domingo, 28 de março de 2010

...a puta da garganeira...

"Até agora só conheço um militante do BE que declarou apoio ao "monárquico" Fernando Nobre - tem a opinião dele. Não creio que isso tenha muito significado."francisco louçã aqui
Que falta de respeito pelo aderentes, apoiantes de Nobre, da sua seita... isto deve ser o despeito pelo Fernando Nobre ter dado com as "patas" ao bloco quando sondado para se candidatar por este partido:) :) :) Ou foi alegre a primeira opção???
E que significado acha que tem o seu apoio ao alegre? Candidato contra quem se candidatou quatro anos atrás?
a) poupa dinheiro na campanha.
b) ganha tempo de antena por que tanto suspira.
c) disfarça uma derrota e a ficção dos resultados nas legislativas.
d) CAVACO AGRADECE
O bloco e a igreja católica estão cada vez mais parecidos...

...latorturanoescultura.org...

sexta-feira, 26 de março de 2010

...eu disse... tu disseste...

... rascunhos para uma doutrina...

como entendemos o momento
suponho não haver necessidade de o provar.
soa-me que a conversa é clara
razoavelmente
acredita na razoabilidade do ancião

como entendemos as decisões invencíveis
voltemos à conversa sobre a cidade
soa-me que a conversa é clara
razoavelmente
acredita na razoabilidade da civilização


como entendemos a disciplina emocional
suponho que não podemos insistir nesse ponto
soa-me que a conversa é clara
razoavelmente
acredita na razoabilidade da situação


como entendemos a ciência social
suponho que temos de permitir a moral
soa-me que a conversa é clara
razoavelmente
acredita na razoabilidade do cidadão


como entendemos o impacto forjado
suponho ser suficiente invocar o nome
soa-me que a conversa é clara
razoavelmente
acredita na razoabilidade da condição


ana monteiro

...aldrabões & C.ª ...

"Hoje, a mentira faz parte de muito do discurso político oficial. Os que dizem que nos governam vão-nos impingindo soluções já gastas e sempre, mas sempre, com um único objectivo: castigar as classes sociais mais frágeis.
Os poderosos, os que fizeram tudo para que esta e outras crises nos atormentem, esses ficam a glorificar o aldrabão de feira.
Recordo-as, também, pela indiferença com que um País inteiro se deixou embalar.
Mentiras que circulam à velocidade da luz. Tudo o que foi dito e repetido em folhetos de campanha eleitoral, esquece-se e, pior, faz-se exactamente o contrário.
Não se aumentavam os impostos. Aumentam-se os impostos.
Aumenta-se a idade da reforma nos funcionários públicos.
Congelam-se os salários até ao ano, a perder de vista.
A receita para a crise é sempre a mesma. Podiam inovar, mas não sabem, não querem.
O Governo vai congelar as prestações não contributivas e reduzir a despesa com prestações sociais. Ou seja, nos anos em que a crise vai, ainda, ser mais grave para a maioria dos portugueses, mais e mais desemprego, mais e mais propinas, mais e mais aumento do endividamento (quem ainda o pode fazer), mais e mais falências, mais e mais aumento do preço dos medicamentos, das taxas hospitalares, mais e mais custo de vida, cortam-se nos míseros apoios sociais.
Quem suporta tamanha grandeza de sacrifícios?
Os mesmos de sempre.
Só um coio de aldrabões que manteve sempre que o deficit era de 2,8, até às eleições, agora, dá o dito por não dito e diz que já é só de 9%.
Tal facto obriga a ditadura financeira de Bruxelas a exigir um Plano de Estrangulamento dos Cidadãos (PEC).
Vão retirar as medidas excepcionais de apoio ao emprego e baixar o valor do subsídio de desemprego, porque, espanto dos espantos, segundo eles, deste modo, os desempregados podem “com maior rapidez regressar à vida activa”.
Argumentos falaciosos e hipócritas.
Regressar como e onde? Só se for para a emigração. Destino trágico de um povo a quem tudo lhe tiram. Até o direito a ter uma Pátria onde possam trabalhar.
Ou então, se já não se tiver idade para emigrar, regressar com outros ordenados, mais baixos dos que os que já tiveram antes de caírem na situação de desempregado.
E os benefícios fiscais, por exemplo os retirados por este governo em 2007, aos cidadãos portadores de deficiência?
Um Governo que prometeu compensar a perda de direitos desta população com políticas de inclusão alternativas. Desde então, das tais medidas anunciadas, nem sinal.
Mentiras e mais mentiras.
Apenas o tratamento fiscal em pé de quase igualdade entre quem não tem e quem tem que suportar sozinho os muitos custos decorrentes de ser portador de uma qualquer deficiência.
E, quanto à tributação das mais-valias, outra das medidas emblemáticas do programa, só será aplicada quando o quadro financeiro estiver estabilizado, dizem.
Ou seja, a mais-valia sobre a especulação bolsista, lá colocada para fingirem que a crise custa a todos, fica adiada para melhores dias.
Então a crise é mesmo só para alguns.
Bem de ver.
Imagina um qualquer governante, o desespero de quem fica sem trabalho e tem uma casa, filhos, compromissos, créditos para pagar?
Nunca passou por isso nem nunca soube o que é viver com ordenados mínimos para poder imaginar seja o que for.
Pensa em números e esquece-se do que representam pessoas.
Esquece-se ou está-se nas tintas que ainda é pior.
O mesmo Governo que, em representação do Estado, já perdoa a tributação das transacções com “off shores”, com as quais os ricos e poderosos do país se recriam na prática de crimes como a evasão fiscal ou o branqueamento de capitais, vai agora permitir, a troco de uma declaração daquilo que quiserem confessar que têm em paraísos fiscais e de uma taxa de cinco por cento sobre esse valor, que as empresas apanhadas na operação furacão não apenas limpem a sua ficha tributária, como ainda a sua ficha criminal.
Vergonhoso.
Dizem-nos ou querem-nos fazer acreditar que não há outra solução.
Há solução, sim senhor.
Bastava que houvesse vontade política de retirar todos os benefícios fiscais às empresas que apresentaram lucros superiores a 250 milhões de euros em 2009, para que fossem tributadas à taxa máxima, a receita cresceria 1500 milhões de euros.
Bastava limitar a consultadoria jurídica externa, a que o Governo vem recorrendo, sem qualquer justificação a não ser a de encher os bolsos dos escritórios de advogados «amigos» para, de imediato, reduzir a despesa em 189 milhões.
Bem mais do que a sangria prevista com a redução de benefícios fiscais às classes tratadas como “médias” pelo Plano, o tal PEC, que põem em pé de igualdade despesas com seguros de saúde privados, PPR’s ou o colégios de meninos com as despesas com habitação, saúde e educação daqueles que contam os tostões nos últimos dias de cada mês.
Mas, não se julgue que a mentira, o «dar o dito por não dito» é exclusivo do poder central.
Nada disso.
No quintal da paróquia, o executivo camarário da Guarda acertou com os trabalhadores do município, a 3 de Dezembro de 2009, que iriam passar de posição remuneratória através da opção Gestionária. Nada de excepcional pois, a Lei 12-A/2008 de 27 de Fevereiro prevê, precisamente, a possibilidade de as Autarquias Locais deliberarem sobre a mudança de posição remuneratória aos trabalhadores que obtenham classificação de Bom em cinco anos, de Excelente em dois e de Muito Bom em três anos.
Tudo isto foi devidamente acertado com os trabalhadores, repetimos.
Só que o presidente da Câmara Joaquim Valente, numa reunião de 17 de Fevereiro de 2010, vem dizer que já não iria respeitar o acordo feito.
Afinal, rasgam-se compromissos acertados em menos de dois meses? Mente-se e dá-se o dito por não dito? Quem pode acreditar nesta gente? Nesta e na outra, que são farinha do mesmo saco.
O exemplo do chefe projectado, na íntegra, no quintal, ou seja na Câmara da Guarda.
Os péssimos exemplos a serem fielmente seguidos.
Lembro, neste tempo de patranhas, as palavras de Almada Negreiros:«Portugal é um país decadente: porque a indiferença absorveu o patriotismo. O português como todos os decadentes, só conhece os sentimentos passivos: a resignação, o fatalismo, a indolência, o medo do perigo, o servilismo, a timidez e até a inversão. É preciso destruir este nosso atavismo alcoólico e sebastianismo, de beira-mar.O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos.Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades».
Por: Jorge Noutel * aqui

