sexta-feira, 31 de julho de 2009

... o beijo ...

...Bobby Robson - Um treinador "imortal" pela "marca da sua personalidade", diz José Mourinho...

"José Mourinho considera que Bobby Robson, de quem foi adjunto no Sporting, FC Porto e FC Barcelona, se tornou um treinador de futebol "imortal", porque deixou "a marca da sua personalidade" em todos os que o conheceram.
O antigo seleccionador inglês, que morreu hoje aos 76 anos vitimado por um cancro, conheceu o actual treinador do Inter de Milão em 1992, quando foi contratado pelo Sporting, e depois levou Mourinho consigo para o FC Porto e para o FC Barcelona.
"Não tenho palavras, por isso não falava há alguns meses com o sr. Robson. É difícil aceitar que uma pessoa como ele, um ser humano como ele, está quase a deixar-nos... Mas é imortal, porque deixou em todos os que o conheceram a marca da sua personalidade", disse José Mourinho à Agência Lusa. "

...dono de uma voz inconfundível, o poeta canadiano encantou quem o viu e ouviu em lisboa esta noite...

"Num Verão que ficará na memória dos lisboetas como o dos veteranos (o que faltou para trazer também Tom Waits?), um dos concertos que melhores recordações trará será com certeza aquele que o canadiano Leonard Cohen deu esta noite. Simpatia para dar e vender (referiu-se sempre à audiência como "caros amigos"), uma boa-disposição contagiante (por várias vezes saiu de palco a saltitar qual criança de 10 anos) e uma voz que não parece ter envelhecido, foram trunfos que Cohen usou para encher as medidas, até dos mais exigentes.
Um público maioritariamente composto por pessoas de uma faixa etária bem mais elevada que aquela que passou pelo Passeio Marítimo de Algés há uma semana, cantou, dançou e não parou de elogiar o cantor e a banda. No entanto, como comentava alguém à entrada, o cantor e escritor de canções arrasta uma legião de fãs que abarca várias gerações, pelo que não foi de estranhar a presença de filhos e netos (estrangeiros a rodos, também).
Pontualidade britânica, à hora marcada Cohen atacava já um dos seus temas mais conhecidos. "Dance Me to the End of Love" abriu um concerto de mais de duas horas, com um intervalo pelo meio. Do alto dos seus 73 anos, o cantor e escritor de canções continua um cavalheiro - chapéu e indumentária a condizer com a condição - partilhando o protagonismo com uma banda e um coro irrepreensíveis e agradecendo várias vezes o carinho de um público que até flores lhe arremessou.
Um alinhamento que não deixou de parte nenhuma das canções mais esperadas (uma pena não se ter ouvido "The Guests", no entanto) formou uma espécie de retrospectiva de carreira. Os três elementos do coro feminino fazem o contraponto perfeito (e sem excessos despropositados) à voz ainda encorpada e indescritivelmente profunda de Cohen. Os maiores arrepios chegaram, como seria de esperar, com "Hallelujah" e "Suzanne" (ambos na segunda metade do concerto) mas o momento eleito pelo público terá sido mesmo "I'm Your Man", com direito a coro bem afinado.
Sem o aparato de ecrãs gigantes, em palco o cantor de farta cabeleira branca desliza como uma sombra, fazendo ressoar a voz por um espaço bastante composto e iluminado por uma lua bem redonda. Entre agradecimentos, e antes da mensagem urgente de "Anthem", Cohen faz uma pausa para elogiar a música portuguesa e falar de um "mundo mergulhado no caos". Antes, já "Everybody Knows" e "Hey, That's No Way to Say Goodbye" tinham deixado o público totalmente rendido.
Coube a "Tower of Song" abrir com chave de ouro (e bastante garra) a segunda metade da actuação - o verso "I was born with the gift of a golden voice" arrancou, previsivelmente, ovação espontânea. "Boogie Street" é servido em formato de dueto intimista com Sharon Robinson e, antes do encore, "Take This Waltz" faz (mesmo) dançar.
O regresso ao palco é feito em passo vigoroso e bem-disposto. Com a garra de alguém por quem a idade não passou, incendeia os ânimos com "So Long, Marianne" e continua em alta com o ritmo galopante de "First We Take Manhattan". O solene "Sisters of Mercy" é apresentado depois de mais uma breve saída de palco e entrega depois de bandeja o protagonismos às Webb Sisters na prece hipnotizante de "If It Be Your Will".
"Closing Time" parecia querer encerrar a noite, mas, visivelmente satisfeito, Cohen regressa ainda para o íntimo "I Tried to Leave You". Solos para todos os elementos da banda, sempre convenientemente apresentados pelo anfitrião, numa despedida que termina em coro generalizado. "Obrigado por uma noite memorável", diz o cantor no final. Sem qualquer tipo de hesitação, retribuímos o agradecimento.
" ler aqui

...Leonard Cohen cantou a maior parte dos seus clássicos em lisboa...

...if you fall, fall in the side of luck...

"Por muito justa que seja a luta do Comité de Solidariedade com a Palestina, não vi algum sentido na manifestação/protesto, na entrada do pavilhão atlântico, com o objectivo de levar Leonard Cohen a não cantar em Israel.
Seria criminoso privar as muitas pessoas de bem que vivem em Israel( muitas, também elas, vitimas de um conflito) de viverem este momento de paz, e paz é o que Israel também precisa.
"

quinta-feira, 30 de julho de 2009


...os movimentos dos céus não são mais que uma eterna polifonia...

