quarta-feira, 10 de março de 2010

...os anéis de saturno..

"Será possível, ainda, a grandeza literária? Ante a decadência implacável da ambição literária, a convergente ascensão de desengano, a verborreia e a crueldade insensível como assuntos normativos da ficção ?… interrogava-se Susan Sontag a propósito da obra de W. G. Sebald. Uma literatura capaz de exprimir a consternação do mundo tão cheio de falsas representações, tão fútil? Acabo de ler Os anéis de Saturno e parece-me que sim, que é possível, apesar de tudo, uma literatura sedimentada como uma paisagem cuja topografia nos sacode, nos interpela, propondo-nos uma meditação sobre as ruínas que vamos deixando para trás. Essa a paisagem, literal e metafórica, que percorremos com Sebald em Os anéis de saturno, livro inclassificável (romance, ensaio-diário de viagem, autobiografia, enciclopédia ou tudo isso ao mesmo tempo, encadeado?…) sobre a melancolia do mundo. Meditação entre ruínas, alternada com breves ensaios sobre biografias obscuras, sobre o ciclo de vida dos arenques, a criação de bichos da seda, a natureza das guerras, a destruição das grandes florestas… eis alguns acidentes topográficos de uma cartografia que oscila entre a realidade e a ficção, rejeitando a normatividade temática, moral e literária. Sebald, o narrador a quem o autor empresta o seu nome, é uma construção literária do promeneur solitaire, romântico, que empreende uma viagem como intromissão, como indagação através de uma paisagem real, com nomes, toponímias, datas, ilustrações que o narrador convoca criando um extraordinário efeito de verosimilhança: Em Agosto de 1992, quando os dias do Cão estavam a chegar ao fim, empreendi uma viagem a pé pelo condado de Suffolk, leste de Inglaterra, na esperança de pôr fim ao vazio que me invade sempre que termino um trabalho de fôlego. Reconhecemos aqui um processo narrativo semelhante ao utilizado pelo narrador-autor das Viagens na minha terra. Porém, enquanto em Almeida Garrett a viagem nos aproximava da natureza romântica, em Sebald ela não é mais do que um artifício para nos desvendar segredos de vidas obscuras: especulando se Sir Thomas Browne, na sua visita à Holanda, teria assistido à lição de anatomia pintada por Rembrandt; recordando um interlúdio romântico de Chateaubriand durante o seu exílio em Inglaterra; evocando os esforços de Roger de Casement para denunciar a infâmia do colonialiusmo belga no Congo; narrando as primeiras aventuras no mar de Joseph Conrad… E, sobretudo, para mostrar a devastação contemporânea da natureza (desaparece um bosque atrás do outro, as valas na orla dos caminhos onde a seu tempo floresciam primaveras e violetas são lavradas e terraplenadas… ); ou os escombros da guerra (vêem-se cidades francesas reduzidas a escombros e cinzas, cadáveres a apodrecer na terra de ninguém entre trincheiras, arvoredo abatido pelo fogo de artilharia, navios de guerra afundando-se no meio de nuvens negras de petróleo, colunas militares em marcha, intermináveis torrentes de fugitivos e zepelins rachados…), ou a desolação do mundo (nesse lugar de armazenagem não vejo uma só pessoa, só tijolos, milhões de tijolos…), na tentativa inútil de pôr fim ao vazio que o invade. Ao vazio, afinal, deixado pelo lado sombrio de uma modernidade que esqueceu as promessas para nos oferecer, somente, a paisagem em ruínas por onde o autor deambula procurando a redenção do mundo através da memória. A escrita, portanto, como única maneira de [se] defender das recordações que tantas vezes e tão inesperadamente [o] afectam e que aqui se mostram através de uma visão fatalista da História, como tragédia humana roçando o abismo, que um caminhante solitário nos dá a ver à hora do crepúsculo… sob um céu cor de tinta que cobre as nossas peregrinações pessoais através do litoral da própria melancolia onde se amontoam, também, recordações, sonhos, genealogias, naufrágios que Sebald faz libertar." aqui

segunda-feira, 8 de março de 2010

...barca d`alva...

...I got something runnin' around my head...

...protesto pacífico pelo tibete... aniversário da revolta nacional tibetana...

...os ESTALINISTAS DA UDP vão por as fogueiras todas a arder de norte a sul...

..."parece que os principais dirigentes do Bloco pretendem esconder as patitas do seu cisne...convenção extraordinária do bloco de esquerda..."

Um grupo de militantes do bloco de esquerda está a recolher assinaturas no sentido da realização de uma convenção extraordinária em que o único ponto em discussão, para por os pontos nos ii, será: PRESIDENCIAIS.
Segundo estes militantes "o apoio do Bloco à pseudo candidatura de Manuel Alegre pecava por extemporâneo e por falta de debate interno quanto à decisão em causa, mais parecendo uma tomadda de posição de uma organização estalinista, na qual uma cúpula de dirigentes toma a decisão que as massas têm que seguir cegamente, sem discutir." e de "uma Mesa que continua a pregar afinadinha lançando uma capa de unidade na modernidade, mas por baixo, os militantes anónimos ou simples simpatizantes sentem-se em ebulição."... "vai o país vivendo uma espécie de folclore em torno das figuras do actual presidente, Cavaco Silva, na condição de recandidato das direitas e a de Manuel Alegre, misto de uma candidatura de cidadãos auto mobilizados para a política e livres de partidos e uma putativa posição do candidato à esquerda, posição reforçada pelo apoio extemporâneo concedido ao candidato pela Mesa do Bloco de Esquerda."
"Considerando que o factor Manuel Alegre não passa de uma impostura à esquerda, ou seja ganhar votos à esquerda para exercer o cargo à direita."
TUDO ISTO A MIM ME CAUSA HIPERSENSIBILIDADE NA RETINA!!!
HÁ QUATRO ANOS ATRÁS, UM DESSES CISNES QUE AGORA O APOIA, "CONTRAPUNHA COMO FACTO", MANUEL ALEGRE SER UM BÊBEDO E UM BURGUÊS PREGUIÇOSO COM O QUAL NÃO SE PODIA CONTAR, FAZIA APENAS FIGURA DE CORPO PRESENTE NAS COMISSÕES QUE INTEGRADA, NAS POUCAS VEZES QUE ESTAVA PRESENTE.
MAS... QUATRO ANOS É TANTO TEMPO:) :) O SUFICIENTE PARA ABANDONAR TODA  A INGENUIDADE:) :)

sexta-feira, 5 de março de 2010

...a nova história da desgraçadinha...