...the known universe...

quinta-feira, 25 de março de 2010

... a big fucking deal!...


"Joe Biden, vice-presidente dos EUA, disse ontem uma expressão muito popular ao abraçar Barack Obama em celebração da maior reforma dos últimos 40 anos para o sector da saúde.
“This is a big fucking deal!”, disse Biden, o que, numa tradução mais ou menos literal, será algo como “Este é um acordo do caraças!”. O “New York Post” chama de Bomba F a esta expressão e já há vários vídeos no YouTube onde é possível ouvir esse breve sussurro de Biden ao ouvido do presidente dos Estados Unidos.
Biden é frequentemente referido pela sua espontaneidade, algumas vezes desconcertante ou mesmo imprudente. As chamadas “gafes” do vice-presidente norte-americano são bem conhecidas."

Defensores de congresso extraordinário no Bloco de Esquerda já têm «cerca de duzentas assinaturas»

"O abaixo-assinado de um grupo de militantes do BE que defende uma convenção extraordinária para debater o apoio do partido a uma candidatura nas presidenciais já conta com cerca de duzentas assinaturas, disse à agência Lusa Isabel Faria.
A militante adiantou que a próxima Mesa Nacional do BE - órgão máximo entre convenções - realiza-se a 17 de Abril e que, nessa reunião, irá confrontar novamente a direcção do partido com o apoio a um outro candidato que não Manuel Alegre, alegando que «há uma grande percentagem de pessoas que quer discutir este tema».
Os subscritores do abaixo-assinado consideram que, apesar de o apoio a Manuel Alegre ter sido ratificado na última Mesa Nacional, «não houve suficiente discussão» do tema.
O candidato do BE à Câmara de Setúbal nas últimas autárquicas, Albérico Afonso, sustentou que «foi muito imprudente e até ilegítimo o apoio precoce e precipitado de alguns dirigentes da Comissão Política à candidatura de Manuel Alegre antes de a Mesa Nacional legitimar esta escolha».
Além disso, advogou o subscritor da petição, «a realidade política actual é mais complexa do que há um ano», quando ocorreu a convenção.
«Há um novo candidato, que apoiou o Bloco em eleições europeias [Fernando Nobre]. Por isso, vejo vantagens em rediscutir a estratégia presidencial», frisou Albérico Afonso.
De acordo com os estatutos do BE, para convocar uma convenção extraordinária são necessárias as assinaturas de 10 por cento dos militantes do partido, que no total andam «à volta de nove mil», referiu à Lusa João Pedro Freire, um outro militante que faz parte do movimento pró-convenção extraordinária.
Entre os defensores da convenção, que já criaram um blogue oficial - www.convencaoextraordinaria.blogspot.com -, estão os candidatos do BE à Câmara Municipal de Braga nas últimas autárquicas, João Delgado, ou à Câmara de Vila Franca de Xira, Carlos Patrão. "
Lusa / SOL

...sailors... in ten days...

quarta-feira, 24 de março de 2010

...as aventuras dos mão morta na casa encantada...

