terça-feira, 12 de janeiro de 2010

...ágora... mas que porcaria de filme... tão mau...

... blogosfera...


"Estou-me um bocado nas tintas que o Berlusconi contrate putas caras para fazer orgias nas suas vivendas de luxo, estou-me nas tintas que seja um burgesso ordinário, que coma os macacos que tira do seu próprio nariz, que seja um porco. Preocupa-me ver como é possível a um mafioso, um corrupto, um bandido, ser dono da comunicação social de um país e fazer-se eleger para alterar as leis de forma a fugir à justiça. Pergunto-me, como pode um povo eleger tal personagem, mas vendo a situação por cá, as alternativas nunca são credíveis e ainda é a propaganda quem faz a opinião. Mas, o mais grave é vermos o renascimento de ideias que julgávamos banidas da Europa depois do fim do IIIº Reich. A forma como um governo íncita ao racismo, à discriminação, à violação de direitos e até à violência bruta contra pessoas, algumas boas outras más, só porque são de uma outra raça ou país. Esta Europa que se diz democrática, livre, humanista e de elevados padrões civilizacionais, que cria leis e regras para tudo, do tamanho dos preservativos à colher de pau, nada diga e não imponha o fim desta vergonha. Pior, que se sentem à mesa com tão nojenta personagem." aqui

... a bordo do hindenburg...


"O LZ 129 “Hindenburg” que foi projetado para ser um transatlântico de luxo, começou a ser construído em 1931 e foi finalizado em 1936. As suas dimensões eram colossais e até hoje é considerado o maior objecto voador fabricado pelo homem. Tinha 245 m de comprimento e era impulsionado por quatro motores diesel Daimler- Benz de 1.100 hp cada. Alcançava a velocidade de 135 km/h e tinha uma autonomia de 14.000 km. Elevava-se no ar graças a 200.000 m3 de hidrogênio ou 18 toneladas. Podia transportar 50 passageiros, tinha cabines, um bar, sala de jantar, lugar para caminhar, assim como grandes janelas panorâmicas e sala de estar.Também possuía, por incrível que pareça, uma cabine para fumantes, que eram vigiados por um membro da tripulação sob constante tensão.
Voou em uma rota regular entre a Alemanha e os Estados Unidos pela companhia alemã DELAG e transportou em 1936 mais de 1.000 passageiros em 10 viagens sobre o Oceano Atlântico. Gastava 65 horas para fazer o percurso EUA- Alemanha e 52 horas no sentido Alemanha-EUA. A sua mais longa viagem foi de Frankfurt, Alemanha, para o Rio de Janeiro entre 21 e 25 de outubro de 1936 viajando 11.278 km. A viagem mais rápida foi de Lakehurst, EUA, para Frankfurt entre 10 e 11 de agosto de 1936, com velocidade média de 157 km/h.
Na noite chuvosa de 6 de maio de 1937, quando o dirigível se aproximava do solo em Lakehurst, Nova York, iniciou-se um incêndio na aeronave, transformando-se rapidamente  numa imensa bola de fogo no céu de Nova York . Dos 97 passageiros a bordo, 35 morreram. Uma pessoa que auxiliava a atracação da aeronave no solo também morreu. Das que morreram, 27 saltaram do dirigível em chamas e 8 ficaram queimadas pelo óleo diesel proveniente dos tanques do dirigível."

... o lume vivo que a marítima gente tem por santo...


"Nos tempos das Descobertas, os marinheiros portugueses e espanhóis, tomariam como protector outro santo da Igreja Católica, um frade dominicano de nome Pero Gonçalves. Nascido na vila de Fromista, Castela-a-Velha, falecido e sepultado cerca de 1246 em Tui, nessa época sob jurisdição portuguesa, Pero Gonçalves teria repetido no rio Minho o milagre dos peixes e tornar-se-ia também protector dos navegantes. Com os anos, as lendas fundiram-se, e o nome «Telmo» foi-lhe justaposto. Nos fins do século XVI falava-se em Pero Gonçalves Telmo, como se sempre tivesse sido esse o seu nome.
As referências literárias e populares são muitas e inequívocas, tais como o são muitos relatos de viagens posteriores, incluindo o do célebre périplo de Darwin: em momentos de tempestade, os marinheiros viam muitas vezes no topo dos mastros uma luminosidade feérica, frequentemente bifurcada, a que se seguia muitas vezes o amainar da tempestade.
Os relatos referem-se a um fenómeno verdadeiro, hoje chamado fogo-de-santelmo ou, na terminologia científica, coroa ou descarga de ponta. Por vezes, uma luminosidade semelhante aparece em terra, nos topos de edifícios, ou mesmo nos cornos de animais ou nos cumes das montanhas. Foram as experiências de Benjamin Franklin (1706–1790) com os seus papagaios de papel lançados no meio das tempestades e com os pára-raios que começaram a lançar luz sobre a natureza eléctrica do fenómeno, mas foi preciso esperar pelo século XX e a mecânica quântica para se perceber exactamente a natureza do fogo-de-santelmo.
Normalmente, a atmosfera está carregada com um campo eléctrico de cerca de um volt por centímetro. Quando a atmosfera está tempestuosa, esse campo aumenta para cerca de cinco volts por centímetro e, mesmo antes de um relâmpago, atinge 10 mil volts por centímetro. Nessa altura, o potencial é suficiente para vencer a resistência do ar e produz-se uma descarga, sob a forma de relâmpago. Em algumas situações, nomeadamente no fim de uma tempestade, o potencial mantém-se em níveis intermédios e observa-se uma luminosidade nos topos salientes.
Se um objecto de 10 metros, por exemplo um mastro de um navio, fosse um condutor perfeito, manteria no topo o mesmo potencial que na base, pois estaria ligado à terra, como se diz. Com um decréscimo de potencial atmosférico de cinco volts por centímetro, o topo desse mastro atingiria um potencial 5000 volts mais elevado que o do ar circundante. Na realidade, o mastro não é um condutor perfeito, mas molhado pela água da tempestade e salgado pelas ondas é um condutor muito melhor do que a atmosfera. A diferença de potencial pode atingir, por exemplo, 1000 volts. Nessa altura, as moléculas do ar que rodeiam o topo do mastro soltam os seus electrões, são ionizadas, como se diz. As colisões entre as partículas tornam-se mais frequentes e os electrões, ao saltarem de uma camada para outra de mais baixo potencial, libertam energia sob forma de fotões. Produz-se uma luminosidade branca e azulada. É o «lume vivo que a marítima gente tem por santo». Nuno Crato

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

...road 66...