"Na sua obra Harmonices Mundi (1619), Kepler imaginou um coro no qual Mercúrio, a voz mais aguda, seria o Soprano, Vénus e Terra os Contraltos, Marte o Tenor, enquanto que Júpiter e Saturno, as vozes mais graves, seriam os Baixos. Nesta sua teoria da música celestial, ao planeta Terra correspondia um intervalo musical de meio-tom, que ele associou ao modo eclesiástico de mi (modo frígio), levando-o a concluir que a melodia entoada pela Terra era "mi – fá – mi". Kepler fazia esta descoberta durante a Guerra dos Trinta Anos, o que o levou a pensar que a Terra produzia um lamento constante, em nome da misere e fami (miséria e fome) que reinavam na altura (nas palavras de Kepler, Tellus canit MI-FA–MI ut vel ex syllaba conjicias, in hoc nostro domicilio Miseriam et Famen obtinere)."
"Praticamente um ano depois de ter marcado presença no Passeio Marítimo de Alcântara para um concerto que muitos ainda hoje recordam com saudade, Leonard Cohen prepara-se para esta noite reavivar as memórias de quem há muito marca o cancioneiro internacional.
Há mais de um ano na estrada com uma digressão internacional, Cohen regressa hoje a Lisboa para um concerto à porta fechada e para cerca de 12 mil pessoas que devem esgotar os lugares disponíveis da maior sala de espectáculos portuguesa.
O alinhamento das canções que Cohen deverá apresentar esta noite não andará muito longe daquele que o canadiano apresentou o ano passado em Algés num show de quase três horas e no qual temas como "Bird on the wire", "Take this waltz", "Hallelujah", "Suzanne", "Im your man", "So long, Marianne", "Sisters of mercy" e "Closing time" terão presença obrigatória.

Cohen com protesto à porta
Leonard Cohen subirá ao palco cerca das 21 horas, mas se passar antes pela entrada do Pavilhão Atlântico terá oportunidade de assistir a uma manifestação que tem como objectivo levar Leonard Cohen a não cantar em Israel.
A manifestação é organizada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina que entre as 19 e as 21 horas irá apelar em voz alta para que Leonard Cohen cancele o concerto que encerra a digressão europeia a realizar a 24 de Setembro, no estádio Ramat Gan, em Telavive.
Desde que foi anunciado que o cantor canadiano actuaria em Israel foram organizados vários protestos nos locais onde o músico tem actuado, como Londres, Nova Iorque e Belfast, cabendo agora a Lisboa e ao Comité de Solidariedade com a Palestina serem os protagonistas deste protesto.
Leonard Cohen não está insensível a todas estas manifestações e já anunciou que as receitas de bilheteira do concerto em Telavive reverterão para um fundação de defesa da paz e da tolerância no Médio-Oriente, mas colocou de parte qualquer cancelamento do espectáculo.
"
E faz muito bem Senhor Cohen!!!

...lições de paraquedismo... parte um...

"Eles saltam com ar convicto , aspecto asseado, bem falantes, sempre em defesa das populações abandonadas à escuridão e ao esquecimento . Vêm do ar aos "trambulhões " depois de muitos empurrões dentro do avião partidário que viaja de Lisboa. Trazem um dossier com todos os dados debaixo do braço. De forma quase inacreditável ao fim de uma semana já conhecem toda a gente lá na terra. Saltam porque lhes convém, porque a carreira os obriga a ser número um nem que seja algures no meio de nenhures. Estamos a falar de um desporto que existe há muito tempo, ainda o "pára-quedas" nem tinha sido inventado. Falamos do "paraquedismo" político. Um desporto que promove políticos, caídos no esquecimento, com contas a ajustar com adversários dentro das máquinas partidárias, uns fazendo um compasso de espera até surgir melhor local onde de novo saltar, outros ainda, caídos em desgraça e fazendo travessias do deserto. Existem muitas outras razões para se pertencer a esta categoria, carreirismo, protagonismo, ou até reciclagem. Não há nada melhor para reciclar um político do que emprestar o seu nome aquela terrinha perdida no mapa. Mostrar-se por um tempo, dar muitas conferências de imprensa, cortar fitas, beber uns copos com a fauna local, cair nas graças , elogiar as gentes locais , dizer bem mesmo quando muito criticado. Temos homem, pensarão os ingénuos. Não tarda nada está de novo em Lisboa, comentam outros. O pensamento é sempre o mesmo, esta região precisa de todos os políticos que se interessem por ela, que venha ao menos uma cara conhecida, um peso pesado , alguém que tenha voz. Descobre-se uns meses mais tarde que valores mais altos se levantam, provavelmente um lugar no Parlamento Europeu ou um cargo no Governo. Eis o "nosso" homem a enrolar o "pára-quedas" e a partir para outras paragens dizendo um adeus rápido e sem comentários. " Terras da Beira.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

...música, amor, deus e sexo...

O músico canadiano Leonard Cohen vai estar na quinta-feira no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, para um concerto praticamente esgotado que revisita um repertório de canções eternas sobre amor, religião e sexo.