"Viagem à Casa Rolão, sede dos Mão Morta, numa altura em que reeditam os seus quatro primeiros álbuns e se aproxima a edição de um novo disco, "Pesadelo de Peluche".
Em plena Avenida Central, de Braga, repousa uma casa apalaçada em estilo barroco. É um dos pontos do roteiro cultural da cidade: no piso inferior, funciona a activa e recheada livraria Centésima Página. Uma porta no átrio de entrada barra o acesso à história desconhecida do edifício.
Batemos à velha porta de madeira. António Rafael, teclista e guitarrista dos Mão Morta, surge.
Estamos na Casa Rolão. Terá sido construída entre 1759 e 1765, para um industrial bracarense. Já foi a sede do Partido Social Democrata bracarense, nos anos 1970, mas no final dos anos 80 tornou-se a "sede" de uma entidade radicalmente diferente. Propriedade da família de António Rafael, a casa estava desabitada e foi o local ideal para uns Mão Morta em início de carreira assentarem arraiais. O dono original da casa - "um contestatário", assegura Rafael - teria gostado de assistir à evolução da banda...
Nas paredes há marcas de cartazes políticos arrancados à força, deixando para trás a cola peganhenta e eterna que os partidos tanto gostam de usar na propaganda, rabiscos a lápis, uma pintura tosca com a sigla "PSD" - fantasmas de um passado longínquo, dores de cabeça para António Rafael, que quer recuperar a casa e dar-lhe nova vida.
Mais de 20 anos depois de ter sido transformada pelos Mão Morta na sua sede, a Casa Rolão parece ter parado no tempo - isto excluindo a Centésima Página, propriedade da esposa de Rafael.
"Foi aqui que fizemos praticamente toda a nossa vida", diz Adolfo Luxúria Canibal, vocalista do grupo. "[Antes de virmos para aqui] Ensaiávamos em casa do Miguel [Pedro] todos apertadinhos", conta António Rafael.
Chamavam "galinheiro" ao espaço anterior. "Era frio no Inverno e um inferno no Verão. Por isso é que ganhámos uma fobia a ensaiar", brinca Miguel Pedro, baterista. As canções de "Mão Morta" (1988) e "Corações Felpudos" (1990) ainda foram cozinhadas no "galinheiro", mas a partir de "O.D. Rainha do Rock & Crawl" (1991) quase todos os discos foram ensaiados ou gravados na Casa Rolão, sempre em salas diferentes.
Entrar com a banda na casa, classificada como imóvel de interesse público pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, é viajar pelo percurso do grupo, que está a comemorar o seu 25º aniversário. O primeiro presente, os quatro primeiros discos da banda reeditados numa única caixa, já está nas lojas e em Abril chegará o segundo, um novo álbum, "Pesadelo de Peluche".
Onde agora funciona a editora do grupo, a Cobra, há um caixote do lixo feito a partir do aquário que Adolfo transportava em palco no espectáculo "Maldoror", o último grande empreendimento dos Mão Morta. Numa sala há outros destroços do percurso já percorrido pela banda: amplificadores, aparelhagens, cassetes VHS, disquetes, livros, um velho órgão Elka, o primeiro em que tocaram.
Numa divisão do piso superior inventaram um estúdio improvisado para gravar "O.D. Rainha do Rock & Crawl". "Íamos gravar ao Mosteiro de Tibães, mas quando chegámos lá a sala que tínhamos escolhido não tinha chão", lembra António Rafael. Sem chão, não havia a acústica perfeita que procuravam. A solução revelou-se positiva. "Estivemos um mês à vontade", conta Adolfo. "O.D. Rainha do Rock & Crawl" foi o primeiro disco com José Pedro Moura, ex-baixista que "traz o heavy metal" para a banda ("Anarquista Duval" é a maior prova dessa influência).
Talvez por isso tenha sido só nessa altura que a banda teve problemas na Casa Rolão. "Ensaiávamos até tarde. Às três da manhã veio cá a polícia. Aqui ao lado havia uma residência e não percebemos que estávamos a exagerar", recorda - sim, os Mão Morta que, em 1989, presenciaram Adolfo a cortar-se com uma faca em palco, com o curioso objectivo de acalmar a multidão arruaceira, e que, em 1993, viram o Theatro Circo de Braga ficar semidestruído pelos fãs, eram bons vizinhos." ler mais

...un estudio asocia adicción a Internet y autolesiones en jóvenes...

"SÍDNEY (Reuters) - Los adolescentes que son adictos a Internet son más propensos a implicarse en comportamientos autolesivos, según un estudio chino-australiano.
Los investigadores encuestaron a 1.618 adolescentes de entre 13 y 18 años en la provincia china de Guangdong sobre comportamientos tales como golpearse a sí mismos, tirarse del cabello o practicaban sobre sí mismos aplastamientos o quemaduras, al mismo tiempo que se les sometió a una prueba para medir la adicción a Internet.
La adicción a Internet ha sido clasificada como un problema de salud mental desde mediados de los años 90 con síntomas similares a otras adicciones.
La prueba halló que alrededor del 10 por ciento de los estudiantes estudiados eran moderadamente adictos a Internet, aunque menos del uno por ciento eran adictos de gravedad.
Los estudiantes calificados como moderadamente adictos a Internet fueron 2,4 veces más proclives a autolesionarse de una a cinco veces en los últimos seis meses que los estudiantes sin nada de adicción, dijo el doctor Lawrence Lam de la Universidad de Notre Dame de Australia.
"En los últimos años, con una mayor accesibilidad a Internet en la mayoría de los países de Asia, la adición a Internet se ha convertido en un problema mental entre los adolescentes, dijeron los investigadores en su estudio publicado en la publicación Injury Prevention.
"Muchos estudios han informado de la asociación entre la adición a Internet, los síntomas psiquiátricos y la depresión entre los adolescentes".
Los investigadores dijeron que los resultados sugerían una "fuerte y significativa" asociación entre la adicción a Internet y las autolesiones en la adolescencia incluso teniendo en cuenta otras variables asociadas con el comportamiento, como depresión, insatisfacción familiar o acontecimientos vitales estresantes.
Dijeron que esto sugería que la adicción a Internet es un factor de riesgo independiente para los comportamientos autolesivos.
Los expertos interpretan la adicción a Internet, entre otras cosas, como sentimientos de depresión, nerviosismo, mal humor, cuando no se está conectado, y sólo desaparece cuando el adicto vuelve a conectarse.
Fantasear o estar preocupado por no estar conectado a Internet es otro de los síntomas de la adicción online.
"Todos estos comportamientos pueden tener una raíz común... factores que requieren un estudio mayor", dijeron." aqui

terça-feira, 23 de março de 2010

...recusa...

...desenhar o sol... António Lobo Antunes...