Texto de Leandro Vale, para representação em teatro de rua, no próximo dia 7, na Barca d'Alva, no âmbito das diversas actividades que então e aí a Asociación Camino de Hierro levará a cabo, associando-se à festa transfronteiriça da flor da amendoeira.
Esta representação vem na esteira da chamada literatura de cordel, divulgada nas feiras de outro tempo, onde um cego e um moço-de-cego cantavam desgraças, distribuindo (à espera da moedinha no chapéu) o folheto com a história impressa.
Entre outras actividades: exposição de fotografia, o "enterro simbólico das vontades institucionais" relativas à via-férrea, com direito a escultura sobre a sepultura...

...como sempre fomos e seremos: FRONTAIS e RESPONSÁVEIS...

Post extraído do blog  
http://cp-cromosdeportugal.blogspot.com/
Tal como numa família existem sempre umas personagens que gostaríamos que não fizessem parte do nosso parentesco mesmo, por mais longínquo, que ele seja.
Acontece em todas as famílias.
Já no que aos amigos diz respeito, as coisas já não são assim.
Cada um escolhe os amigos, apesar dos «adesivos» se quererem colar para benefício próprio.
Esses, «adesivos» sabemos como os enxotar.
Como alguém já disse, tenho mais receio dos meus amigos do que meus inimigos porque, os últimos sei quem são e, os primeiros quase sempre não se sabe, verdadeiramente, se o são.
Vem tudo a propósito de uns Despachos com os números 3928/2010, 3929/2010, 3930/2010, 3931/2010, publicados na página 9625 do Diário da República, 2.ª série, nº 44, de 4 de Março de 2010,

Ao todo são 31 funcionários!!
Se o número já nos parece exagerado então a competência de alguns dos «nomeados», porque os conhecemos, é um atentado à inteligência e à prática que o Bloco de Esquerda devia ter na escolha dos assessores, indo aliás de encontro, àquilo que sempre, mas sempre, defendemos: EXIGÊNCIA E COMPETÊNCIA na forma de ser, estar e fazer a política.
Manifestamente dizemos NÃO a esta prática.
Manifestamente NÃO pactuaremos com incompetência.
Não sabemos dizer SIM a tudo.
Quando não concordamos também o dizemos.
Em nome da liberdade de expressão, da crítica e principalmente de um partido que se dizia e diz(?) diferente nas práticas da empregabilidade da clientela partidária sem olhar à competência, diremos sempre NÃO!!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

...votar significa abrir mão do próprio poder...

"Tudo o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:
Votar significa abrir mão do próprio poder.
Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.
Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos "acima" de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nessa condição, a tarefa de verificar se estão a ser obedecidas.
Votar é uma idiotice.
É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exactamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência dessas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.
Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.
O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.
Nas assembleias acaba sempre prevalecendo à vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.
Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.
Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isso perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.
Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato curva-se à sua presença; amanhã ele goza com o eleitor. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se no seu senhor.
Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!
A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.
Por isso, não abandone sua liberdade.
Não vote!
Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.
Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.
Trabalhador Não vote!"

-Elisee Reclus, Publicado na Revista Mother Earth editada por Emma Goldman.

...três dezenas de assessores linha branca... PAGOS COM OS NOSSOS IMPOSTOS...a arte de bem galopar em todas as todas as alcovas...

quarta-feira, 3 de março de 2010

QUE TODO EL MUNDO LE VEA LA CARA A ESTE HIJO DE PUTA!

"Candidato Jaim Ferrero al pp, activista y militante de las juventudes del pp (partido popular), la fuerza joven o como se llame, en Talavera de la Reina.Talavera de la Reina es una ciudad y municipio español, ubicada en el noroeste de la provincia de Toledo, en la Comunidad Autónoma de Castilla-La Mancha.
Independientemente del partido que sea, este tipo colgó estas fotos en su
página web, masacrando animales.
No entyeendoo como puede estar soonriendo i feliiz despues de haber matado a esos gatoos..!
A gente como esa ai ke cortarles las pelotas hacercelas comer i dejar ke se desangren .."

...viva o poder popular...

...vinho velho vinho novo...

Primeiro-ministro convida Alegre para Moçambique.Manuel Alegre foi convidado por Sócrates para integrar a comitiva que o acompanha na viagem a Moçambique, entre os dias 2 e 5 de Março próximos.  A deslocação de Manuel Alegre a Moçambique já estaria agendada, na qualidade de presidente do júri do Prémio Leya 2009, que este ano distingue o escritor moçambicano Borges Coelho. Tendo conhecimento desta iniciativa, José Sócrates terá convidado Manuel Alegre a viajar no avião que fretou para a deslocação da sua comitiva.
Qual significado de tal aproximação?
Vão falar de quê?
Cartas, telemóveis e outras formas de comunicar?
Só pode.
Já agora, dizem os comunicadores de Sócrates que as Energias Renováveis dominam a agenda do primeiro-ministro em Moçambique, para onde viaja com cerca de 60 empresários.
Energias Renováveis tem tudo a ver com o Manuel Alegre, pois então!!