...sobre a caça e os touros...Quem melhor para reflectir sobre o tema do que quem o sabe mesmo fazer? um dos grandes filósofos...

"Nesta conferência um grande toureiro fala do que é seu. Note-se que ao reduzir, na medida que lhe é possível, as considerações gerais e os inumeráveis temas relacionados com a arte de tourear, reclui-se na questão de onde estão pontas dos cornos do touro e onde, em relação com eles tem de estar o quadril do toureiro e cada uma das suas pernas e cada um dos seus braços e que movimentos e pausas deve praticar." José Ortega Y Gasset

...halípio onrado e o orgulho grego...

"O telégrafo deixara de funcionar; ou fora a atmosfera que deixou de funcionar, o que naquelas circunstâncias dava igual. Halípio escreveu uma mensagem com um novo pedido de socorro, colocou-a numa garrafa, selou-a e lançou-a ao mar. A garrafa não se afastou, foi-os seguindo sempre, como um cachorrinho tímido, e inclusive chamou outras. Ao vigésimo sexto dia deram com umas boas centenas de garrafas a rodear o barco. Lançaram as redes à água e pescaram algumas. Não eram mensagens de marinheiros que, como eles, houvessem perdido as graças do mar. Eram antes - assegurou-me Halípio baixando a voz- recados do além: na primeira garrafa que abriram encontraram uma mensagem da mãe do radiotelegrafista, falecida quando este era ainda muito criança num estúpido acidente doméstico.(...) Os mortos requeriam nas suas mensagens pequenos favores dos vivos, e a indulgência da sua memória, desculpavam-se por episódios passados, esclareciam outros.Os pescadores estavam tão esfomeados que se alimentaram das mensagens, cozinhando-as com um pouco água da chuva. Halípio guardou apenas um bilhete da avó, no qual esta transmite a receita dos famosos bolinhos de bacalhau e vaticina que um dia, quando Angola for independente, essa receita será muito útil. Halípio mostrou-me o bilhete. Um papel amarelo. Tinta azul, um pouco desbotada. Arrancou-mo das mãos antes que eu conseguisse ler o segredo. Os bolinhos são maravilhosos, acreditem: uma receita do outro mundo." Barroco tropical - José Eduardo Agualusa

...blade runner...

...imbondeiro...

"Dizer que as sementes do imbondeiro são sementes terríveis, só por uma influência ocidental, perdoa-se a Saint Exupéry. Para os africanos é praticamente uma árvore sagrada. O imbomdeiro, Adansonia digitata, L., da família das bombaceae, a mesma das ceibas. Esta planta tem dois tipos de folhas conforme a idade. Justificação para que no princípio do século passado fosse uma árvore considerada em vias de extinção e árvore fóssil por não se conhecer este facto e não se verem exemplares jovens com as folhas do exemplar adulto.
Em África ouvi um nativo dizer, que o imbomdeiro só dava fruto quando mudava de roupa. Pelas populações locais esta árvore é uma árvore protegida e muitas vezes se lhe ligam sentimentos religiosos. Nalguns locais é tido como um intermediário entre Deus e os homens. E percebe-se, pelo elevado número de utilizações que as populações locais fazem dele. As crateras que se abrem no interior do tronco, para além de poderem armazenar água, servem muitas vezes de celeiros de cereais e até de sepulturas.
As raízes algumas vezes são desenterradas para se tirar parte delas e produzir um corante vermelho, que se usa para corar olaria, madeiras e tecidos. Do entrecasco extraem-se fibras grosseiras que servem para a confecção de cordas e tecidos grosseiros. A polpa dos frutos seca dá origem a uma farinha de sabor agradável. A farinha é rica em vitaminas C e do complexo B, de enorme valor nutricional.
" extraído de um amador da natureza

terça-feira, 28 de julho de 2009

...e se depois... budapeste...



...os chassos da covibus são uma mina...

"A concessão dos transportes urbanos à Covibus é uma mina. Se não é, parece: recebeu 75.000,00€ por dois meses de serviço e agora, por mais dois meses, embolsa o mesmo que receberia por três: mais 115.000,00€. Apetece perguntar se o aumento da subvenção é um prémio pelo serviço de qualidade que a empresa presta, com os chassos que por aí se arrastam. Bendita providência...
Em Maio, Carlos Pinto "justificava a atribuição do serviço à empresa que ganhou o concurso para a concessão com o argumento de que fazia sentido os funcionários começarem a familiarizar-se com as rotas", segundo o NC. Agora, João Esgalhado, aparentemente preocupado com os lucros da empresa (sabe-se lá porquê...), "explicou que nos meses de Julho e Agosto há um número significativo de pessoas que sai da cidade, como é o caso dos estudantes, e faz diminuir as receitas da Covibus." Perceberam? " grémiodaestrela