Falo pouco, fico calado, a sentir. Dizer o quê? Se pudesse abrir o peito às pessoas e mostrar o que está dentro. Quanto mais gosto das pessoas mais emudeço
Apetece-me desenhar o sol a sorrir. Apetece-me desenhar uma menina ao lado de uma árvore grande e a menina ser maior do que a árvore. Apetece-me desenhar uma casa com uma varanda e na varanda flores de caules compridíssimos, até ao alto do papel. Apetece-me desenhar um homem cheio de botões no casaco. Apetece-me desenhar seja o que for em vez de escrever esta crónica. Vou começar um livro em abril, no dia oito, e dá-me medo começar um livro, passar dois anos, a treze horas por dia, naquilo, a acordar com ele, a adormecer com ele. Apareceu-me o título logo, coisa nova para mim, andava eu a trabalhar no plano, que são quatro folhas de papel de agenda cheias de gatafunhos e setas, a maior parte dos quais ilegíveis. Aliás não é um plano, antes coisas dispersas que talvez se condensem. Mas depois o livro em si não terá nada que ver, ou pouco terá que ver, com os gatafunhos e as setas. Serve para ir habituando a mão, agora destreinada, a tropeçar no papel. O meu material são cores, imagens, sons, um ou outro nome, tralha ao acaso, farrapos. Faço-o de insignificâncias que crescem e se vertebram a pouco e pouco segundo leis misteriosas. Depois desfaço. Depois faço de novo. Depois limpo. Depois torno a limpar. Depois acabo e nunca mais o quero ver. Estes últimos tempos tenho lido. De tudo, por puro vício, e sinto-me desocupado, inútil. Os outros trabalham e eu para aqui, à boa vida. Que raio de expressão, boa vida. Tem sido boa, a minha vida? Pareço um estabelecimento de relojoeiro com centenas de mostradores em horas diferentes. De vez em quando badaladas, de vez em quando um cuco a abrir uma portinha de madeira, a surgir de repente, a dobrar-se em vénias, a soluçar, a fechar a portinha, a sumir-se. Amanhã, vinte de fevereiro, é um dia amargo. Relógios gordos, pomposos, de caixa de vidro, relógios feios como a palavra neurastenia. Um piano a um canto da memória, com um metrónomo no tampo. Apetecia-me ter aqui uma ampulheta e observar a areia a cair. Uma frase de Hesse vem-me à cabeça, sem motivo: "É estranho caminhar no nevoeiro: as árvores não se conhecem umas às outras." Vem-me à cabeça e fica, às voltas: as árvores não se conhecem umas às outras. Em casa da Zezinha dei com uma moldura tão feia que se tornava bonita. Três irmãs lá dentro, por ordem de idade, e eu pegado à do meio, com doze anos. A seguir cresceu, a seguir pariu de mim, a seguir meteram-na numa caixa. E as árvores, que não se conhecem umas às outras, não param de falar.
Nunca lhes disse mas sinto-me bem com as minhas filhas: são três também. Falo pouco, fico calado, a sentir. Dizer o quê? Se pudesse abrir o peito às pessoas e mostrar o que está dentro. Quanto mais gosto das pessoas mais emudeço. As centenas de ponteiros não descansam. Se carregar numa tecla do piano ouvir-se-á alguma coisa? Jantei do outro lado da rua e voltei para casa. Na televisão pegada ao tecto as notícias, fornecidas por um senhor que produz romances. Devia ser obrigatório produzir romances: não faz barulho, é barato e mantém os autores ocupados. Se compusessem era um chinfrim, se pintassem um pivete e tudo sujo à volta. Será que as árvores não se conhecem mesmo umas às outras? Com o frio que está devia haver mantas para aquecer os joelhos das casas.
Há bocadinho apetecia-me desenhar o sol a sorrir, agora não sei o que me apetece. Que silêncio. Gostava de ouvir barulho de saltos de mulher no chão, a sua maneira de vestirem de gestos o interior das salas. Não me caía mal um aceno agora, a sombra de uma voz. De manhã a sombra da voz está no lado esquerdo delas, à tarde no direito. O mistério dos seus cabelos que me faz ter saudades do mar. Dia oito de abril. O sorriso da senhora do dono do restaurante enche-lhe a cara toda: basta sorrir para ficar agosto. Quando vista de lado era um agosto, quando vista de frente era um abril: olha, ainda me recordo do poeta Manuel Bandeira. Não esqueço nada: é o meu pior defeito. Memórias, remorsos, gente, o homem que em Angola me respondeu, à beira da picada, ao perguntar-lhe se a fazenda Pecagranja era perto:
- É perto mas é longe
e eu de boca aberta com tanta sabedoria. Um camponês esfarrapado a falar assim. Trazia o borrego preso por uma corda atada não ao pescoço, aos testículos. Se nos atam pelos testículos obedecemos que é uma limpeza. Tudo é perto mas é longe, amigo, desculpa a minha estupidez. Carta de um outro a um primo que lhe pedia cem escudos: perdoa não mandar os cem escudos mas já fechei o envelope. O que aprendi em África, meu Deus. E lá vêm as mangueiras, enormes, a longa, densa fila de mangueiras ao crepúsculo. Quero desenhar o sol a sorrir. Quero desenhar cerejas azuis como a Zezinha em pequena, numa folha de papel que emoldurei. Quero desenhar-me a mim, de chapéu de coco, polainas e bigode retorcido. Quero que não haja noite. Ou não haja manhã e me arranquem ao sono como quem puxa um adesivo horrível de uma zona com pêlos. Quero que me toquem, nem que seja com um dedo no ombro. Quero voltar da mata para sempre e ficar aqui sentado a olhar para vocês, de órbitas redondas como pires, como aquele negro velho, acocorado numa pedra ao centro da aldeia desfeita, indiferente às cabras mortas e à cinza, a chupar, de tempos a tempos, um pobre cigarro apagado." Visão

...pietá...

...o centro do mundo...