...quanto mais lhe vejo o fundo...

Uma auditoria ao Ministério da Educação, na altura dirigido pela putativa Maria de Lurdes, revela que o ME pagou salários ilegais.
Isto porque o Ministério da Educação assumiu encargo de 5,1 milhões de euros, com professores colocados fora da casa.
Agora, o Tribunal de Contas diz que é ilegal.
Quem paga as asneiras desta gente?
Os mesmos de sempre.

...vara sucede constâncio...

Confesso que cheguei a pensar que a nomeação do Vitor Constâncio era uma brincadeira de carnaval, mas como afinal não o é... temos agora o Armando Vara para a sucessão, aliás um homem já experiente como caixa na CGD e muito próximo do Sócrates.

terça-feira, 2 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

...“LA VÍA QUE TRAÍA VIDA”...(25 años del cierre de la línea de La Fuente de San Esteban a Barca d´Alva y


Entierro simbólico de las voluntades institucionales.
7 de marzo, Puente Internacional
Han pasado años de olvido y abandono. Olvido tras olvido.
Oportunidades perdidas para una población que no las tiene.
Decimos ser europeos, pero aquí una extraordinaria obra de unos ingenieros constructores de túneles y puentes es presa del óxido, de la desidia y de la barbarie.
Otras vías ferroviarias abandonadas, sin ser Bien de Interés Cultural, están siendo reutilizadas para el aprovechamiento turístico en Francia, Suiza, Bélgica, Alemania…
¡Los portugueses ya han firmado el compromiso de rehabilitación desde Pocinho a Barca d´Alva!. Nuestros políticos actuales no son aquellos diputados, Galante y Silvela, que en una época convulsa, de desgarro social y económico (¡y era en 1881!), soñaron con traer el progreso y bienestar a la provincia de Salamanca mediante esta infraestructura.
A aquellos sí, a los de ahora no. No, no les damos las gracias. No se las merecen. Son el reflejo de una sociedad inmovilista, conformista, pasiva, carente de ideas y compromisos…
El próximo día siete de marzo, a las catorce horas, hora española, en Barca d´Alva, cerca de los pilares del puente internacional ferroviario, invitamos a participar en el “entierro simbólico de las voluntades 
institucionales”, que durante todo este tiempo han dado la espalda de formas distintas a esta única realidad de La Raya.
Este acto central, irá acompañado de otras actividades a las que también os invitamos (instalaciones, teatro de calle, fotografía y proyecciones). Pretendemos así promover y concienciar, de forma amable, la defensa del rico y excepcional patrimonio industrial que constituye la línea internacional del Duero - Douro, desde Pocinho a Barça d´Alva y desde aquí hasta La Fuente/Boadilla, tramo éste último declarado Bien de Interés Cultural con categoría de “Monumento”. No se trata sólo de una defensa para preservar ese patrimonio para las generaciones futuras, sino que además planteamos esta acción como forma de romper una dinâmica que, tras decenios de inmovilismo o, como mucho, de tímidas actuaciones, no parece conducir más que a la ausencia de proyectos reales de futuro y que, por lo tanto, condena a esta infraestructura al abandono.
La explotación y reutilización de este magnifico recurso patrimonial tiene todos los componentes para convertirse en un revulsivo económico que traería benefícios directos a las poblaciones locales, al plantear un foco diferencial y singular de atracción turística, cultural y lúdica de primer orden. Tal vez el espíritu de nuestros añorados Adolfo Galante y Silvela se reencarnen algún día. Y será bueno, porque indicará que también nosotros hemos cambiado y transformamos la realidad que nos rodea. Y entonces, frente al Duero, podremos las voluntades, ya convertidas en hechos fehacientes.

Colectivo Camino de Hierro, 1 de marzo de 2010.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

...a noite treme...

