conforme a legislação determina.
Indisponibilidade para estudar alternativas – segurança pública não é justificação
Ao longo das últimas semanas têm existido bastantes movimentações no sentido de se encontrar uma solução para esta questão. No entanto, e apesar de estarem envolvidas três instituições do Estado, a quem cabe cumprir a legislação e não “contorná-la”, fomos confrontados com uma iminente decisão política do Secretário de Estado do Ambiente que pode vir a determinar que o ICNB autorize a destruição desta colónia de aves.
Por outro lado, e apesar das nossas tentativas de ao longo destas semanas propor às entidades envolvidas, alternativas e medidas simples que garantissem a tranquilidade no local e não pusessem em risco a segurança pública, garantindo por outro lado o final da época de reprodução da espécie, estas entidades não se mostraram disponíveis para estudar outras opções que não passassem pela demolição imediata dos locais de nidificação.
Estado cria a legislação mas não a cumpre – morte de cerca de 500 aves em perspectiva
O Andorinhão-preto é uma espécie migradora e protegida pela legislação em vigor, nomeadamente pela Directiva Aves, transposta para o sistema jurídico nacional pelo Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril, com redacção dada pelo Decreto-Lei nº 49/2005 de 24 de Fevereiro. Esta espécie está também protegida pela convenção de Berna (ratificada pelo Decreto nº 95/81 de 23 de Julho e regulamentada pelo Decreto-Lei nº 316/89 de 22 de Setembro) onde integra o Anexo III.
A Quercus considera inadmissível e ilegal que o Estado possa avançar com a destruição imediata da estrutura em causa, levando à morte directa por esmagamento e/ou asfixia de centenas de crias e indirectamente, por perturbação nas rotinas de alimentação, de outras tantas centenas, pelo que não hesitará em recorrer às instituições competentes no sentido de serem apuradas responsabilidades, caso se venha a avançar para esta solução.
Dado que bastaria esperar mais 4 semanas para que as crias abandonassem os ninhos, e então se pudesse dar continuidade à obra, a Quercus considera também lamentável que em pleno Ano Internacional da Biodiversidade, o Estado equacione não defender as espécies silvestres que é suposto proteger, optando ao invés por permitir jogos políticos pouco transparentes, em função de interesses imobiliários e particulares. Espera, contudo, que o bom senso e a legalidade prevaleçam e que as diversas entidades envolvidas no processo consigam encontrar uma solução que vá ao encontro das suas responsabilidades e da consciência ambiental que o país necessita.
Lisboa, 29 de Junho de 2010
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
A Direcção do Núcleo Regional de Portalegre da Quercus
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Dada a urgência da situação e a necessidade de fazer sentir a nossa opinião, de modo a que tal atentado ambiental não ocorra, propomos que enviem este comunicado ao maior número de pessoas, com um pedido para ser publicado em todos os blogs e páginas do Facebook. É importante que a nossa opinião chegue aos decisores políticos, pelo que propomos que escrevam ao Ministério da Defesa, Ministério do Ambiente e Câmara Municipal de Elvas mostrando-lhes a vossa indignação e pedindo-lhes que esperem 4 semanas para começar a obra e deste modo evitar a morte de centenas de aves no local.
Saudações Ambientalistas,
QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Núcleo Regional de Portalegre
Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE, Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80

quarta-feira, 7 de julho de 2010

...paul... o polvo

...o país que não muda... assim tanto...

Chegou o tempo da merda,
e Portugal se rebola
dando o cu em farsa lerda,
num gozo de mata e esfola.


Os néo-néo-marxistas,
advogados e banqueiros,
debicam suas alpistas
de putas e paneleiros.


Coxos, vesgos, e de Castro
desde  «A Selva» em cu de mula,
passarão sem deixar rasto
da finança que os açula


Os génios micro-poetas
com solares à beira-povo
hão-de morrer das punhetas
que lhes faz estilo novo.


Estruturas de Paris,
é cintas de invertebrados,
por mais porras que exibis
tereis filhos já capados


Chegou o tempo da merda,
e Portugal se rebola
dando o cu em farsa lerda,
num gozo de mata e esfola.
Jorge de Sena

...hoje acordei assim...

terça-feira, 6 de julho de 2010

...dedicácias...

...escolhi um delicioso poema desta obra magnífica de Jorge de Sena, que pela sua actualidade e oportunidade dedico a todas os "padrinhos", "coordenadores", "assessores" e "funcionários"do Bloco de Esquerda:)...(os que se acotovelam nas suas ambições medíocres, que Sena chama de um outro nome)

"Dizem alguns literários
(accionistas da própria propaganda)
que «o Sena não se vende». E é verdade:
Não vende. Só as putas se vendem.
e em Portugal são tantas que não há
bolsas bastantes para comprá-las,
nem caralhos bastantes
para fodê-las como mereciam."

...reading ricoeur...colóquio internacional...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

...eu vou... desta vez "vestida a rigor"... prometo...

Os Waterboys vão fechar o cartaz do Festival Alentejo - Évora 2010, que vai decorrer naquela cidade alentejana de 30 de julho a 01 de agosto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

...abaixo-assinado contra as portagens na A23 e A25

Contrariando o seu próprio programa, o Governo já anunciou a sua intenção de introduzir portagens nas auto-estradas A25, A23 e A24 [declarações do Secretário de Estado das Obras Públicas, 14/6/2010].
A introdução de portagens nestas vias de comunicação é profundamente prejudicial e injusta para a economia e as populações, nomeadamente dos distritos da Guarda, Viseu, Aveiro e Castelo Branco.
Hoje, não existem alternativas a estas vias rodoviárias estruturantes uma vez que a EN16, a EN 2, EN 18 e EN17 se encontram num permanente estado de degradação, nalguns casos já não existem ou são apenas ruas de diversas localidades e são manifestamente desadequadas como vias inter-regionais.
O traçado muito sinuoso e com declives acentuados destas auto-estradas acrescenta razões às posições de todos os que defendem que não é justo taxar com portagens vias que ficam muito distantes da qualidade de outras.
Estas auto-estradas, nomeadamente a A25, são das principais vias de escoamento terrestre de produtos e mercadorias produzidas no país, particularmente no distrito de Aveiro e em diversas áreas dos distritos de Viseu, Guarda e Castelo Branco. O pagamento de portagens provocaria um aumento do custo de vida, criaria mais dificuldades às empresas e agravaria a situação económica e social desta vasta região [segundo valores médios anunciados pelo Governo, para veículos ligeiros classe 1: Aveiro – Vilar Formoso, 16.00 € ; Guarda – C.Branco, 7.70 €; Viseu - Chaves, 12.80 €].
Por outro lado, o pagamento de portagens na A25, A23 e A24 seria uma medida que em nada contribuiria para combater a interioridade e a desertificação que afectam estes distritos do interior do país.
A adopção de tal medida significaria que estes distritos continuariam a ser sacrificados e o seu desenvolvimento adiado.
Assim, os cidadãos e entidades abaixo-assinados exigem que o Governo altere a decisão de introduzir portagens nas auto-estradas A25, A23 e A24. De igual modo, no exercício de direitos legalmente consagrados, solicitam à Assembleia da República que decida discutir esta matéria, recomendando ao Governo que corrija a orientação que assumiu neste domínio.