Baseado numa história de  de Wayne Wang, Miranda July, Paul Auster e Siri Hustvedt
"Um casal, Richard e Florence (Peter Sarsgaard e Molly Parker), chega a um luxuoso hotel em Las Vegas e logo de cara o carregador de malas explica que não é necessário viajar muito para conhecer o mundo, pois em Las Vegas existem a “Torre Eiffel” e “Veneza”, entre outras cópias de lugares famosos e seus monumentos. Esta é a primeira das três explicações sobre o que seria “O Centro do Mundo”, as outras duas serão as opiniões de Peter e de Florence e mostrará como eles tem visões diferentes do mundo.
Após a explicação do carregador percebemos que aquele não é um casal comum e em flashbacks descobriremos que Richard é um jovem que ficou milionário com a Internet e Florence é bateirista de uma banda que quer fazer sucesso e enquanto isso não acontece ela trabalha como stripper. O passeio do casal é na verdade um contrato entre os dois, onde ficou acertado que não haveria sentimentos e sim limitações quanto ao sexo, mas como todo ser humano é complicado, as coisas não correrão como o esperado.
Este diferente drama dirigido pelo chinês Wang, tenta com estilo mas sem grande profundidade, mostrar como a solidão é algo comum nos dias atuais e aflige pessoas de todos os níveis, além de deixar claro que o dinheiro pode comprar companhia, mas não amor e sentimento."

sábado, 20 de março de 2010

...xi li ge...


Um site publicou uma fotografia dele e rapidamente se tornou numa das pessoas mais faladas no ciberespaço chinês. Dizem ser o homem mais “cool” da China. Não é actor, não é músico, não é apresentador de televisão. É um sem-abrigo.
O seu nome é Xi Li Ge, mas há quem lhe chame “Príncipe Pedinte”, “Vagabundo Bonitão”, mas sobretudo “Mano Chique”. E quando se lêem os comentários ligados a esta verdadeira aparição, lê-se com frequência que ele é “o oprimido mais giro do século”. aqui

...a man is in love...

sexta-feira, 19 de março de 2010

...andam a fazer morcelas com o sangue alheio...

Vem um aderente do partido be da Covilhã, babar-se e vangloriar-se na comunicação social de terem, em sede da última Assembleia Municipal, arrebatado a sua «primeira grande vitória», orelhas e rabo, pela aprovação, por unanimidade, de uma recomendação apresentada sobre a Ponte do Corges, no sentido de que a câmara  proceda a todas as diligências necessárias no sentido da preservação da Ponte do Corges e da sua classificação como imóvel de interesse municipal.
A bem da verdade, da decência e da seriedade, este partido deveria ter apresentado a respectiva proposta de recomendação como iniciativa de uma cidadã, e nem precisava de ser citado o nome. É deplorável e miserável, em termos éticos, que este partido se venha babar e vangloriar das iniciativas de outros para branquear a  incompetência e o que não sabe fazer, numa atitude de puro oportunismo político.
Para que a memória refresque, partiu do blogue Carpinteira, em várias das suas postagens, a denúncia e  a indignação face à demolição da Ponte do Corge, não seria descabido ter-lhe feito referência, mesmo em sede de Assembleia Municipal. Para que a memória refresque, partiu de uma cidadã, não aderente deste partido, a iniciativa de solicitar ao deputado da Assembleia da República, Pedro Soares, uma intervenção junto do ministro tutelar, partiu de uma cidadã, desertora deste partido, a iniciativa de solicitar  a apresentação da respectiva recomendação, tendo anexado o grosso do corpo do texto levado a votação. Para que a memória nunca deixe de refrescar, o bloco de esquerda da Covilhã, vergonhosamente, nada fez durante todo este processo a não ser tingir a sua elegia, sem qualquer vergonha, com todo um trabalho de outros.
Para que a memória nunca deixe de refrescar, na dita Assembleia, esta foi a única proposta e a única intervenção da actual deputada municipal deste partido, portanto, deduz-se ser a blogosfera que marca a agenda do bloco de esquerda da Covilhã, que trabalho próprio... nada... aliás o novo "fôlego" que agora apregoam é a postura amorfa e de corpo presente, postura que vem marcando a sua intervenção em todas as Assembleias, votando à desgarrada ... e que em tudo contribui para o vingar da maioria de carlos pinto, aliás melhor figura fariam na bancada da maioria amenista... postura essa a que já não estavamos habituados neste partido, em anterior legislatura.
Ana Monteiro  

...e que tal um biombo?...

...cama de ferro...

...cheira aqui a qualquer coisa

1: Sindicatos assinam acordo muito contestado pelos professores
2: Ministério introduz alterações graves que não figuravam no acordo
3: Dirigentes sindicais incham o peito, dão uns murros na mesa e exigem – com voz grossa – que Ministério retire o “lixo” senão estão lixados…
4: Ministério, de mansinho, retira mesmo o tal lixo, quase pedindo desculpas…
5: Professores respiram de alívio e, afinal, já não acham o tal acordo assim tão mau.
6: Na manhã seguinte, sindicatos hão-de vir reclamar o reconhecimento da sua glória, conquistada na luta dura contra o Monstro da 5 de Outubro.
7: Professores baixam os olhos, envergonhados, e pedem perdão aos sindicatos por terem duvidado das suas boas intenções…
Conclusão: alguém nos anda a chamar parvos, colegas. Quem acham que é ?

quinta-feira, 18 de março de 2010

... a origem da corrupção em portugal...


A presença da corrupção parece fazer parte do nosso quotidiano, mesmo perante a precaridade instalada no desenrolar da  nossa finitude, desde muito cedo nos arrogamos o direito de negociar de antemão a garantia do tráfico de um "lugarzinho no céu" em troca de "uma fitinha para o chapéu" como ouvimos nesta aparente cantiga infantil.
Eu chamaria a isto a "cunha metafísica", pressionar o privilégio, a influência na decisão em troca de uma singela mas generosa fitinha para o chapéu, depressa se tranforma numa gorgeta dada ao empregado do hotel, no cabrito e na galinha dada aomédico, na garrafa de porto ao polícia, no pedido à prima do assessor do empresário ou do comparsa partidário, no saco azul, nas brigadas dos electrodomésticos, nas violações aos PDM´s, nos subornos (mercedes) a vereadores, nos financiamentos ilegais de campanhas... 
A corrupção é desculpabilizada tanto nos rotineiros costumes afegãos, como nos  portugueses, aliás, riscar a corrupção seria mutilar gravemente a identidade deste país de "fadistas e faias", seria como tirar o cozido da nossa  tradicional ementa, quem nunca ouviu dizer de um autarca "rouba, mas tem obra feita"!!!

...um reboliço do caraças...