Uma ambulância a chorar na avenida, coroada de lâmpadas azuis e encarnadas: deve ser a cozinheira a atravessar Lisboa. Lucília.
6:21 Quinta-feira, 18 de Fev de 2010
Os cães vadios chegavam em bando, vindos do escuro do pinhal, magríssimos, amarelos ou cinzentos, com feridas no lombo e de nariz junto à terra, a murmurarem. Aproximávamo-nos e fugiam com medo. Comiam pássaros mortos, carcaças de coelho, detritos. Às vezes, ao crepúsculo, sentia-os à volta da casa, procurando os sobejos do lixo no caixote: restos de frango, ossos, farrapos de embalagens de margarina, caroços de fruta. De tempos a tempos soluçavam, não ladravam nunca. Um deles, de pata mirrada no ar, caminhava com as outras três e as velhas, sentadas de lado nos burros, ameaçavam-nos com a bengala. Ou então dava com os cães de roda da capoeira a mirarem as galinhas. A cozinheira achava que eram almas penadas de gatunos. Os miúdos matavam-nos à pedrada, sob os castanheiros, e os animais ficavam para ali, cheios de moscas, a enterrarem-se sozinhos: quando não se enterra uma coisa viva a coisa sepulta-se sem ajuda, a pouco e pouco. As formigas auxiliam. E umas lagartas esquisitas, esbranquiçadas: tantos mistérios no mundo. Os arcos-íris, por exemplo, ou os milhafres da montanha, quietos lá em cima, a escolherem o vento. Tornei a dar por eles em África. Pelo menos pareciam-me eles, só que maiores e mais imóveis ainda. A única coisa que me surpreendia era a cozinheira não estar lá, a repetir
- Os milhafres
pasmada. Um dia adoeceu do peito e levaram-na. Desceu as escadas amparada a dois bombeiros. Lembro-me das pantufas e de segredar, pela dificuldade da boca
- Não tornamos a encontrar-nos, menino.
E não tornámos a encontrar-nos, realmente: o hospital de Viseu tão longe. Tudo tão longe nesse tempo, as caras dos adultos quase junto ao tecto, as cadeiras enormes e o mundo a encolher com os anos. Quando fica pequeno adoecemos nós: já vão sendo horas de arranjar umas pantufas.
Aqui, onde estou, a noite treme: não são as árvores, não são as sombras, não é a roupa, pendurada nos fios, que mal se distingue: quem treme é a noite. Move-se devagarinho na direcção de quê? Uma ambulância a chorar na avenida, coroada de lâmpadas azuis e encarnadas: deve ser a cozinheira a atravessar Lisboa. Lucília. A mala dela debaixo da cama, quase vazia, uma santinha fosforescente no vão da janela, brincos de pobre numa latita. Cheirava a lenha e a azedo, começava a ter rugas em torno da boca: se durasse uns meses mais tornava-se uma velha sentada de lado no burro a ameaçar os cães vadios com a bengala. Ao almoço tiravam uma batata crua do xaile e principiavam a roer-lhe a casca numa lentidão avarenta, enquanto os maridos, de boné, arrastavam a bota esquerda no largo. Reparando bem como a noite treme. Ou será a minha mão no papel? Avança e recua na cadência do sangue e eu a dilatar-me e a encolher-me com ela. Vontade de lhe chamar diminutivos: noitinha. Tão bonitos os diminutivos na nossa língua. Noitinha. Não tornamos a encontrar-nos, menino. E os brincos de pobre que não saem da ideia, a ferrugem na latita. Em cada ambulância é ela a circular na cidade, sem repouso. Não há hora que a não oiça, à roda, à roda. Se me aproximasse da ambulância fugiria com medo, como os cães? Ou levava-me à despensa
- Apetece-lhe um quadradinho de marmelada?
e ficava a ver-me comer, muito séria. Que queres de mim, noitinha, que não paras de chamar-me? Oiço o meu nome. Oiço o pêlo do tapete crescer, devo sentir-me sozinho, sinto-me sozinho, noitinha, confesso que me sinto sozinho: não há por acaso um burro aí para eu me sentar de lado com a minha batata no xaile? Roê-la mesmo crua, mesmo com casca? Cheirar a azedo e a lenha? Os milhafres em Portugal, os milhafres em África. As cadeiras enormes, tudo enorme. Apagar as luzes e ficar na casa vazia, de olhos abertos, à espera que qualquer coisa venha e me leve, não importa para que sítio desde que seja longe, onde ninguém me chama. De qualquer maneira, mesmo que permaneça à secretária, ninguém há-de chamar-me. visão

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

...a ponte do corge e o negócio da sucata ferriária...

Percorremos hoje em dia a pente fino a dramaturgica floresta, deste novo mundo, sem saber mais o que vamos encontrar, redes tentaculares? Redes de corrupção? Negócios ocultos? Podemos tingir os elementos, alterar as extravagâncias, não aceitar a embriagez e até cogitar na nudez da densa selva... mas... salta-nos ao caminho um trecho aparentemente furtivo: "Segundo o que o JN apurou, a acção insere-se no âmbito de uma investigação mais vasta, que tem vindo a ser desenvolvida desde há cerca de dois anos, relacionada com a existência de fortes suspeitas de práticas ilícitas, designadamente fuga ao fisco, branqueamento de capitais, facturas falsas, favorecimento e, eventualmente, corrupção, em negócios de compra e venda de sucata ferroviária." Até podem acusar a minha mente de heteróclita, mas não é que a ideia me assaltou? Até me podem acusar de partilhar da intoxicação e tomar tudo como sucata... mas não é que a maldita e descoroçoada ideia me assaltou? venda de sucata ferroviária!!!
 Encontrado um possível comprador, qual seria o valor da oferta????
E que rico negócio Manuel Godinho e a Refer poderiam fazer com a Ponte do Corge!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

...derrubar dois arsenais em quatro dias...


Indiferente ao calibre de armas ou ao número de munições, o FC Porto desmantelou, peça por peça, bala por bala, dois arsenais no lapso de apenas quatro dias. Primeiro o de Londres, depois o de Braga. Cada um na sua vez, tombou redondo no Dragão, vergado ao peso de um futebol explosivo e letal, que a revolta aos efeitos prolongados de uma emboscada ajudou a detonar, potenciando resultados devastadores.
O primeiro rebentamento não foi sequer surpresa, fazendo-se anunciar num assédio persistente, que deslocava o centro de decisões para as imediações da baliza de Eduardo. O rastilho, que ziguezagueava na aceleração curvilínea de Varela, fora aceso muito antes de um desvio primoroso de Raul Meireles levantar o estádio.
Havia muito, mas muito por deflagrar. O que estava para vir assemelhar-se-ia a um rebentamento em cadeia, sequenciado num misto de raça e talento replicado num extravagante colorido azul e branco, como num fogo-de-artifício bicolor. Cambaleante, o Braga tentava reerguer-se a custo, mas cairia por terra em dois minutos, percebendo, depois dos golos de Alvaro Pereira e Falcao, que pouco ficara para disputar ainda com o intervalo por vir.
O refinado sentido de oportunidade do avançado colombiano tinha tudo para colocar um ponto final na questão, que o prévio disparo do expresso do Uruguai, saído do meio de um pelotão de fuzilamento, se dispusera a acelerar. Pura ilusão. O FC Porto estourava em fibra e génio capazes de produzir mais duas explosões, numa exibição brilhante até na forma como solucionava as situações mais alarmantes na sua área. Porque também as houve. Porque o Braga também jogou.
Cinco golos é muito futebol, é uma torrente de categoria e engenho a compor um número e uma exibição para lembrar o desenlace recente perante um outro Sporting, também ele esmagado pela inspiração azul. É músculo, brilho e furor. Numa palavra, é Porto. Porto e a sua essência, a que não deve subtrair-se o mérito de derrubar dois arsenais em quatro dias  com um acumulado de sete golos marcados. Chamem-lhe goleada ou, se preferirem, apenas revolta. Ao cúmulo dos dois jogos obviamente, não aos outros."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

...ethos...