Route 66 is one of the essential icons of America, both for Americans and for people abroad. It represents a multitude of ideas: freedom, migration West, and the loneliness of the American heartland.
The highway was first opened in 1928, although much of the route was not paved for decades afterwards. It soon captured America's imagination. John Steinbeck, in his 1940 novel Grapes of Wrath, chronicled the migration along Route 66 of thousands of farmers leaving the Dust Bowl of Kansas and Oklahoma during the Great Depression, trying to reach a better land in California. Steinbeck posited the road as an almost hostile force, draining money, energy, and enthusiasm from the optimistic Okies.
Later representations of the road were a little more upbeat. Probably most famous is musician Bobby Troup's eponymous tribute song, which enjoined listeners to "get their kicks on Route 66". A TV show in the 1960s, also called "Route 66", featured two young men exploring America's highways. Although Jack Kerouac only mentions 66 briefly in his book On the Road, it acquired something of the aura of Beatnik cross-country driving.
In the 1980s, the aging highway was decommissioned. Much of its stretch had been overlaid or routed around by broader, newer interstate highways. But the embedded idea of Route 66 refuses to die – as demonstrated by the 2006 Disney/Pixar movie Cars – and thousands of kicks-seekers continue to follow the remnants of the road from Chicago to Los Angeles to this day.

...that’s why america remains the home of the road-trip….

domingo, 10 de janeiro de 2010

...david reed...



...o choque espontâneo...


A este propósito adivinho qual seria a reacção do meu pai, se ainda estivesse por aqui: "Querem chocar? venham todos para cá cavar uma vinha o dia inteiro, de enchada nas mãos, e  até podem vir só de cuecas"!!! Isso sim seria verdadeiramente chocante:) :) :)
Lisboa, dois graus centígrados, o Norte do país coberto de branco, a população a tremelicar de frio. Mas na cabeça de 30 e tal jovens ocorre a ideia de despir as calças e andar de metro em cuecas perante o pasmo da plebe.
A concentração deu-se ao início da tarde de ontem, num jardim de Telheiras. Apareceram cerca de três dezenas de jovens na casa dos 20 anos e jornalistas curiosos para ver no que aquilo dava.
"Há dias que pela blogosfera o grupo ImprovLisboa divulgava a acção "No Pants!", uma iniciativa que todos os anos decorre em várias cidades do planeta. Em que raio consiste isso? Muito simples: uma trupe de malta invade o metro e, uma vez dentro da carruagens, despe as calças para prosseguir o resto da viagem em cuecas e boxer shorts. E a que propósito?
Ninguém sabe muito bem - mas, pelos vistos, pretende-se tão pura e somente agitar a pasmaceira e a rotina e semear a incredulidade na população que assiste. "

... um jantar muito original seguido de a porta...

       "  Pois as ideias normais dos homens diferem das dos loucos quer em natureza quer apenas em grau. se diferem em natureza, como podemos dizer que são anormais? Por experiência podemos condená-los?Além disso como podemos ter a certeza de que elas não são a primeira manifestação de uma forma de vida intelectual? (...) Então não digais que é louco alguém que estremeça diante de um prego, alguém que trema perante um sapato, alguém que tenha horror a espaços vazios."

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

...autorizado o casamento gay...



A aprovação da proposta de lei do Governo que torna legal o casamento entre homossexuais não teve destaque apenas em Portugal. Sites noticiosos de vários órgãos de informação estrangeiros deram destaque ao tema, de forma especial na Europa.

Em Espanha, os principais jornais destacaram o tema. «Sócrates qualifica a reforma de "momento histórico" no "combate contra a discriminação e a injustiça"», lê-se no «El País», que realça que a nova lei não contemplará a adopção.
O «El Mundo» também assinala este último dado. «Os casais de pessoas do mesmo sexo não poderão adoptar numa medida qualificada como "histórica" pelo Governo»
A palavra «histórica» é também utilizada pelo «ABC» no destaque dado a esta decisão do Parlamento e na forma como foi descrita por José Sócrates.
No Reino Unido, a BBC destaca a notícia entre as principias do dia: «Parlamento de Portugal passa uma lei para legalizar casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas rejeita propostas para permitir que casais homossexuais adoptem».
O «The Guardian» também noticia o tema, mas de forma mais discreta, assinalando que tornará «o país, predominantemente católico, o sexto da Europa a permitir o casamento gay».
Em França, o «Le Monde» também incluiu o assunto num dos destaques da primeira página do site. «Portugal autoriza o casamento homossexual, mas não a adopção».
Mais discreto é o destaque no «Le Figaro», que assinala que «para ser definitivamente adoptado, o projecto de lei do governo socialista deverá passar pelas mãos do chefe de Estado, o conservador Aníbal Cavaco Silva, que dispõe do direito de veto».
O italiano «La Repubblica» também pega no assunto. «Sim de Portugal ao casamento gay», escreve, realçando também que se trata do «sexto país europeu a adoptar esta medida, que ainda deverá ser promulgada por Cavaco Silva e que não autoriza a adopção».
Do outro lado do atlântico, o norte-americano «New York Times» realçou a notícia em grande destaque na primeira página, com direito a fotografia. «O Parlamento português passou uma lei permitindo o casamento gay no país mais católico romano, que tem ainda de ser ratificada pelo Presidente, que também pode vetá-la».
Mais a sul e em Português, o site da Globo, o G1, apresentou a notícia entre as principais da primeira página. «Parlamento de Portugal aprova lei que permite o casamento entre gays». O «Folha de São Paulo» também trata o assunto, mas sem grande destaque.
Do outro lado do planeta, ao australiano «The Sydney Morning Herald» o tema também não escapou. Ainda que só na secção de Internacional. «O Parlamento de Portugal aprova uma lei que legaliza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, menos de 30 anos depois do país ter revogado a proibição da homossexualidade», lê-se.