"Manuel Alegre tem o seu primeiro documento de propaganda em distribuição massiva nos próximos dias. A autoria é do Bloco de Esquerda, que mistura no habitual jornal gratuito (que os militantes distribuem nos centros das cidades e nas grandes empresas) a denúncia às políticas anti-sociais de Sócrates, e ao PEC, com a pr...omoção do candidato que Sócrates apoiará.
Não clarifica, perturba a luta. É uma iniciativa aparentemente para consumo interno mas que será divulgada a centenas de milhar de portugueses, muitos dos quais são eleitores do Bloco, mas não são eleitores de Alegre.
Não havia necessidade, neste momento, de prosseguir uma campanha que vai de precipitação em precipitação. Tudo isto me recorda a novela Sá Fernandes, com os resultados que todos conhecemos e que muitos bloquistas, entre os quais me encontro, criticaram em tempo útil. Nessa altura como agora, a resposta foram adjectivos fortes. Veremos se agora, como então, o resultado será semelhante." João Delgado - facebook

quarta-feira, 17 de março de 2010

...a Igreja Católica é um local perigoso para as criancinhas!...

...vampire weekend...

...beirute...

...enrolhados...

...Covilhã não vai ter Casino...ainda bem...

Quando da  atribuição à concessionária da zona de exploração de jogo do Estoril definiu-se  existência de uma zona de protecção concorrencial de 300 Km em torno do local onde se situa o Casino do Estoril, zona essa que não pode ser interceptada por qualquer outra, afastando a possibilidade da existência de um casino na Covilhã.
Mas... a ser assim a Covilhã deveria beneficiar das contrapartidas financeiras pagas anualmente pelo Casino de Lisboa, neste caso exclusivamente à cidade de Lisboa,  violando princípios constitucionais como sejam os princípios da igualdade e da proporcionalidade.

terça-feira, 16 de março de 2010

...ferrat...1930/2010...

...um almoço vegetariano...


arroz de abóbora
Refogar cebola, alho e muita abóbora em azeite, acescentar àgua e deixar ferver, acrescentar arroz. quando o arroz estiver quase cozido acrecentar bróculos e cogumelos e sal.

espetadas de legumes
dispor no espeto tomate mini chucha, bróculos apenas escaldados e cogumelos... passar na figideira por um molho de azeite, muito alho, pimenta preta, tomilho, cebolinho e oregão.

salada
temperar os canónigos com azeite, sal e vinagre de sidra.

...canónigos..

"Planta da moda ainda pouco conhecida entre os portugueses, considerada "gourmet" por alguns gastrossexuais. Plantada por uma minoria embora cresça no estado selvagem em toda a zona temperada da Europa, Ásia Menor e Cáucaso; consome-se praticamente só na Europa!...
Excelente verdura que pode substituir ou complementar os vegetais tradicionais como a alface, o agrião ou até a rúcula... Simplesmente em salada, ou como decorativa num prato fica sempre apelativa!.... Cada um pode realçar o toque gourmet à sua imaginação!
Os canónigos são ricos em vitaminas, minerais e ácido fólico e possuem um valor calórico muito baixo, podendo ser usados para dietas de emagrecimento.
Curiosidade: Parece que o nome de canónigo atribui-se ao facto de muitas vezes ser encontrada nos jardins das residências dos párocos.
Tenho ainda a dizer-vos que eu já plantei canónigos e que também os colhi... e não sou pároco!!!... E a floreira serviu perfeitamente...."aqui

...Paul Bowles...

POLÉMICA
Concordo inteiramente com o que dizes.
Quando as nuvens e as palavras se separam
O ar estremece e o cosmos fragmenta-se.
Enquanto não se conhecer a intenção
Nenhum caminho será descoberto.
A Índia era pó, um leopardo à sombra de uma pedra.
Cheguei à entrada da cidadeE aí estava ela, branca, à luz do sol.
As paisagens são absurdas enquanto não se aceitam.
Salaamed humedeceu os lábios e colou-os ao pó.
Ele é o vale e o vale é ele.
Mas até à morte negar-te-ei o direito de o dizer.
Paul Bowles nasceu em Nova Iorque, em 1910. Jovem ainda, publicou alguns poemas no jornal literário Transition, de Paris, por onde também passaram alguns nomes do modernismo, como James Joyce e Éluard. Entrou por essa altura na Universidade de Virginia. Aos 19 anos, decidiu viajar de barco pela Europa, tendo partido sem avisar os pais. Começavam assim as grandes viagens (sempre de barco) que fez durante parte significativa da sua vida.
Em 1931, em Paris, conheceu Virgil Thomson e Gertrude Stein. Stein influenciou-o fortemente, em termos profissionais e pessoais — foi ela que o convenceu de que não tinha jeito para a poesia e o mandou a Marrocos, tendo sido nessa viagem que Bowles se apaixonou por Tânger.
Os anos seguintes foram marcados pela errância, pelas viagens e pela composição de música. Bowles vivia como um nómada, acabando por regressar sempre a Nova Iorque, cidade que tratava com desprezo. Casou-se em 1938 com Jane Auer (também ela aspirante a escritora), mantendo ambos relações homossexuais fora do casamento. Entretanto, as suas composições musicais eram muito apreciadas pelo público — assinou, entre outras, colaborações com o realizador Orson Welles e com o escritor e dramaturgo Tennesse Williams. Também por essa altura, o seu interesse pela escrita começou a evidenciar-se. Em 1942, escrevia críticas de música para o jornal New York Herald Tribune e começou fazer traduções. Em 1945, publicava regularmente as suas próprias histórias na imprensa norte-americana.
Algum tempo depois da segunda Guerra Mundial, em 1947, partiu novamente para Marrocos, fixando-se em Tânger (por essa altura escreveu The Sheltering Sky — O Céu que Nos Protege, que é até hoje a sua obra mais conhecida e foi adaptada para o cinema por Bernardo Bertolucci). Em 1957, Jane sofreu um ataque cardíaco e adoeceu — «era o fim dos bons anos», escreveu Bowles na sua autobiografia, referindo-se a esta época. Ainda no final da década de 50 travou conhecimento com muitos dos escritores da beat generation, que o visitavam em Tânger — Ginsberg (que mais tarde o ajudou a publicar algumas histórias nos E.U.A.), Corso e Kerouac, entre outros.
Entre 1968 e 1969, trabalhou como professor na San Fernando State University. A morte de Jane em 1973, entre outros factores, fizeram com que Bowles não regressasse aos E.U.A. durante mais de 25 anos. Nos anos 80 tornou a trabalhar como professor, mas desta vez em Tânger, num programa de Verão apoiado pela School of Visual Arts de Nova Iorque. Em 1995, voltou finalmente a Nova Iorque, para acompanhar um festival feito com a sua música (dirigida por Jonathan Sheffer). A obra de Bowles (tanto literária como musical) tem vindo a captar maior atenção do público desde o início da década de 90: uma grande parte da sua música foi editada em CD e as suas histórias passadas para cinema.
Morreu em Tânger, em 1999.
Como legado, deixou numerosas peças musicais, poemas, novelas, contos, e apontamentos de viagens, assim como traduções para inglês de vários autores de origem árabe/islâmica e transcrições de lendas da tradição oral. aqui