... armada em trigueira sem cuecas, ceifava e cantarolava uma cantiga rural: " pelos campos há moiras verdadeiras, oiço-lhe a voz no choro das ceifeiras"...
...irrompeu do meio do trigo um soldado de napoleão que lhe arregaçou as setes saias e com sua baioneta poderosa "apichou"o lume a suas entranhas!...
... a trigueira ceifava e cantava...
...ceifava e cantava... cada vez com  mais convicção sem capitular ao invasor...

...estar unidos é ser uma só voz, um só corpo, um só coração, um sentimento...

Jesualdo Ferreira: «Transportámos qualidade para o campo»
No rescaldo da vitória robusta sobre o Sporting de Braga (5-1), na 20.ª jornada da Liga, Jesualdo Ferreira preferiu falar em «qualidade» em vez de «raiva». No entanto, o treinador também sublinhou que o grupo está coeso e que, quando assim é, o FC Porto é uma equipa «muito difícil de bater». Aqui ficam as frases-chave da conferência de imprensa do técnico.

União da equipa
«Ontem, naquela conferência de imprensa de que não estavam à espera, falou-se em união, falou-se em FC Porto. Somos FC Porto e vamos continuar a ganhar, mas o importante é que nos deixem jogar. Isto é que é bonito e tem de interessar, isto é que é futebol. Foi um bom jogo, entre duas boas equipas que entraram para ganhar. Não vou muito pela palavra raiva, transportámos qualidade para dentro do campo, dentro da evolução natural da equipa, embora todos saibam que estamos fragilizados, por força das lesões e dos castigos. A equipa está fatigada, porque num espaço curto de tempo fizemos 14 jogos.»

Plano de jogo cumprido
«Depois do encontro com o Arsenal, tínhamos uma estratégia para meter velocidade e muita agressividade ofensiva, admitindo que o Sporting de Braga iria discutir o encontro. O FC Porto foi hoje excelente na forma como interpretou o plano de jogo. Provavelmente, na análise do jogo, vão dizer que o demérito foi do Braga. Vamos pôr o mérito no FC Porto, que foi uma equipa sólida, solidária, com processos de jogo simples, mas muito difíceis de anular. Gostava que ao fazerem as vossas análises não colocassem o Braga no patamar de baixo. Foi totalmente mérito do FC Porto, o Sporting de Braga tentou sempre discutir o jogo connosco.»

30 pontos em disputa
«Assistimos provavelmente ao melhor jogo desta Liga. Teve qualidade, intensidade, um grande público e bons golos. Fica também a ideia de que o FC Porto tem 10 jornadas para chegar àquilo que são os nossos objectivos finais. São 30 pontos, vai haver muito futebol, muitos casos, mas a nossa linha de rumo aponta para dois pontos: a recuperação dos jogadores lesionados e o aumento da qualidade de jogo, embora nem sempre seja possível jogar como hoje. Os 30 pontos são aquilo que neste momento nos motivam: jogo a jogo queremos recuperar o nosso atraso e chegar ao fim no lugar que queremos.»

Uma só voz
«O Fernando tem tido problemas, desde que contraiu uma entorse no jogo com a Oliveirense. Tem acusado alguma fadiga e pode ter algum impedimento. Depois de tudo o que fizemos, temos substituto para o Fernando. Hoje, não tínhamos nenhum substituto para os 3 avançados, e isso é que nos preocupa. Tivemos grande carácter e solidariedade como equipa. Estar unidos é ser uma só voz, um só corpo, um só coração, um sentimento. Hoje fomos isso e, quando é assim, o FC Porto é uma equipa muito difícil de bater. Unidos é um só, não se esqueçam.»

domingo, 21 de fevereiro de 2010

...efeitos perversos do sindicalismo docente...