...Auditório do Media Center tem agora o nome de José Maria Pedroto...


O auditório do Media Center do Estádio do Dragão tem, a partir desta quinta-feira, o nome de José Maria Pedroto. Este é o dado mais perene da homenagem que o FC Porto fez ao mítico treinador dos Dragões, por ocasião dos 25 anos da sua morte.
O programa teve início na Igreja das Antas, com uma missa em memória do treinador, e prosseguiu com a cerimónia de homenagem, já no Estádio do Dragão. Seguiu-se um jantar no camarote presidencial, com a presença de cerca de 400 pessoas, entre as quais a viúva de José Maria Pedroto, os seus filhos e alguns dos amigos mais chegados.
O evento foi encerrado com um concerto de música clássica, na Tribuna VIP. O prestigiado violinista inglês Daniel Rowland interpretou Antonio Vivaldi e Astor Piazzolla, fazendo-se acompanhar por um ensemble de cordas com cravo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

...la raya rota...


No dia 31 de Dezembro de 1984, fez agora 25 anos, com uma última viagem, se encerrava uma via de comunicação entre dois povos.

Uma via de caminho de ferro cheia de estações/apeadeiros, hoje edifícios abandonados, que são a alegoria do despovoamento, a memória de outros tempos de exílio, emigração, contrabando, “restos de solene antiguidade que ficam na memória”, como disse um dia José Saramago.
Para que a memória não se apague, um conjunto de fotografias serve de suporte artístico para uma reflexão sobre os territórios, os espaços físicos que simbolizam bem a (in)comunicação entre estes dois territórios transfronteiriços.
O objectivo do projecto foi trazer à memória, através duma exposição, todas as estações do caminho de ferro transfronteiriço, no tramo da via abandonado que vai desde La Fuente de San Esteban até Barca D’Alva, de Barca D’Alva ao Pocinho e deste a Duas Igrejas em Miranda do Douro.
Imperdível.
O troço lá está desde Salamanca, La Fuente de San Esteban, Boada, Villares de Yeltes (apeadero), Villavieja de Yeltes, Bogajo (apeadero), Olmedo y Cerralbo (apeadero), Lumbrales, Hinojosa de Duero, Fregeneda, Barca D´Alva, Almendra, Castelo Melhor, Vila Nova de Foz Côa, Pocinho, Torre de Moncorvo, Larinho, Felgar, Mós, Carviçais, Freixo de Espada a Cinta, Lagoaça, Bruço, Vilar de Rei, Mogadouro, Varis, Sanjoane (apeadeiro), Urros, Sendim, Fonte de Adeia (apeadiero), Duas Igrejas-Mirand do Douro.
A exposição, “A Raia Rota: dois povos e um empenho” vai estar patente ao público no Cais Turístico de Barca d'Alva de 10 a 31 de Janeiro.
A não perder!!!

...o abominável cheiro a peixe...


Confesso que tenho grande simpatia pela ideia anarquista de igualdade humana, a que rejeita todas as opressões das convenções sociais e coloca em pé de igualdade o sapateiro e o engenheiro, rompendo com as teorias, mais ou memos extremistas, derivadas da aplicação das teorias de Darwin à organização de uma sociedade. As desigualdades sociais são assim artificiais e estão na origem da grande discriminação.
A este propósito... tive conhecimento que as cúpulas (sempre as cúpulas) de um partido dito de extrema-esquerda , decidiram fazer circular um abaixo-assinado, pelo alargamento do tempo do subsídio de desemprego. Mas... anexado ao dito vem o conselho e a pressão, às coordenadoras locais, para que o primeiro subscritor seja uma INDIVIDUALIDADE... e se for uma individualidade desempregada tanto melhor (acrescento eu)Hum!!! Estava tudo a correr tão bem...
Veio-me aqui, agora, à ideia uma passagem do "O anarquista banqueiro" que diz o seguinte: "Não percebia, dentro ou fora do sistema burguês, em que é que o trabalho de um tipógrafo tinha menos valor, social ou humano, que o trabalho de um barbeiro. Nem percebia porque é que, em boa justiça, eu tipógrafo, havia de ganhar mais, porque ganhava, do que um cavador de enxada(...)uma economia que produzia esses resultados era, para mim, e ainda é, uma injustiça e uma tirania". Pergunto eu agora, qual é a diferença entre a assinatura da dita individualidade e de um operário recém-desempregado da Delphi da Guarda? É porque o primeiro tem poder para furar os enconsos corredores mediáticos? Temos de aceitar isso como um destino? Só por si, na boa tradição maquiavélica, na boa tradição mais conservadora, na boa tradição da aceitação tácita da lógica truncada e viciada de que as coisas são como são, invocando a velha lógica de que para se fazerem omeletes temos de partir alguns ovos, valerá a pena, sem qualquer peia, assumir  a discriminação humana como um facto consumado para aparecer num jornal ou numa televisão? 
Questiono-me se, em vez de peixeiras fossem doutores, francisco louçã viraria as costas, eu acho que ajoelharia em todo o esplendor do sentido bíblico:)
A estas caricaturas pardas legitimadoras da desigualdade humana, da desigualdade dos privilégios e dos estatutos, chamo eu cabrões, grandes cabrões...
A estas caricaturas, penduradas em cruzetas, ávidas do galope no  celulóide,  chamo eu cabrões, grandes cabrões...

sábado, 2 de janeiro de 2010

...as "dívidas" de louçã aos "seus" autarcas...