segunda-feira, 15 de março de 2010

...waltz with pogues...

Jane e Louise Wilson: Tempo Suspenso

"A mais vasta exposição individual das gémeas britânicas Jane and Louise Wilson, que incluirá a sua primeira obra em filme Hypnotic Suggestion 505 (1993), mas também obras inéditas como uma série de esculturas que jogam com a arquitectura do CAM e o vídeo Songs for My Mother (2009). A mostra transporta-nos, tanto no sentido psicológico como histórico, para um universo suspenso entre épocas, narrativas e arquitecturas. Um mergulho numa dimensão trans-temporal e em imagens que simultaneamente seduzem e esmagam tem, no entanto, em muitos casos, como ponto de partida a realidade social e política actual."

A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa

"Primeira parte: Séculos XVII-XVIII
Uma exposição internacional dedicada ao tema da pintura de Natureza-morta na Europa – a primeira do género a realizar-se em Portugal - e que será apresentada em duas partes. A primeira, a realizar entre 12 de Fevereiro e 2 de Maio, será constituída por 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII. A produção dos séculos XIX e XX será exibida mais tarde, entre 20 de Outubro de 2011 e 8 de Janeiro de 2012.
A exposição pretende explorar os temas recorrentes da naturezamorta ao longo de quatro séculos de história: naturezasmortas com frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, gabinetes de curiosidades, Vanitas e obras em trompe-l’oeil. A diversidade do tratamento artístico destes temas nos vários países será demonstrada através do confronto de obras como, por exemplo, as naturezasmortas das pintoras Louise Moillon e Fede Galizia, ou as cenas de cozinha de JeanSiméon Chardin e Luis Meléndez.A colectânea reunida propõese examinar o amplo significado cultural e social da pintura de objectos e de alimentos. Os diversos sentidos da naturezamorta serão tratados em profundidade: imagens conciliadoras de satisfação material podem conter igualmente mensagens morais sobre os conceitos de abundância e consumo, mas também uma chamada de atenção para a transitoriedade da vida, sobretudo evidente nos exemplos presentes da secular tradição da Vanitas, tanto nos países católicos como nos protestantes.
Integram a exposição obras de nomes fundamentais que cultivaram este género, como Juan Sanchéz Cotán, Juan van der Hamen, Pieter Claesz, Juan Zurbarán, Rembrandt van Rijn, Antonio de Pereda, Nicolas Largillièrre, JeanBaptiste Oudry e Francisco de Goya. As obras provêm de várias colecções privadas e de museus como a National Gallery of Art de Washington, o Metropolitan Museum de Nova Iorque, o Museu do Louvre, o Museu do Prado, o Rijksmuseum de Amesterdão, o Mauritshuis de Haia, a National Gallery de Londres, o Fitzwilliam Museum de Cambridge, entre tantos outros. O comissariado científico da exposição está a cargo de Peter Cherry, conceituado especialista em naturezamorta espanhola e italiana e responsável pelo Departamento de História de Arte e Arquitectura do Trinity College de Dublin. A mostra conta ainda com os contributos de John Loughman (pintura holandesa, flamenga e alemã), de Lesley Stevenson (pintura francesa), e de Neil Cox (naturezamorta no século XX).
O catálogo da exposição, em dois volumes, correspondentes a cada uma das partes, terá edições em português e em inglês. Os diferentes núcleos da exposição serão precedidos de ensaios introdutórios da autoria dos referidos especialistas. "

quarta-feira, 10 de março de 2010

...I Put A Spell On You' in aid of Concern Worldwide's work in Haiti...

...uma iniciativa parlamentar é sempre uma iniciativa parlamentar, ponto final...

...Ordena uma compilação de regras da definição que o definido não entre na definição, ponto final... e essas regras, só por si, afastam todo terrorismo na definição, ponto final... se recuarmos um pouco,  esta afirmação "uma iniciativa parlamentar é sempre uma iniciativa parlamentar", nada esclarece, mas recuando um pouco mais, o remate, conativamente por extenso, do "ponto final", já me faz vibrar nos meus anseios:) :) 
...Podemos concordar ou não, mas depressa nos apercebemos que a nossa pequena corte parlamentar, que nem heróis, possui um-sem-fim de relicários funcionais, noves fora os outros todos:) :) e...ter iniciativas parlamentares é um deles, por exemplo o de questionar um auxiliar do soberano da casa real, vulgo ministro, ponto final...
... o vulgar pescador do arenque, vulgo povo,  cai inevitavelmente na rede do intermediários, vulgo deputado, haverá lá forma mais célere de empacotar a sua autonomia e força vital, ponto de interrogação...
...porque os relicários estão desigualmente repartidos e generalizados, toda a iniciativa, do vulgar pescador do arenque, despenha-se em iniciativa diferida, ao cair na mão do hábil, catalizador e mobilizador intermediário, ponto final...
...não há volta a dar... não estranho as palavras do meu querido pai, palvras que revolviam as entranhas a toda a sua geração e vindouras: " a culpa deste país estar no estado em que está é dos intermediários", ponto final...
...Como nos disse Descartes, acreditando no que estava a dizer: " devemos desviar o olhar de coisas incompreensíveis para a máquina organizada", ponto final...