Tenho pena de não ter feito registo fotográfico a uma folha A4 colocada no interior de um dos chassos, desta nossa idade do ouro do tranporte urbano, que fazia o trajecto pela Boidobra, lembro-me que dizia qualquer coisa como: "estima este autocarro pois quem dera aos meninos das aldeias o lá terem", era qualquer coisa deste género, uma verdadeira pérola, dentro de uma mica, cuja necessidade de demonstração se impõe, e sem a qual jamais perceberemos o seu alcance, se humorístico ou não.
Mas que raio!!! Já temos a prova que há dinheiro! pois temos! Já nos mostraram as fotos dos novos autocarros prontinhos e mortinhos por rolar no nosso asfalto! Pois mostraram! Conhecemos o descontentamento dos utilizadores! Pois conhecemos! Então porque é que temos de continuar a levar com esta sucataria rolante? Chiça!!! Também não estamos a exigir uma frota topo de gama, como a dos poderosos da Câmara Municipal da Covilhã! Pois não estamos!
Nem me atrevo a dizer que me cheira a marosca, pois ando sem disposição para ouvir o doutor fontes neves aos berros ameaçadores lá na sala de audiências... mas que me cheira a alguma coisa... lá isso cheira... ou será que Carlos Pinto, o presidente de província, se prepara para inaugurar as novas carreiras, uma a uma, com a respectiva garrafa de tranca da barriga, durante a campanha eleitoral? Ao estilo bem provicianesco.
Eu até já queimei uma perna no sistema de aquecimento destes chassos em pleno verão. chiça!!!!
ana monteiro
"Eu certamente não tenho outra coisa por boa, excepto a lisura dos licores, os prazeres de vénus, as doçuras percebidas pelo ouvido e as belezas que os olhos apreciam.”

domingo, 26 de julho de 2009

...the bruno movie trailer...

... cheira-me aqui a qualquer coisa...

«Os estudantes do Politécnico da Guarda vão pagar mais 70 euros de propinas no próximo ano lectivo. A proposta de aumento, apresentada pelo presidente do Instituto, foi aprovada pelo Conselho Geral sem grande contestação e destina-se a suprir «em parte» a diminuição dastransferências do Estado. Assim, as matrículas nas licenciaturas custarão 820 euros, contra os750 cobrados este ano, enquanto os mestrandos pagarão 1.200 euros e os frequentadores dos Cursos de Especialização Tecnológica (CET) 270euros. «Este aumento era inevitável», garantiu Jorge Mendes, presidente do Politécnico. Um opinião partilhada por Marco Loureiro,para quem esta medida é um mal menor. «Qualquer aumento nunca é uma boa proposta, mas podia ser pior, pois conseguimos que os responsáveisdo IPG optassem por uma subida menor», disse o presidente da Associação Académica da Guarda (AAG), adiantando que estava prevista ser apresentada uma proposta de aumento de «220 a 230 euros, atingindo assim de uma só vez o valor da propina máxima estipulada por lei[actualmente de 980 euros]». Para Marco Loureiro, os 820 euros são um montante «mais justo e consciente» para os estudantes. O dirigente assaca as culpas deste agravamento para o Ministério do Ensino Superior, lembrando que o IPG recebeu no último ano lectivo menos dois milhões de euros do Estado. «O que tem reflexos negativos na gestão do Politécnico. De resto, acreditamos que este desinvestimento vai continuar, pelo que a propina máxima será implementada mais cedo ou mais tarde», avisa Marco Loureiro, que destaca o facto do IPG ter ainda «uma das propinas mais baixas» do país, factor que acredita será atractivo para os futuros estudantes."ler aqui

sexta-feira, 24 de julho de 2009

...central fotovoltaica abre em setembro...

"Foram precisos quatro anos para passar do papel para o terreno. Em setembro começa a funcionar. Cobre uma área de cinco hectares, o equivalente a cinco campos de futebol. Quando estiver totalmente operacional, já no próximo mês de Setembro, produzirá energia suficiente para 30 a 40 habitações. A Horta Solar, instalada na Quinta da Charneca, na freguesia do Ferro é uma central fotovoltaica pequena, talvez a mais pequena do País, mas as vantagens que dela podem resultar, ao nível empresarial e pedagógico 'são grandes', disse ao Diário XXI João Nuno Serra.
O projecto foi seleccionado pela Agência Portuguesa de Investimento (API) como Projecto de Interesse Nacional (PIN) na área da inovação. Vai usar, pela primeira vez na Europa, seguidores solares bifaciais construídos por uma empresa do leste, a pedido da Enforce adoptando tecnologia semelhante à usada pelos russos nos satélites enviados para o espaço. Trata-se de uma tecnologia proposta pela empresa covilhanense, instalada no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã, porque gera mais electricidade que os sistemas tradicionais de montagem fixa.
Segundo João Nuno Serra, a nova tecnologia garantirá um ganho energético de 50 por cento quando comparado com instalações tradicionais fixas. 'A colocação de células fotovoltaicas nos dois lados do painel garante a produção de mais 20 por cento de energia e o seguimento solar garante mais 30 por cento representando uma eficiência energética 50 por cento superior, o que é muito significativo', disse o empresário. 'Apesar de existir algum nível de incerteza vamos validar na prática os cálculos teóricos. Estamos muito confiantes quanto aos resultados', acrescentou.

HORTA SOLAR SEM APOIOS
Embora seja uma experiência piloto, a Horta Solar não tem qualquer apoio para o investimento, superior a 700 mil euros, menos 300 mil do que estava inicialmente previsto. 'O risco é suportado pela banca em 80 por cento e por capitais próprios no restante', explicou João Nuno Serra. O Governo garante a entrada de toda a energia produzida pela central fotovoltaica na Rede Eléctrica Nacional a 35 cêntimos por kilowatts, ou seja três vezes superior aos 11 cêntimos cobrado pela EDP ao consumidor final. 'É uma boa ajuda porque 'permite amortizar o investimento em 13 anos', concluiu o empresário.