"A polémica declaração pública de Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa, ao responsabilizar recentemente os efeitos perversos do sindicalismo docente pela perda de autoridade dos professores, deve obrigar a uma reflexão aprofundada sobre um sindicalismo que fez da rua palco ruidoso reivindicativo, a exemplo das manifestações das grandes massas operárias de pendor revolucionário de fins do século XIX.
E porque “toda a verdade gera um escândalo”, como escreveu Marguerite Yourcenar, de igual modo, deve dar que pensar o silêncio cúmplice dos sindicatos docentes a um artigo de opinião de Helena Matos (Público, 21/10/2008), bem contundente pela escolha do titulo: “Para que servem os sindicatos?”
Do referido texto, transcrevo dados referentes a sindicatos docentes que, ainda segundo Helena Matos, “são uma extensão da administração pública e por ela sustentados”: “Os 450 professores que estão destacados nos sindicatos representam uma despesa anual superior a oito milhões de euros. No ano lectivo passado, estavam destacados 1327 docentes (…) que custavam por ano 20 milhões de euros, segundo estimativas do governo” (Agência Lusa, 2006).
Entretanto, no terreno movediço de conveniências ocasionais, surgiu, em tempos, uma aliança entre catorze sindicatos de professores que, forçosamente, conduziria a desavenças e clivagens profissionais com todos os traumas que a repulsão entre pólos opostos, por si só, justifica. Isto porque atendendo à pluralidade de interesses em jogo, segundo Cover (1986), “a opinião comum que é possível obter tem sempre um limite trágico”.
Disso mesmo nos viria a dar prova a Federação Nacional de Educação (FNE), quando o seu secretário-geral, João Dias da Silva, durante o seu 9.º Congresso (2008), reconhece ter a FNE “perdido visibilidade ao integrar-se na Plataforma Sindical, dizendo que no futuro serão necessários acordos para impedir que alguns sindicatos se sobreponham a outros injustamente”.
Reminiscências do sonho de unicidade sindical de inspiração marxista, emergente logo a seguir ao 25 de Abril e prontamente confrontado com o acordar do processo democrático que permitiu o aparecimento de vários sindicatos de professores? Ou, apenas, uma plataforma reivindicativa travestida de unicidade que as especificidades políticas e estatutárias dos sindicatos nela integrados desaconselhavam e, muito menos, deviam tolerar?
Com a conivência de certos sindicalistas e em nome de uma utópica igualdade que corre o risco de destruir a escola pública, continua a assistir-se a uma defesa desesperada e intransigente de um estatuto profissional docente em que o mérito se quer abrangente para todos os professores, a fim de poderem ascender ao topo da carreira em calhas de simples antiguidade e frequência de acções de formação de êxito duvidoso face ao que se passa e vai transpirando, de quando em vez, para fora das nossas escolas e se verifica nos resultados do PISA.
Resultados que mais não reflectem que o facilitismo de um sistema educativo que não avalia (ou avalia mal) os resultados das aprendizagens dos alunos, através de exames nos três ciclos do ensino básico, para dissimular a nudez de um ensino que não ensina adoptando a política do avestruz por "não queremos crer, realmente, na verdade, sendo essa uma das pobrezas do nosso tempo" (Jorge Luís Borges).
O murmúrio dos professores sem receio de serem avaliados em parâmetros de saber, de sacerdócio, de esforço, de dedicação ao seu múnus, deve merecer tanta ou mais audição junto dos poderes públicos que a vozearia daqueles que pretendem impor um estatuto da carreira docente ao serviço da mediocridade. Por outras palavras, em democracia as causas justas não devem submergir em ondas de turbas com slogans revolucionários que defendem os direitos para uns e os deveres para outros.
Será talvez a altura dos dirigentes de um sindicalismo arcaico se debruçarem atentamente sobre a tese de doutoramento em Sociologia de Manuel Carvalho da Silva, defendida no ISCTE, em Julho de 2007, intitulada “Centralidade do Trabalho e Acção Colectiva – Sindicalismo em Tempo de Globalização”, que termina com a seguinte advertência: “Os sindicatos estão desafiados a ter futuro”. E esse futuro, segundo o seu autor, passa por um mundo mais exigente e ajustado aos novos tempos em que cada um deve procurar ser mais qualificado, a excelência deve ser perseguida e os mais capazes devem ser premiados em resultado do seu contributo para os resultados.
Este género de sindicalismo, adaptado às necessidades dos tempos que correm, parece não ter caído nas boas graças do Partido Comunista Português. Assim, cito do Público (09/01/2008): “Manuel Carvalho da Silva poderá abandonar a liderança da CGTP e não ser sequer candidato a secretário-geral no próximo congresso que se realiza a 15 e 16 de Fevereiro. Carvalho da Silva terá mesmo já comunicado a dirigentes do PCP que não está disponível para continuar a dar a cara pela maior central sindical portuguesa, perante o tipo de imposições que este partido tem feito quanto à composição da futura direcção, bem como à estratégia e programa a seguir no futuro pela CGTP”.
Em notícia do mesmo jornal (23/01/2009) lia-se, em título, “Futuro do movimento sindical está em risco, diz a UGT de Portugal”. A razão apresentada pelo respectivo secretário-geral, João Proença, foi o risco “face ao baixo nível de sindicalização dos jovens portugueses, uma realidade que obriga a repensar a imagem dos sindicatos”.E acrescentava: “A UGT deve manter uma política de sindicalismo com propostas, que trabalha para obter acordos e que nunca faz da luta um objectivo de acção”.
Sintomaticamente, um estudo, incindindo sobre uma população de 16 países europeus, publicado no mês de Fevereiro de 2009 nas Selecções do Reader’s Digest, colocou a profissão de líder sindical entre as profissões menos confiáveis em Portugal. Para tentar inverter esta tendência, em tempo de mudança para um novo paradigma, um sindicalismo que se deseja moderno e responsável não deve continuar a asssumir uma política reivindicativa, exclusivamente, laboral, descurando os verdadeiros problemas de um sistema educativo que “ensina pouco, educa menos e exige quase nada”, em denúncia da Associação Comercial do Porto, anos atrás.
Em defesa de uma necessária paz social, embora num contexto mais amplo, no seu livro, “A transformação da política”, escreve Daniel Innerarity, considerado, pelo Le Nouvel Observateur, como um dos grandes pensadores do mundo actual, “que os recriminadores de ofício (…) costumam esquecer que a capacidade de indignação é limitada, classificando-os de “hooligans” da crispação política, oportunistas e ressentidos contra as instituições e a democracia de partidos”.
De forma lamentável e em resquícios de uma luta sindical do passado, uns tantos sindicatos docentes responsáveis por manifestações constantes no sector da Educação parecem querer continuar a criar um clima de conflito permanente, terreno fértil para a desestabilização da sociedade portuguesa e prejuízo presente e futuro para o sistema educativo português seu refém imediato. Como diziam os deputados do vintismo, nunca mais aprendemos."aqui

sábado, 20 de fevereiro de 2010

...desacreditar em bloco...digestão peculiar...


"Quero salientar o mérito pessoal e político de José Sócrates, porque o PS partiu para estas eleições legislativas numa situação de desvantagem. O PS tinha perdido as eleições europeias, houve uma campanha pessoal contra José Sócrates, havia descontentamento, mas o PS deu a volta à situação" Alegre

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

...semente de linhaça...