...afinal a ponte sempre vem abaixo... a imbecil resposta deste ministro... se não fosse ministro até o mandava à merda e tudo...



...lição de anatomia... rembrandt...

"O singular apagamento do corpo, apesar de exposto siginfica também que o famoso realismo do quadro de Rembrandt é, vendo com atenção, apenas aparente. Ao contrário do que é normal, o processo não se inicia pela abertura do abdómen e remoção dos intestinos, que são os primeiros a entrar em decomposição, mas (e também isso sugere um acto de punição) pela dissecação da mão do delito.
Ora esta mão tem notáveos particularidades. Não só é, se comparada com a que está mais perto do observador, grotescamente desproprocionada, como está, anatomicamente, invertida de todo. Os tendões à vista que, pela posição do polegar, deviam ser os da palma da mão esquerda, são na verdade os das costas da mão direita (...) É absolutamente impossivel que Rembrandt tenha feito isso sem querer."

...croque monsieur...

Receita para 2 pessoas
Ingredientes:
• 4 fatias de brioche (ou pão de fôrma comum)
• 2 ovos
• 1 copo de creme de leite fresco
• Queijo ralado tipo gruyère ou emmental
• 2 fatias de presunto cozido
• Sal e pimenta-do-reino a gosto


Prepare assim:
• Misture os ovos e o creme de leite, até formar um creme;
• Adicione 1 pitada de sal e pimenta-do-reino;
• Com uma concha, espalhe o creme sobre as fatias de pão, para que o miolo absorva o líquido;
• Espalhe uma porção generosa de queijo ralado sobre 2 fatias;
• Coloque 1 fatia de presunto, cobrindo toda a superfície do pão;
• Feche o sanduíche e despeje o restante do creme, cobrindo tudo com mais uma porção de queijo ralado;
• Leve ao forno pré-aquecido a 250ºC;
• Retire quando estiver gratinado por cima e levemente tostado por baixo.


Para dar um toque diferenciado ao croque,  trocar o presunto cozido por presunto tipo parma.
Para acompanhar o croque, sirva uma salada de folhas verdes, regada com um bom vinagre, azeite e um pouco de sal e pimenta-do-reino.

...os anéis de saturno..

"Será possível, ainda, a grandeza literária? Ante a decadência implacável da ambição literária, a convergente ascensão de desengano, a verborreia e a crueldade insensível como assuntos normativos da ficção ?… interrogava-se Susan Sontag a propósito da obra de W. G. Sebald. Uma literatura capaz de exprimir a consternação do mundo tão cheio de falsas representações, tão fútil? Acabo de ler Os anéis de Saturno e parece-me que sim, que é possível, apesar de tudo, uma literatura sedimentada como uma paisagem cuja topografia nos sacode, nos interpela, propondo-nos uma meditação sobre as ruínas que vamos deixando para trás. Essa a paisagem, literal e metafórica, que percorremos com Sebald em Os anéis de saturno, livro inclassificável (romance, ensaio-diário de viagem, autobiografia, enciclopédia ou tudo isso ao mesmo tempo, encadeado?…) sobre a melancolia do mundo. Meditação entre ruínas, alternada com breves ensaios sobre biografias obscuras, sobre o ciclo de vida dos arenques, a criação de bichos da seda, a natureza das guerras, a destruição das grandes florestas… eis alguns acidentes topográficos de uma cartografia que oscila entre a realidade e a ficção, rejeitando a normatividade temática, moral e literária. Sebald, o narrador a quem o autor empresta o seu nome, é uma construção literária do promeneur solitaire, romântico, que empreende uma viagem como intromissão, como indagação através de uma paisagem real, com nomes, toponímias, datas, ilustrações que o narrador convoca criando um extraordinário efeito de verosimilhança: Em Agosto de 1992, quando os dias do Cão estavam a chegar ao fim, empreendi uma viagem a pé pelo condado de Suffolk, leste de Inglaterra, na esperança de pôr fim ao vazio que me invade sempre que termino um trabalho de fôlego. Reconhecemos aqui um processo narrativo semelhante ao utilizado pelo narrador-autor das Viagens na minha terra. Porém, enquanto em Almeida Garrett a viagem nos aproximava da natureza romântica, em Sebald ela não é mais do que um artifício para nos desvendar segredos de vidas obscuras: especulando se Sir Thomas Browne, na sua visita à Holanda, teria assistido à lição de anatomia pintada por Rembrandt; recordando um interlúdio romântico de Chateaubriand durante o seu exílio em Inglaterra; evocando os esforços de Roger de Casement para denunciar a infâmia do colonialiusmo belga no Congo; narrando as primeiras aventuras no mar de Joseph Conrad… E, sobretudo, para mostrar a devastação contemporânea da natureza (desaparece um bosque atrás do outro, as valas na orla dos caminhos onde a seu tempo floresciam primaveras e violetas são lavradas e terraplenadas… ); ou os escombros da guerra (vêem-se cidades francesas reduzidas a escombros e cinzas, cadáveres a apodrecer na terra de ninguém entre trincheiras, arvoredo abatido pelo fogo de artilharia, navios de guerra afundando-se no meio de nuvens negras de petróleo, colunas militares em marcha, intermináveis torrentes de fugitivos e zepelins rachados…), ou a desolação do mundo (nesse lugar de armazenagem não vejo uma só pessoa, só tijolos, milhões de tijolos…), na tentativa inútil de pôr fim ao vazio que o invade. Ao vazio, afinal, deixado pelo lado sombrio de uma modernidade que esqueceu as promessas para nos oferecer, somente, a paisagem em ruínas por onde o autor deambula procurando a redenção do mundo através da memória. A escrita, portanto, como única maneira de [se] defender das recordações que tantas vezes e tão inesperadamente [o] afectam e que aqui se mostram através de uma visão fatalista da História, como tragédia humana roçando o abismo, que um caminhante solitário nos dá a ver à hora do crepúsculo… sob um céu cor de tinta que cobre as nossas peregrinações pessoais através do litoral da própria melancolia onde se amontoam, também, recordações, sonhos, genealogias, naufrágios que Sebald faz libertar." aqui