Quando Louçã apregoava que tinha uma grande dívida com os autarcas do bloco, que se bateram nas suas terras pelas suas causas, gastando muito do seu tempo e do seu dinheiro, esta carta ficou sempre sem resposta em 2009, "atirada ao lixo"... prova do efectivo respeito dos "coordenadores" pelos seus autarcas. 
Não acreditemos,então, em tudo o que nos é apregoado:) :) :)

clique na imagem para aumentar
As Egyptian police beat peace activists, reports for Gaza break our hearts.Never forget that it is Israeli war crimes and Israeli/U.S. pressure that iskeeping the people of Gaza bombed back to the mud age, It is Israel who hasmaimed, arrested and killed Palestinians, Internationals and Israelis who standin support. Egypt's orders come straight from Israel and the U.S.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

...acordei assim...

...para janita...hora de ponta...

O domigo, nesta cidade, está  baptizado de ausências,
O domingo, nesta cidade, está fermentado nas três dimensões da angústia.
O domingo, nesta cidade, está faminto de recantos inúteis.
O domingo, nesta cidade, está constrangido de interrogatórios arredios.


Que...
Não existam em casa boleias conservadas em naftalina, ou,
em saquinhos de alfazema, jogos de nobres emoções, 
códigos de influentes ilusões, panos de estórias por contar, rendas de saudade...


Que...
Não se comprem inúteis argumentos de jantar,
Não se comprem consulados em grande conta,
Não se comprem estreias de pontuações,
Nada se compre, nada se retenha na espera da ocasião especial.


A entrega seja sempre nas primeiras vinte e quatro horas..

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

...ao abrigo do direito de resposta ao comentário de um anónimo no post anterior...


...anónimo não quis deixar acabar o ano sem lhe dar a honra imensa de publicar um comentário seu no meu blog... a persistência valeu-lhe esse prémio...
...sou ideologicamente materialista, nunca me apercebi que da masturbação viesse algum mal ao mundo, mas, peço então desculpa se as minhas masturbações públicas congestionam o seu ego beato e deletério, o anónimo deve ser mais adepto de uma masturbação mais intíma,quiçá, o jacto do bidé, com a vantagem de não criar calo nos dedos:) :) :) quiça, dentro da solenidade de uma igreja na fluida fantasia do "ajoelhar"...
...nas minhas aulas a liberdade é sempre nua, viscosa e "pornográfica",não se ateiam fogueiras onde a lucidez se queima viva...
...ainda bem que na minha consaguinidade não existem capadores:):):) isso é que não!!!
... como acredito ser o anónimo, o mais atento das minhas masturbações...um bom ano para si...como diz o capinteira:"continue a ladrar à beira da minha estrada!!!" ana

... a minha pérola política de dois mil e nove... discurso de vinte e cinco de abril na assembleia municipal da covilhã...

Este foi o texto... pus lá tudo o que senti para a ocasião, sem ignorar que todas as palavras me cairam das mãos... sem enganos na minha própria pessoa, "anarquista na teoria e anarquista na prática", porque hei-de vir então aqui ser humilde?  Ganhei, no entanto, o reparo de uma das chefias do bloco de esquerda: "não gosto que escrevas de forma erudita", mas... já não estava debaixo do seio da  canga de nenhuma lógica tribal (partido político) e sou irreparavelmente independente quando as sílabas vertem em meu nome... todo meu provincianismo permite-me ter algum orgulho no que escrevo bem:)