Russos à espera dos resultados
A empresa russa que forneceu os painéis bifaciais está expectorante quanto à eficiência do projecto. Segundo João Nuno Serra, a montagem de painéis bifaciais com seguimento solar 'é único no Mundo', O administrador da Enforce adiantou que 'os russos estão à espera dos resultados que vamos alcançar com o projecto para tomarmos decisões quanto ao fabrico dos módulos', Segundo João Nuno Serra, 'eles próprios [os russos] não tem capacidade para produzir em série caso se confirmem as expectativas e se abra um grande mercado em Portugal, Espanha ou nos Países de Língua Oficial Portuguesa', explicou. 'Ai teremos de pensar na criação de uma linha de montagem em Portugal', acrescentou o empresário, adiantando que 'há contactos já estabelecidos', com a Accionna, empresa que produz para a maior central fotovoltaica do Mundo, instalada em Moura, no Alentejo."
Francisco Cardona

quarta-feira, 22 de julho de 2009

...a concepção de estado...

"O pragmatismo de base da ciência política de Maquiavel delega no príncipe as funções de governação da coisa pública, afastando a igreja que se devia confinar às questões ligadas com os céus. Repescando de Aristóteles a ideia de que a política é a arte ligada à realidade em si e não ao que ela deveria ser, a sua ocupação com a política baseia-se em fundamentar e legitimar a esfera política baseada no carácter dos homens.
A palavra estados inaugura o primeiro capítulo d´O Príncipe que aparecem sob a forma de repúblicas ou principados (monarquias), porém, Maquiavel manifesta o desejo de criar o estado, o novo estado, fundado na unificação do país e cuja única ameaça residiria na fragmentação desse mesmo país, como era o caso de Itália, à época.
Apesar de Maquiavel não apresentar nesta obra uma definição de estado, mas percebemos que o que atrai Maquiavel é o poder soberano e unificado, independentemente da forma com que se vestir, ou de república, ou de monarquia, mas com o objectivo de como se podem governar e manter esses principados. Aliás, depreendemos desta obra que, a Maquiavel, pouco interessa que o estado seja novo, velho ou isto, mas os seus sustentáculos são as boas leis e os bons exércitos.
Temos de ter ainda em consideração a secularização desses principados, em que a igreja é totalmente afastada deste estado novo. Assentando a política nos conceitos de Virtú e Fortuna, estes arredam-na da ideias de bem e de mal e impõem a glória e a grandeza como novos princípios, exemplo disso César Bórgia que era tido como cruel, mas com a sua crueldade manteve o povo unido e em paz. Aliás, em Maquiavel, ao contrário de Aristóteles, a política tem como fim ela própria e não se tem de organizar em função de um fim fora de si, de justiça ou de injustiça, o que pode fundamentar a própria razão de estado, onde os fins justificam os meios. Daí a forma pejorativa como Maquiavel é sinalizado. O poder em Maquiavel assenta na capacidade do príncipe saber adequar uma resposta a uma situação que se lhe apresenta no presente, deixando de lado os princípios morais, e mais êxito terá, quanto mais eficaz e consequente for essa resposta. Não podemos considerar Maquiavel como amoral, mas a acção do príncipe não se baseia numa hierarquia de valores, mas, o critério reside nas consequências dessa mesma acção, a própria violência é legitimada como preservadora do estado e da ordem civil, e não pelo humor do governante.
A questão do estado desprende-se, para além de outras, da Obra de Marx, em parceira com Engels, no Manifesto do Partido Comunista, sendo este, não algo de transversal a todas as sociedades, mas uma criação da divisão de classes e da divisão social do trabalho, ou seja, é uma criação dentro da própria sociedade e não algo que lhe é imposto do exterior, é a própria “família” que lidera e que aparentemente legitima o estado, como acima da sociedade, e que a legitima como classe politicamente dominante. Vemos aqui um ponto de ruptura com Maquiavel, para quem o estado, apesar de se basear numa necessidade, subsiste para além da forma como se apresenta. O estado é comparado a uma máquina usada pelo capitalismo para reprimir o operariado. Com a emancipação do proletariado, com a organização da produção baseada na associação livre, diz Marx, o estado será atirado para o museu das antiguidades, ao lado da roda de fiar e do machado de bronze.
Marx apresenta-se como um grande crítico da igualdade contemplada nos direitos humanos e a figura do sufrágio universal, pois enquanto existir propriedade privada, que gera a desigualdade entre a classe detentora dos meios de produção e a detentora da força de trabalho, esta igualdade não sairá do domínio teórico. Com a revolução operária o estado perde a sua razão de existir, deixando de existir o antagonismo entre as classes e a própria noção de classe.
Podemos ver como exemplo dessa desigualdade o facto ao proletariado ser vedado o uso das armas, mas apenas ao exército ou polícia, o que em sociedades primitivas era universal. Outro exemplo, o da justiça, se as sociedades primitivas funcionavam e assembleias colectivas, onde todos se podiam pronunciar, na sociedade capitalista está reservado a uma certa minoria o direito de julgar." Ana Monteiro

terça-feira, 21 de julho de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

... land art...