Segundo vários arqueólogos, no Antigo Egipto a linhaça era usada em mumificações. Outros achados apontam que era usada com sucesso para tratar ferimentos. E, se antigamente fazia parte até mesmo de rituais, hoje ela marca presença nos laboratórios de grandes centros de pesquisa em nutrição.
A semente de linhaça é considerada um alimento funcional, ou seja, contém, além dos seus nutrientes básicos, elementos que podem diminuir o risco de algumas doenças. O seu uso contínuo pode proporcionar aumento da defesa orgânica e redução do ritmo de envelhecimento celular.
Na composição da semente de linhaça estão presentes proteínas, fibras alimentares e ácidos gordos polinsaturados (Ómega 3 e Ómega 6), que lhe conferem a propriedade de alimento funcional. A semente de linhaça é a mais rica fonte de Ómega 3 existente na natureza.
Vários centros de investigação, têm focado a sua atenção no papel desta semente na prevenção e cura de numerosas doenças degenerativas.
Muitos estudos estão sendo desenvolvidos para confirmar os benefícios do consumo regular da semente de linhaça. Alguns desses estudos afirmam que a linhaça poderia ajudar a baixar os níveis de colesterol, pois é rica em fibras solúveis. Também esta sendo estudada outras funções e tem benefícios como:
Rejuvenescedor
Emagrecimento
Auxilia no combate a anemia
Auxilia no combate ao cancro: mama, próstata, cólon, de pulmão, etc...
Auxiliar no combate à acne.
Auxiliar no equilíbrio hormonal: TPM e menopausa;
Auxiliar na diminuição do risco de aterosclerose;
Auxiliar no controle da glicemia
O consumo regular de linhaça favorece o controlo dos níveis de açúcar no sangue.
Vitalidade Física
Sistema Digestivo
Sistema Nervoso
Doenças Inflamatórias
Retenção de Líquidos
Sistema Imunológico
Sistema Cardiovascular
Funcionamento Intestinal
Para o auxílio na redução de mau colesterol
Pele e Cabelo
Para aproveitar ao máximo os benefícios nutricionais da semente o melhor é triturá-la no liquidificador. De outra forma a casca, bastante resistente, pode passar intacta pelo aparelho digestivo, e assim as substâncias benéficas ficam impedidas de sair. Deve-se triturar e comer logo a seguir, porque a linhaça é muito susceptível à oxidação.
As sementes podem ser utilizadas em iogurtes, saladas, sumos, misturadas com cereais, massas de pão e bolos e em todos os outros alimentos. Também pode substituir o óleo ou gordura utilizada numa receita. Por exemplo, se uma receita pedir 1/3 chávena de chá de óleo, use 1 colher de sopa de semente de linhaça moída, em substituição.
Os cientistas só não chegaram ainda a uma conclusão sobre a quantidade ideal de consumo. Já vi várias sugestões de porções, desde 25 gramas (1 colher de sopa bem cheia) até 45 gramas (quase 2 colheres) por dia. Alcançar esta última indicação é bem mais difícil. A inclusão da semente no dia-a-dia deve ser gradual. aqui

...um dia vegetariano por semana...

Sabe que, no relatório «A Longa Sombra da Criação de Gado - Questões e Opções Ambientais», a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) declara que o sector da criação de gado emite gases nocivos em maior escala que os produzidos por todos os tipos de transportes em conjunto?
Sabe que o Banco Mundial demonstrou que, desde 1970, 91% da deflorestação na Amazónia está ligada às necessidades da indústria da carne, agravando os efeitos do aquecimento climático, que é um dos maiores problemas actuais do planeta?
Sabe que a indústria da carne é responsável por 37% de todo o metano devido às actividades humanas (que contribui para o aquecimento global 23 vezes mais que o dióxido de carbono), em grande parte produzido pelo sistema digestivo dos ruminantes, bem como por 64% do amoníaco que contribui para as chuvas ácidas?
Sabe que a pecuária intensiva é responsável pelo empobrecimento dos solos e põe em risco as reservas naturais de água, uma vez que a produção de um só quilo de carne de vaca necessita de 7 quilos de cereais ou feijões de soja e cerca de 15.000 litros de água?
Está consciente que a criação de gado incide assim directamente sobre o aquecimento climático, a poluição dos solos e dos lençóis freáticos, ao mesmo tempo que representa um terrível desperdício, pois perto de um terço dos cereais produzidos mundialmente destina­-se a alimentar animais?
Já pensou que, se os países “desenvolvidos” diminuíssem o consumo de carne, seria possível erradicar a fome que mata perto de seis milhões de crianças todos os anos no mundo?
Sabe que, a manterem­-se os números actuais da actividade piscatória, em 2048 não haverá peixes em liberdade nos mares e oceanos, o que acarreta consequências gravíssimas para o ecossistema? E sabe que os peixes e outros animais marinhos criados nas chamadas “fish farms”, usadas como alternativa à pesca em alto mar e que já fornecem metade do peixe consumido pelo ser humano, consomem eles próprios animais pescados em alto mar?
Sabe que as “fish farms” produzem largas quantidades de resíduos, que se espalham pelo oceano e mesmo até à costa, e que as concentrações anti-naturais em que os animais vivem nesses locais favorecem o desenvolvimento de uma série de doenças e parasitas?
A quem interessa este péssimo negócio, que só prejudica o planeta, o homem e os animais, criados, transportados e abatidos nas condições mais cruéis? A ninguém, excepto a uma minoria de grandes empresas e empresários, que, com o apoio dos governos e com a nossa colaboração, enriquece sacrificando à sua ganância as populações, os animais e o planeta.
É por isso que, tal como fez a Fundação Brigitte Bardot em França, o Partido Pelos Animais vem pedir ao Governo português que instaure um dia vegetariano em todas as instituições públicas, convidando as privadas a fazerem o mesmo. A exemplo do que sucede no município de Gent, na Bélgica, onde a Terça-feira foi delcarada “veggiedag”, sugerimos que todas as Terças-feiras as cantinas portuguesas apresentem ementas vegetarianas. A par disto, solicitamos aos cidadãos que, pelo bem do planeta, do homem e dos animais, se abstenham de comer carne e peixe nesse dia, o que é também extremamente benéfico para a saúde. Todos nos sentiremos melhor e, quem sabe, descobriremos que podemos estender progressivamente a dieta vegetariana a mais dias.
A redução do consumo de carne e peixe é hoje um imperativo ético, ecológico, terapêutico e económico, bem como o exercício da consciência cívica e política mais esclarecida que cada vez mais urge na actual situação do planeta.
Solicitamos à comunicação social que difunda esta proposta e a todos os cidadãos que a ponham em prática e divulguem por todos os meios.
Sexta-­feira, 23 de Outubro de 2009
A Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais
Fontes:
Livestock a major threat to environment (2006, 29 de Novembro). FAO Newsroom. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Opportunity Untapped (2006, 22 de Março). FAO Newsroom. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Biello, David (2006, 2 de Novembro). Overfishing Could Take Seafood Off the Menu by 2048. Scientific American. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Margulis, Sergio (2004). World Bank Working Paper No. 22: Causes of Deforestation of the Brazilian Amazon [versão electrónica]. The World Bank. Washington, D. C.. Acedido em 21 de Outubro de 2009
Schwartz, Mark (2009, 8 de Setembro). Stanford study: Half of the fish consumed globally is now raised on farms. Stanford University News. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Steinfeld, H., Gerber, P., Wassenaar, T., Castel, V., Rosales, M. e de Haan, C, (2006). Livestock's long shadow ­ Environmental issues and options [versão electrónica]. FAO. Roma. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Stober, Dan (2009, 20 de Fevereiro). Coasts catch fish farming’s dirty drift. Stanford University News. Acedido em 21 de Outubro de 2009.

...uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado? ...

E os sindicatos?

Penso que os sindicatos foram em parte destruídos pela evolução da organização do trabalho. Não se opuseram à introdução dos novos métodos de avaliação. Mesmo os trabalhadores sindicalizados viram-se presos numa dinâmica em que aceitaram compromissos com a direcção. Em França, a sindicalização diminuiu imenso – as pessoas já não acreditam nos sindicatos porque conhecem as suas práticas desleais. aqui

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

...certificação europeia...

"Os «quartos» não ficam propriamente ali ao lado, ao virar da esquina, porque só uma exibição perfeita em Londres permitirá ao Dragão repetir a presença entre os oito melhores da Europa, mas sobre a qualidade portista não restam dúvidas. Com um jogo positivo, preparado para ganhar, o Arsenal fez muito mais do que contribuir para o brilho da vitória do FC Porto. Passou-lhe, pelo seu próprio punho, o atestado, acrescido de certificado de garantia.
Atitude foi, claramente, um dos atributos destacados do regresso portista à UEFA Champions League, mas o termo revela-se insuficiente para caracterizar a reapresentação, feita também de classe e aptidão no passe e na escolha de soluções e, em particular, na gestão dos ritmos de jogo, que oscilaram entre o rápido e… o muito rápido.
Ainda o primeiro minuto mal havia expirado e já a audácia atacante tinha aproximado o FC Porto do golo. Para Fabiansky deixara de haver defesa, mas o remate colocado de Ruben Micael encontraria o corpo de um adversário a meio caminho da baliza.
A sequência imediata sublinhava a intencionalidade do jogo portista, que não se fazia de acasos, e o golo tornava-se uma inevitabilidade, reduzida a uma mera questão de tempo. Mesmo que, no minuto imediato, Hulk falhasse o alvo por pouco, num remate cruzado.
A vantagem percebia-se no ar, quase podia cheirar-se, de tão intensa e rápida que a partida se tornara. Brilhante na posse de bola, o Arsenal não conseguia evitar o assédio à baliza do guarda-redes polaco que protegia as suas redes e, à terceira, Varela marcou, num pontapé em que misturou cruzamento e remate, depois de um drible absolutamente fabuloso sobre Clichy.
Num encontro de alto calibre, disputado palmo a palmo, a cada nesga de terreno e a um ritmo elevado, em que o FC Porto não corria sozinho e o Arsenal não dormia, o ascendente azul e branco desfez-se em sete minutos, num pontapé de canto que permitiu a Campbell compor a igualdade.
A lógica do ascendente portista, interrompida por uma enérgica disputa pela supremacia, foi retomada pouco depois do intervalo, na transformação rápida de um livre indirecto na área defendida pelos londrinos, que permitiu a Falcao fazer o 2-1 final, muito antes de os opositores darem a questão por encerrada.
Em períodos distintos, como que à vez, FC Porto e Arsenal estiveram por cima, mais fortes, mas os Dragões ficaram bem mais perto do 3-1, que acrescentaria margem de manobra para o jogo do Emirates Stadium, do que propriamente os ingleses do empate."

...as tetas da república...

A propósito do desafio lançado pelo jornal i (alicerçado na ideia de João Cutileiro que se propõe reformar o dito busto), e em ano de comemoração do centenário da República, sobre a necessidade ou não de mudar o busto da República, enquanto imagem que se melhor se adeque ao hodierno novo século - e por entre vozes que defendem que a imagem se mantenha e outros que sugerem recriações de Amália ou de velhas decrépitas com mais duma centena de anos -, o sempre subversivo Manuel João Vieira respondeu desta forma:
"Absolutamente. Deve ser substituído pelo busto de Ártemis, deusa grega associada à fertilidade, com múltiplos seios. A República precisa de ter mais tetas para tanta gente. Duas não chegam. Deviam dar leite ou vinho ao povo. (...) As mamas falam mesmo quando estão mudas." aqui