“Muitas vão suspender, mas eu vou aguentar nem que tenha de pedir para ir trabalhar, se quiserem, despeçam-me'', cito a vivência e o testemunho de Anabela Vicente. “É muito complicado querer dar de comer aos nossos filhos e não termos', cito a vivência e o testemunho de Lídia Clemente, vivências paradigmáticas da ausência de pão, da ausência de terra, da ausência de quotidiano… Testemunhos paradigmáticos do cortejo condenado dos oitocentos trabalhadores, na sua maioria mulheres, com salários em atraso nas confecções da cova da beira. Em cima de suas cabeças conta é a certeza da pena do tombar no olho da rua. No espectro das “fábricas de morte” paira a condenação ao dia da refeição e não à refeição do dia.
Dos representantes da classe dirigente local, o bem nutrido registo infame da ataraxia; a acústica da resposta ignóbil do desprezo, da indiferença, o resgate da absolvição subversiva. O descarado, mas não novo, eleitoralismo da refeição em troca de um euro, a formula perversa de mobilizar.
Mas de que lado estão estes senhores neste processo grotesco?
O monolítico poder local compromete-se contra tudo isto, burla a verdade, porque o benefício do primeiro milho é sempre engordar a galinha do vizinho. Compromete-se contra o trabalho de que cada mulher e homem são depositários. Contra a sua mais básica necessidade. Compromete-se contra a marca da sua dignidade – o trabalho - usurpando o seu poder à auto-determinação.
O monolítico poder local, que se deveria comprometer com o desenvolvimento de toda uma população, forja na economia doméstica “virtuosas” dívidas de 88 milhões de euros... oitenta e oito milhões de euros de “virtude” … afinal os tempos também deram uns retoques no próprio conceito de “virtude”. Esta dissimulada economia doméstica, completamente falida e incoerente, “virtuosamente” estéril, escandalosa na sabotagem nos sonhos de vida e de futuro de um povo.
Dos cavalheiros representantes da classe dirigente nacional a impostura, tacitamente velada, do reconhecimento da inevitabilidade do desemprego, 484.131mil inscritos no Instituto do Emprego durante o mês de Março em Portugal, na sua grande maioria mulheres, e a Covilhã acompanha este número na sua percentagem máxima.
Os cavalheiros representantes da classe dirigente nacional administram o país em seu nome, dissimulam a necessidade de se manterem no seio da impostura, longos passos se dão para alimentar banqueiros, estas figuras paradigmáticas, que na sua autópsia revelaram nas entranhas a absolvição da má gestão, do roubo descarado, dos milhões da corrupção.
Engenheira é vassalagem da classe dirigente nos fundos, dos nossos impostos, que debaixo da sua albarda, nos recolhe e lhes dispensa em linha recta.
Engenheira é a vassalagem, que se transforma em nada, que amortece na conjuntura internacional a falta de responsabilidade, o desnorte da má governação.
Engenheira é a corrida desenfreada para o auditório do poder que descarta no seu catecismo a clave da miséria económica e social, dos magros salários, suavizada nos arrebates eufemistas das rasteiras da propaganda, mais um penalty que afinal não era penalty.
Engenheira é a pestilenta incompreensão de como a proletária autonomia e a proletária vontade de vencer é forte e honesta.
Tombam nas ruas de Abril as reivindicações pelo trabalho, tombam no arbítrio da liberdade.
Duzentos postos de trabalho em risco no Tortosendo. Estão em dívida 40 por cento do salário de Fevereiro e o salário de Março, bem como metade do subsídio de férias e do subsídio de Natal de 2008.
Foi este povo trabalhador que teceu e transformou pelo seu trabalho a operária liberdade, e hoje, nas ruas de Abril, já se cunha a sua nostalgia póstuma!
Mas este povo é manso!
Tarda na insurreição operária!
Tarda a guerrilheira reivindicação do trabalho como um direito!
Tarda a desabrida vontade de tomar o aeroporto e ocupar a rádio!
Há qualquer coisa de bafiento no epicentro da esfinge podre deste poder, que na nossa cidade determina o que vai acontecer, mestres nas piruetas e nos artifícios da circunstância e da pompa que em altitude se iluminam, adulados, venerados e bajulados por espantalhos. Podre poder automaticamente poderoso que se entranha e insiste no desenfreio do florescimento do mercado imobiliário, que vai-se lá saber porquê, esta insistência não corresponde à procura real de habitação na cidade. Vai-se lá saber porquê!
No reservado da soberania monolítica do poder local, onde se soltam gargalhadas, tiraniza-se ao exílio a identidade de uma cidade, abandonam-se centenas de casas na zona histórica da cidade. Bairros que fizeram história, agora territórios condenados, que anunciam, numa nova era de descontinuidade paradigmática, o fim da alma e a marca da dignidade. Investe-se na propaganda de “salvadores da urbe”, onde todos os compromissos assumidos com as gentes se transformam em menos que nada, neste universo partido mutila-se uma cidade ao serviço da vontade de clientelas. No escalpe da toponímia da cidade nascem elevadores de vã glória, as pontes de vã de eternidade, templos do vão consumismo, promessas vãs de felicidade.
A vida é bela e agradável, para os mesmos beneficiários de sempre, os privilegiados de classe.
Há qualquer coisa de bafiento no ar que aqui já não se consegue respirar, os ares da globalização, do desenvolvimento, das obras “extruturantes”, do cosmopolitismo saloio.
A diferença é expurgada nesta cidade, na política do pontapé, no repertório passional trauliteiro, carroceiro e calhoeiro, varre-se deste concelho quem olhe de esguelha o servilismo lacaio do regime. Escorraçam-se os legítimos opositores democráticos, censuram-se artistas e intelectuais opositores. Vinga esta cultura de patrocínio autárquico, atolam-se os inventores de novas formas de democracia, de novas armas consistentes de libertação.
O medo faz caminho, o medo de não arranjar e o medo de perder o emprego, o medo de serem substituídos por outros mais “empenhados” e mais “praticantes”, o medo de não conseguir a licença da Câmara, o medo da marginalização, o medo das garras disformes da justiça… o medo de perder a cunha para o lugar num lar de idosos… o medo… o medo… o medo de quem não joga com as cartas viradas para cima. O medo de aplaudir quem se compromete e de quem não amocha, o medo de aplaudir o cidadão da esfera livre, denunciado e serpenteado, pela ignorância do regime, como nocivo para os “crentes”. A ignorante nostalgia da dominação do passado.
Mas este povo é manso!
Tarda a guerrilheira dignidade de abrir livros proibidos!
Tarda a guerrilheira vontade de atravessar a rua!
Tarda o relâmpago da liberdade!
“A DEMOCRACIA É UMA POTÊNCIA E NÃO UMA FORMA”
Começam já a travar-se por toda a parte, neste mundo fora, novas lutas por novas vidas… vidas alternativas … irrompem, por vezes de forma sofrida, novas forças criadoras… alternativas formas de mobilização… novas formas de autonomia além desta sanguessuga forma de fazer trilhos na história… novas formas, não de mera resistência, mas capazes de construir novas moradas insubmissas ao império do dinheiro… começam já a travar-se já por toda a parte, neste mundo fora, inversões de lógicas que arredaram o povo do direito a decidir o seu próprio destino… irrompem, por vezes de forma sofrida, novas formas criadoras… alternativas formas de dar lugar à consolidação da humanidade… novas formas de legitimar um poder alternativo, quando o actual está gasto...
“As cidades transformar-se-ão ao mesmo tempo grandes depósitos de humanidade cooperante e em locomotivas de circulação, residências temporárias e redes de distribuição de massa para a humanidade livre.”
Ana Maria de Jesus Monteiro

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

... on the road de jack kerouac...


DEZ TER 29 22H00
TMG - CAFÉ CONCERTO
MÚSICA / 4€ / 60M / M12
ON THE ROAD DE JACK KEROUAC
TÓ TRIPS E TIAGO GOMES
“On The Road” está baseado no livro homónimo de Jack Kerouac numa altura em que se assinala o 50º aniversário do seu lançamento. Este espectáculo não é mais que uma banda sonora para o livro criada por Tó Trips na guitarra e efeitos e por Tiago Gomes lendo excertos do livro, ambos acompanhados pelo vídeo-beat de Raquel Castro. Uma viagem por uma estrada perdida e infinita, a route 66, na América de todos os sonhos que aqui são todas as estradas do mundo: vias rápidas, estradas secundárias, deserto, cidades perdidas na noite e becos sem saída.