A Land Art foi reconhecida como a mais "suportada" das inspirações artísticas. No final dos anos 60, um numero de artistas iniciou fora das quatro paredes da galeria uma série de criações no deserto e montanhas do Nevada, Utah, Arizona e Novo México. A Land Art deixa os espaços comuns de exposição como a galeria, o atelier e o museu para "investir no planeta". Renova a noção de exposição: uma experiência real e intransponível, representada em vastos espaços, como a montanha, o mar, o deserto e o campo, para uma maior liberdade criativa.
A Land Art foi (re)entendida como uma inspiração para os melhores artistas dessa época, o que resultou em algumas das mais surpreendentes e "díficeis-de-ver" obras de arte. Os artistas escolheram entrar eles mesmos na paisagem. Eles não representavam a paisagem, eles fundiam-se com ela; a sua arte não era simplesmente sobre a natureza, mas dentro dela. Não foram os primeiros a interessar-se pela terra, a Arte Povera também utilizou a "terra" nas suas composições, no entanto, os "Land Artists" apresentam-na num estado mais puro e bruto. As denominações Land Art (arte da terra) e Earthworks (trabalhos em / sobre a paisagem) aludem a um certo tipo de obras que têm como suporte a própria natureza, a paisagem exterior.
Os "Land Artists" usavam escavadoras e caterpillers para criar buracos na terra ou para construir largas rampas. O resultado foi uma enorme expansão da arte, na sua paisagem, na qual a formação da terra, o horizonte, o tempo e a erosão transformaram-se em verdadeiros materiais. . Os "Land Artists" aceitam os fenómenos atmosféricos, que enchem os fossos e esbatem os contornos cuidadosamente marcados, como parte integrante da obra. Desejam criar sem fabricar, e simultaneamente alertar para a precariedade de recursos naturais. O interesse destas realizações não é efémero, de um só gesto. Na Land Art a obra só se completa após a sua destruição, eternizando-se com arquivos fotográficos, que testemunham a sua evolução e decomposição.
Em espaços nus e desertos, ninguém poderá adquirir as suas obras nem lhes poderá atribuir uma cotação. Numa sociedade de hiperconsumo e de desenvolvimento industrial incontrolado, estes artistas recusam-se a criar objectos como "dama de companhia" de outros objectos.
Os seus círculos e espirais, tão característicos, são mais que uma expressão colossal da Arte Minimal. A projecção de uma atmosfera romântica associada ás órbitas cósmicas, os cultos de Fé e os rituais num espaço, a disseminação de um vasto panorama de imagens, tudo isto toca, de certa forma, na Land Art. Assim como os pintores da Landscape do século XVIII e XIX, - David Friedrich, John Constable – evocam constantemente os círculos megalíticos, estruturas indianas calendarizadas, pictogramas dos Peruvianos, entre outros.
A presença física de Michael Heizer, Robert Smithson, Walter De Maria, Robert Morris na natureza distingue-os dos outros comuns artistas. O envolvimento na paisagem é ainda mais profundo: a maior parte dos seus trabalhos estão estritamente ligados com os sítios. A força primordial do cenário, o desnudar das camadas geológicas, a exposição para a erosão e clima, o envolvimento corporal de humanos em profundidades artificiais monumentalizaram as suas obras, que viajam entre a história natural e a arte. Estes não são discretos, entendidos como representações isoladas, mas totalmente relacionados com o ambiente circundante - uma experiência inimitável, vivida nos espaços da galeria através de fotografias, mapas, documentos escritos.
Embora os artistas rejeitem o espaço físico da galeria, o que acontece de facto é que a Land Art, como todas as formas avant-garde activas, continua dependente do museu. Richard Long encontrou uma solução para este problema: a importação de elementos naturais para dentro da galeria - Vermont Georgia South Carolina Wyoming Circle, e Robert Smithson desenvolveu a teoria que relacionava a localização particular de um ambiente - o sítio - com os espaços anónimos e intercomplementares das galerias – os non-sites.
Na mesma esfera, embora num outro extremo, aparece-nos Christo e Jeanne-Claude, no seu trabalho interventivo na Landscape e, maioritariamente, na Cityscape. Nesta última, o seu trabalho, fisicamente efémero, envolve obrigatoriamente o social, tendo como resultado permanente a sensibilização comunitária e uma possível memória colectiva.
Em 1979, o crítico Rosalind Krauss propôs um entendimento racional, uma solução para a desmesurada proliferação da(s) arte(s). Baseando-se no campo extensivo de Morris, Krauss escreve que a Land Art poderia ser melhor definida como não sendo nem paisagem nem arquitectura. A sua inter-relação com as Instalações e a Environmental Art começou a fazer sentido. O conceito base foi-se transformando e adaptando, alterando a essência filosófica deste movimento - "Na Natureza nada se perde (…) tudo se transforma". aqui

...a inspiração atomista do materialismo dialéctico...