...eram dias de cem anos, rosnavam e mal mordiam...


"Foi apresentado e publicado há dias na Câmara Municipal de Penamacor este livro, "ERAM DIAS DE CEM ANOS rosnavam e mal mordiam", da autoria de JM Teixeira Filipe, um cidadão do mundo, que, após muitos trabalhos, canseiras e viagens, lançou âncora na Meimoa, onde reside, vive e medita.
Basta ler estas suas linhas para nos inteirarmos estar na presença de um personagem fascinante. Em escrita escorreita e seca leva-nos no tempo a entender o porquê de tanta coisa simples que esta vida sem alma vai apagando. São origens de nomes e tradições, detalhes circunstanciados do que eram os carros de bois, os teares, a sementeira, recolha e trabalho do linho, as romarias e feiras, as tragédias, os usos e os costumes de uma etnologia em aldeias e lugares do interior, historia de vilas e cidades, o que foi a tragédia da emigração e as suas sequelas e, por fim, notas e frescos eivados de sinceridade sobre a vida da segunda geração por essa Europa afora. Num rasgo de poesia conta o sonho de um amor que se perdeu nos Alpes num voo cego a nada.
Há assim, neste livro, muito saber e detalhes que deveriam ser inscritos na matéria curricular e ensinado nas escolas a professores e alunos. Se assim não for, muito deste mesmo saber será levado também ele com o sol marralheiro de um incerto ocaso.
Se encontrar esta obra nas lojas - o que em minha opinião será encontrar uma agulha num palheiro - não hesite: compre-o. Não se irá arrepender. Se não, peça-o à CM de Penamacor ou à Editora "Cidade Berço" de Guimarães.
Eu, na primeira oportunidade, darei um abraço de parabéns ao Autor que tão bem enxerga neste mundo em que há tantos cegos."
Com amizade
João Sena

... make love for peace... dance for peace...

... amesterdão... girls... here we go....


domingo, 27 de dezembro de 2009

...sherlock van damme...


Hoje saí do  cinema cheia de vontade de escrever no livro de reclamações só e apenas "isto não se faz"... não ao inquilino mais famoso do 221 B de Baker Street, do raciocínio analítico, dos seus métodos singulares de investigação, onde a chave de explicação do crime se encontra no detalhe mais vulgar e aparentemente insignificante, nada... apenas pancadaria e mais pancadaria... sangue a jorrar por todos os lados...
Mudados os nomes dos personagens e o do filme, seria impossível, a um leitor dos contos mais famosos de Sir Arthur Conan Doyle, reconhecer qualquer semelhança com qualquer deles.

...re...re...re...re...ler...



" América foi o primeiro romance escrito por Kafka e um dos vários inacabados. Escrito em 1910 e apenas publicado em 1927 após a sua morte pelo seu grande amigo Max Brod, deixa muitas pontas soltas e muitas interrogações sobre o verdadeiro destino que o autor teria pensado para o seu protagonista. Possivelmente, é com este texto que Kafka pela primeira vez traça, o que vai ser ao longo da sua obra, o corpo da sua literatura: a exploração do universo interior do ser humano, a alienação e a perseguição, a atenção ao pormenor que transfigura a realidade numa verdade inverosímil. O protagonista desta aventura é Karl Rossman, um jovem de dezasseis anos que se vê obrigado pela família a emigrar para a América, consequência da humilhação sofrida por esta depois de ser seduzido pela criada que fica grávida. Na época em que o texto foi escrito, ocorria uma das maiores emigrações para este país, na esperança de alcançarem o tão afamado sonho americano. Este facto vai condicionar todo o discurso do texto, sendo-nos revelado a visão que o autor tinha, à época, deste país. No entanto longe se pense que Kafka nos apresenta a esperada visão optimista e promissora da América. Pelo contrário, e facto que torna o livro tão actual, a América revelada pelo autor apresentasse-nos como sendo opressora conforme podemos ver com o seu “jogo”, intencional ou não, com a estátua da liberdade. Retrata uma burguesia arrogante que se eleva do resto das classes, como por exemplo a operária.
Karl Rossman é um personagem simples e ingénuo. Pela sua inocência, é conduzido pelas personagens com que se cruza, sem grande resistência, sendo elas mesmas que nos vão revelando a personalidade do protagonista. Pensa sempre primeiro nos seus companheiros de viagem em vez de si próprio, como nos revelam os longos pensamentos introspectivos que consequentemente o impede de tomar decisões. Cada vez que Karl se esforça para subir na escala social ou para ajudar os seus companheiros a sociedade nega a sua vontade e subverte as suas intenções, tornando a sua situação ainda pior do que antes. Ironicamente, como se pode esperar nos romances de Kafka, é demitido por ajudar uma pessoa que ele ainda chama de amigo.
Embora Kafka nunca tenha visitado a América, adquiriu conhecimentos de fontes secundárias: leu livros de viagens sobre a américa, assistiu a palestras, recolheu materiais impressos, e falou com emigrantes, como revela EL Doctorow no prefácio do livro.
Em Amerika, Franz Kafka realmente satiriza ideais americanos por absurdamente retratar essa terra de oportunidades e traçar o destino irónico de Karl Rossman, enquanto ele luta para alcançar o sonho americano.
Através de seu retrato da América, Kafka rompe a concepção idealista desta terra de liberdade e, ao invés concebe uma imagem da América como uma terra cheia de assustadores malefícios sociais. Fornece uma crítica sombria da América que constrói a liberdade como uma aparição falsa."

sábado, 26 de dezembro de 2009

...my special one...


José Mourinho deu uma entrevista ao PÚBLICO onde fala dos dias conturbados que vive em Itália, mas também da sua opinião sobre jogadores naturalizados na selecção portuguesa ou da relação que muitos adeptos do FC Porto mantêm com ele.“Dou o peito às balas e sempre darei. Nasci assim no futebol e vou morrer assim. Mas também lhe confesso que sabe bem, de vez em quando, ver aparecer alguém com um colete à prova de balas! Dois anos no FC Porto habituaram-me mal...”. A frase é de José Mourinho e faz parte desta entrevista, que o técnico do Inter de Milão concedeu ao PÚBLICO por e-mail. O mote principal foram as críticas de que Mourinho tem sido alvo nos últimos tempos na imprensa italiana, que ainda há dias o acusava de ter insultado e agredido um jornalista. Mourinho explicou o incidente, pediu desculpa, mas garante que o seu comportamento tem sempre um objectivo: “A defesa dos interesses do meu clube, sem nunca me preocupar com o que dele resulta para a minha imagem”. De resto, desvaloriza as informações de que a sua continuidade à frente do campeão italiano estará dependente da conquista da Liga dos Campeões. “O meu lugar está sempre em perigo, porque treino sempre clubes que muitos querem treinar...”. aqui

...medeia...


"Uma peça muito bem escrita e de agradável leitura. Convém não esquecer que MC é um autor com uma vasta e multifacetada obra. Já foi galardoado com vários prémios dos quais se destacam o “Prémio Pessoa” e o “Prémio Vergílio Ferreira”.

Este texto dramático fala de “Uma actriz que arrasta, ao longo da vida, a obsessão de representar a Medeia, de Eurípedes, e empolgada pela ânsia que se torna matéria da alma, precipita na morte dos que a rodeiam o seu próprio e irredimível aniquilamento”. Como se pode ler na contracapa do livro “Uma célebre actriz de um país pequeno, vivendo o seu fim de carreira através de algumas dificuldades de memorização, contempla o fracasso do seu projecto de produzir a Medeia, de Eurípedes, que desde sempre a acompanhou. Também ela por isso, descomandada pela paixão, e à semelhança da heroína clássica, acabará por assassinar os próprios filhos”.
Na mitologia grega, Medeia era a filha de Eetes, rei da Cólquida (actual Geórgia), mulher de Jasão, de quem teve dois filhos. O rei de Corinto convence Jasão a trair a mulher, para se casar com a filha deste, Glauce. Medeia, ao saber da trama, decide vingar-se matando a rival e os filhos que tinha tido com o marido infiel.
Vale a pena ler e se possível assistir a esta peça."
(José Amaral)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

... itália não pára ... para quando uma visita de sócrates?...



...chaim soutine...




...que fazer com tanta riqueza?...

"Segundo a revista Visão desta semana, o Produto Interno Bruto do planeta duplicou na década que agora, jornalisticamente, termina. Esta duplicação teria permitido qualquer um dos seguintes resultados:
1ª hipótese: duplicar em termos médios o rendimento dos habitantes do planeta, o que poderia ter sido feito:
a) na mesma percentagem para todos, mantendo o nível de desigualdade;
b) em percentagem maior para os mais pobres, diminuindo a desigualdade;
c) ou em percentagem maior para os mais ricos, aumentando a desigualdade.
2ª hipótese: diminuir para metade, também em termos médios, o tempo de trabalho dos habitantes do planeta
a) diminuindo os horários semanais,
b) alargando os períodos de férias,
c) baixando a idade de reforma
d) e/ou aumentando o desemprego
O que aconteceu na realidade não tem a ver com nenhuma inevitabilidade histórica ou demográfica nem com o funcionamento “normal” do mercado: foi um facto puramente político, isto é, teve tudo a ver com relações de força.
A história do “primeiro produzir, depois distribuir” é, como a última década provou, uma treta. Na próxima década o PIB do planeta pode duplicar de novo, ou triplicar, ou até decuplicar: se as relações de força não se alterarem, nada disto resultará em qualquer diminuição nas desigualdades ou em aumento dos salários, alargamento dos tempos livres ou melhoria da segurança no emprego.
Pelo contrário: os economistas do regime, as estrelas do empresariado e os comentadores encartados têm saturado os media com os mesmos avisos que já faziam há dez anos, e há vinte: é preciso moderar, ou até diminuir, os salários; é preciso e inevitável aumentar a idade de reforma e o tempo de trabalho semanal; é preciso e inevitável “flexibilizar” – ou seja, precarizar ainda mais – o emprego; é preciso e inevitável diminuir as prestações sociais e dificultar-lhes o acesso; é preciso e inevitável competir sem quaisquer barreiras com os países onde se fuzilam sindicalistas, como se esta competição alguma vez pudesse ser igual ou justa.
É preciso que na próxima década as relações de forças se alterem: é espantoso ver como as “inevitabilidades” se dissipam sempre que isto acontece. E não vão ser os partidos ditos socialistas, trabalhistas ou social-democratas que o farão a partir de cima: temos que ser nós, a partir de baixo. We, the People, como se escreve na Declaração de Independência Norte-Americana. O Povo Soberano: trabalhadores, consumidores, contribuintes, eleitores.
E para começar, podemos apoiar a greve dos funcionários dos hipermercados no próximo dia 24. O que está em causa nesta greve é muito simples: os patrões querem testar a eficácia do celerado Código de Trabalho que um sempre obediente Parlamento lhes ofereceu; os trabalhadores querem ter a liberdade de gerir as suas próprias vidas.
É possível que esta greve não tenha grande adesão: a relação de força não é favorável aos grevistas e muita gente, sem dúvida, irá trabalhar contrariada.
Mas contra os consumidores não têm os empresários qualquer poder de retaliação. Boicotemos os hipermercados e as cadeias de supermercados no dia 24. Se não nos for possível fazer as nossas compras noutro dia, façamo-las no comércio tradicional.
O pequeno comércio pode ajudar nesta luta. Para os patrões, será vantajoso manter os estabelecimentos abertos tanto tempo quanto possível. Para os empregados, trabalhar 12 ou 14 horas neste dia poderá ser tão vantajoso como não as trabalhar para os seus colegas das grandes superfícies; para os consumidores, serão desvantajosos os preços, mas vantajosa a variedade dos produtos disponíveis (numa mercearia fina da Baixa podemos comprar coisas que não há em nenhum hipermercado).
Não é preciso ser de esquerda, e muito menos de extrema-esquerda, para cumprir este dever cívico: basta saber um pouco de aritmética elementar, ter um mínimo de vocação para a liberdade e conservar um resquício de humanidade no coração. E não estar disposto a ser, daqui a dez anos, mais pobre num mundo mais rico".
http://www.legoergosum.blogspot.com/2009/12/que-fazer-com-tanta-riqueza.html

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

...blasted...