A tese de doutoramento de Marx, A diferença entre as filosofias da natureza em Demócrito e Epicuro, assim como a Ideologia Alemã e a Sagrada Família, são obras onde se desprendem assumidas influências do atomismo no materialismo de Marx, aliás, o próprio Marx considera que o materialismo da sua época é tributário do materialismo atomista de Epicuro e Demócrito.
Segundo Marx, a sua tese de doutoramento resolve um problema na filosofia grega, devolve a importância histórica e de pensamento ao círculo Epicuro, Estóicos e Cépticos. Para Marx a história nem sempre fez justiça para com estas linhas de pensamento, sendo mesmo consideradas como apêndices em relação ao pensamento grego. O próprio Hegel, o grande pensador, entrincheirado no que ele pensava que era o pensamento especulativo, não reconheceu a estes sistemas a devida importância em termos de história da filosofia. Na sua tese de doutoramento, Marx refere que a história da filosofia grega não fez justiça a estes sistemas, terminando a filosofia em Aristóteles, sendo as filosofias pós-Aristotélicas consideradas como um complemento incongruente, sem nenhuma relação com seus vigorosos antecessores, e a filosofia epicurista foi considerada como um agregado sincrético da física de Demócrito e da moral Cirenaica.
Mas, segundo Marx, estes sistemas são a chave para compreende a verdade da história grega. Não podemos afirmar que a tese de doutoramento de Marx seja um estudo exaustivo do atomismo, aliás é ele próprio que no-lo afirma, que o que lhe interessa particularmente não é uma teoria da matéria ou uma teoria das relações entre a matéria e o espírito, ou mesmo a diferença entre a física de Demócrito e Epicuro acerca dos átomos e o espaço. Na própria dedicatória ao futuro sogro, Ludwig von Westphalen, Marx, na senda de encontrar o elemento subjectivo destas filosofias, reconhece-as como de vital importância para decifrar a emergência da consciência-em-si e para a resolução do problema entre a filosofia e o mundo. Podemos ver já aqui um ponto de distanciamento em relação à filosofia hegeliana, se tivermos em conta a atenção que Marx vai dar à auto-consciência.
Desde a primeira parte da sua tese, podemos concluir que se na base do atomismo de Epicuro está o atomismo mecanicista de Demócrito, cedo se começam a traçar desigualdades, no que diz respeito à verdade, à possibilidade do conhecimento, à relação entre o pensamento e a realidade, e ao próprio sentido da ciência.
Se Epicuro deve aos livros de Demócrito a inspiração para a sua teoria física, porém, adopta uma postura crítica face a este na sua construção teórica, aliás, podemos situar Demócrito do lado da necessidade e Epicuro do lado do aprofundamento dessa mesma necessidade. Todo o atomismo é formado por construções singulares por parte dos pensadores que integrar esta escola, muito apesar de Cícero afirmar que não há nada na física de Epicuro que não esteja já na de Demócrito, o que se afigura como uma afirmação polémica.
Posicionando-se ao lado do filósofo do jardim, afasta-se de uma tendência para o cepticismo por parte de Demócrito, tendo este reduzido a realidade sensível à aparência subjectiva, não conseguiu estabelecer uma relação entre a essência e o fenómeno ao afirmar que a verdadeira realidade são os átomos e o vazio, sendo tudo o resto mera aparência, aderindo, Marx, à ideia de que as percepções sensíveis não podem ser eliminadas, afirmando que toda a sensação é verdadeira, pois revela com evidência imediata a natureza das coisas e determina o conhecimento racional. O erro ocorre quando a razão julga erradamente os dados da experiência sensível.
Demócrito cai assim no cepticismo recusando o conhecimento da essência das coisas e apenas as qualidades, dos átomos, percebidas através dos sentidos, tais como, o cheiro, o frio, a cor, na forma como são percebidos pelo sujeito, sendo, como tal, aparência e instabilidade, excluindo a verdade do ser.
Ao contrário de Demócrito, vemos em Epicuro a confiança no conhecimento da verdade a partir dos sentidos, como fonte segura do saber e os arautos da verdade, a Epicuro interessa encontrar a compreensão, de forma simples, para o mundo físico, que assenta na sua filosofia na divisão: a física -filosofia da natureza, a canónica - teoria do conhecimento e a ética filosofia moral, e o mais interessante será que são as duas primeiras a fundamentar a última.
Não podemos pensar Epicuro sem parar na sua ideia de declinação da linha recta associada ao movimento dos átomos, encontrando aqui a sua originalidade em relação a Demócrito que apenas equaciona, como movimentos que conduzem à formação de compostos, a queda em linha recta e a repulsão entre os átomos. Assim, segundo Marx a física de Demócrito assenta na categoria da necessidade, ou num determinismo natural, e exclui a génese ontológica da liberdade. Ao considerar a possibilidade do desvio da linha recta, ou de um terceiro movimento dos átomos no vazio, de repulsão, Epicuro, introduz a ideia de clinamen, ou movimento de declinação, como determinação formal, que chega até nós através Lucrécio, o único de todos os antigos que compreendeu a física de Epicuro, nas palavras de Marx.
Para Marx a declinação era um aspecto central na filosofia de Epicuro como originária da consciência de si singular e abstracta, não se ficando apenas como um elemento da física, mas ocupando um lugar central na sua moral, fundando mesmo a ideia da ataraxia.
A queda em linha recta, como determinação material, não contempla a individualidade ou singularidade de cada átomo, antes pelo contrário, torna-os simples pontos que se movem, sem liberdade ou autonomia. A ideia de liberdade atrai Marx, principalmente a ideia de uma vontade própria ou auto-determinação, introduzida por Epicuro através da ideia da possibilidade do acaso, na negação do movimento da linha recta. Nas palavras de Lucrécio, Epicuro, rompe com os laços da fatalidade, sendo uma quebra nas cadeias do destino. Aliás, como nos diz Marx, a própria existência das coisas depende da declinação, dado que movimento em linha recta impossibilitaria o encontro dos átomos.
A declinação para além de explicar o encontro entre os átomos, ultrapassa o campo da física, e no âmbito social e político, em formas como o contrato e a amizade, como movimentos de autodeterminação e autarquia dos homens singulares, que desviam o ser humano da sua imediatez natural e o lançam no plano da liberdade e até do fortuito, libertando o homem do determinismo, o que poderá aqui fazer eco na concepção da luta de classe em Marx.
Seguindo o raciocínio de Marx, a singularidade humana, realiza-se como tal, reportando-se a outra coisa, por exemplo a uma existência imediata.
O próprio conceito de existência alienada, tão caro a Marx, está já presente pelo conceito de contrariedade entre a forma pura e a expressão material dos átomos. Tamanho, forma e peso são as qualidades atribuídas aos átomos por Epicuro, na composição dos mesmos a forma é fundamental e daí podemos concluir que estamos perante uma relação dialéctica entre a forma e a matéria, sofrendo esses mesmos átomos de mutação, em diversas formas, entram em contradição com a ideia de imutabilidade do átomo, por exemplo a negação do tamanho seria a pequenez infinita. Marx assimila a ideia de contrariedade entre a essência e a existência, ou a alienação da essência, enquanto princípio constitutivo do ser, apresentando Epicuro com tendo representado o fenómeno através da materialização do átomo, na sua determinação material ou manifestação sensível.
Marx é sensível ao confronto da natureza com a sua forma, o que o leva a chamar Epicuro o Maior iluminista grego, na sua teoria económica, Marx recusa as leis eternas da economia, que poderão ser combatidas pela autonomia do indivíduo. Marx assimila também a ideia de uma realidade sensível como ponto de partida da consciência irrefutável, ou seja a importância da percepção sensível na formação da teoria.
Ana Monteiro