...aminetu haidar...

"Existe um território africano que ainda permanece colonizado. Está a sul de Marrocos, a escassos quilómetros da costa algarvia. É um país emerso na areia do deserto, um dos mais despovoados do mundo e chama-se Sahara Ocidental.
Dominados por Espanha até 1975, os sahauris proclamaram nesse ano a independência mas os Acordos de Madrid entregaram a determinação do país a Marrocos e à Mauritânia. Em 1979, a Mauritânia abdicou da sua parte do território mas o exército marroquino anexou o país e fixou-se no Sahara Ocidental até aos nossos dias. A guerra entre a movimento da Frente Polisario, que defende a auto-determinação da RASD (República Árabe Sahauri Democrática), e o reino marroquino, dura há 33 anos. Um conflito surdo e mudo que, ocasionalmente, faz soar minas e metralhadoras para despertar a atenção do mundo. A Polisario pede o referendo, Marrocos defende o direito de controle da região. Muitos especialistas em direito internacional traçam um paralelismo entre a anexação de Timor-Leste, pela Indonésia, e do Sahara Ocidental, por Marrocos.
No Sahara Ocidental foi construído um dos muros mais vergonhosos dos nossos tempos, com mais de 2000 quilómetros de betão ao longo de um campo de areia minada, dividindo os dois terços de território regidos por Marrocos da parcela libertada pela Polisario. Mais de 150 mil sahauris foram obrigados a esconder-se na Argélia e vivem hoje no campo de refugiados de Tindouf, considerado por António Guterres, Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, como um exemplo de organização em acampamentos de expatriados.
Este muro, minado de ponta a ponta e de ponta a ponta vigiado por milhares de soldados, mede 60 vezes mais do que o Muro de Berlim.
Por que será que há muros tão altissonantes e muros mudos?
Foi neste mundo hostil que Aminetu Haidar cresceu, em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental. Haidar foi pela presa pela primeira vez em 1987, por se manifestar contra a ocupação marroquina durante uma visita da ONU ao país. Durante quatro anos, a sahauri foi torturada e humilhada nas celas sórdidas de El Aaiún, apelidada de “Prisão Negra” por todos aqueles que tiveram a má sorte de por lá passar. A activista passou quase quatro anos de olhos vendados, sozinha, foi brutalmente espancada e torturada para confessar a prática de acções de terrorismo que a condenassem a um julgamento legítimo. Em vão. Haidar é uma pacifista e não cedeu. Após a libertação, continuou a organizar manifestações pacíficas e greves de fome para alertar a opinião pública da repressão sentida pelos sahauris. Ao contrário de Xanana Gusmão, Haidar tem lutado sem armas. Isso já lhe valeu o cognome honorário de “Gandhi Sahauri” e vários reconhecimentos internacionais: Prémio Coragem Civil 2009 (EUA), Prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy 2008 e Juan Maria Bandrés (Espanha).
Na passada sexta-feira, Haidar, casada e mãe de dois filhos, voltava para El Aaiún depois de uma conferência nas Canárias. À chegada ao aeroporto do deserto, recusou declarar-se marroquina. A polícia levou-a para uma pequena sala do aeroporto, desapropriou-a do passaporte e do telemóvel, disparou centenas de flashes em direcção aos seus olhos fragilizados por quatro anos de escuridão e expatriou-a para Lanzarote, Espanha. No domingo, Haidar entrou novamente em greve de fome. Quer voltar ao seu país mas está impedida de fazê-lo pelas autoridades espanholas e marroquinas. O caso já está a provocar uma onda de solidariedade por todo o mundo.
O problema dos sahauris, que se arrasta há mais de três décadas, não parece preocupar os diplomatas e políticos portugueses que tanto lutaram pela causa timorense. Pelo contrário, Portugal está inserido no programa de colaboração da União Europeia com Marrocos que permite aos arrastões europeus pescar nas ricas águas do Sahara Ocidental. Haidar continua a sacrificar-se para entregar aos sahauris o peixe das suas águas, para permitir aos refugiados de Tindouf o regresso à sua terra e para levar aos tribunais todos os torturadores dos activistas sahauris. O referendo já esteve iminente por duas vezes, mas Marrocos não aceitou os termos do sufrágio." Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental

...já não ligo a televisão há sete dias...


...o contrapasso...

"Bertran de Born, o poeta provençal do século XII, que leva numa mão a sua cabeça decepada, pegando nela pelos cabelos, e a faz balouçar como se fora uma lanterna – seguramente uma das imagens mais grotescas nesse catálogo de alucinações e tormentos em forma de livro. Dante era um acérrimo defensor da obra de Bertran de Born, mas condenou-o à danação eterna porque ele tinha aconselhado o príncipe Henrique a revoltar-se contra o seu pai, o rei Henrique II, e como de Born fomentou a separação entre pai e filho e os converteu em inimigos, o engenhoso castigo de Dante consistiu em separar o poeta de si mesmo. Daí o corpo decapitado que chora a sua sorte enquanto caminha pelas regiões infernais e que pergunta ao viajante florentino se haverá algum sofrimento mais terrível do que o seu."

...eólicas versus d. quixote...