quarta-feira, 15 de julho de 2009

... buckle...

In this book, Stephen Buckle provides a historical perspective on the political philosophies of Locke and Hume, arguing that there are continuities in the development of seventeenth- and eighteenth-century political theory which have often gone unrecognized. He begins with a detailedexposition of Grotius's and Pufendorf's modern natural law theory, focusing on their accounts of the nature of natural law, human sociability, the development of forms of property, and the question of slavery. He then shows that Locke's political theory takes up and develops these basic themes ofnatural law. Buckle argues further that, rather than being a departure from this tradition, the moral sense theory of Hutcheson and Hume represents an attempt--which is not entirely successful--to underpin the natural law theory with an adequate moral psychology.

... a minha avaliação de desempenho...


domingo, 12 de julho de 2009

A desmistificação da verdade absoluta

Associada à filosofia contemporânea está a noção de crise, principalmente no conceito natureza humana e de verdade. A crença no homem como ser racional e capaz de conhecer e dominar a realidade, cai por terra com Marx, Freud e Nietzsche. Foucault diz que estes três filósofos abriram feridas inextinguíveis no pensamento actual, mudando a própria forma de interpretar a realidade num espaço com outra profundidade.
Sendo as relações materiais, responsáveis pelo rumo da história, infra-estrutura, condicionantes da vida e determinantes do pensamento, residindo nas forças económicas o rumo da história, sendo as condições materiais que suportam a super-estrutura, onde, o cérebro que constrói os sistemas filosóficos é o mesmo que constrói as estradas de ferro com as mãos dos operários, Marx não aceita o conceito de verdade universal, sendo esta a manifestação das ideias dominantes e a do interesse da classe dominante.
Marx apontou, desde logo, o dedo ao facto de não ser a consciência que domina a vida, mas a vida que domina a consciência, operando aqui a inversão teoria/prática, com acentuação na praxis revolucionária. O homem é um ser maleável que se projecta e constrói ele próprio o seu processo de emancipação pelo trabalho, dominando e transformando a própria natureza. O homem é aquilo que faz, a moral, a religião, a filosofia, estão necessariamente ligadas à praxis humana, sendo condicionadas por aquilo que o homem faz.
Freud, através da psicanálise, enfatizou o papel do inconsciente e dá voz à irracionalidade das paixões, pulsões e desejos, como motores do comportamento humano.
Nietzsche manteve o seu debate com a profundidade, nas palavras de Foucault, criticando a profundidade ideal ou de consciência, inventada pelos próprios filósofos, como uma procura inferior e mutiladora da profundidade, revelando-se na hipocrisia, na resignação e na máscara, que revelou apenas uma ruga da superficíe.
Sabemos que para Nietzsche o mundo desenvolve-se numa transformação constante, alheio à ordem e à racionalidade, e atravessada pela relatividade da verdade e pelo caos, a desordem e o fracasso em que o ser humano vive, lutando assim contra a vontade da verdade como absoluta e metafisicamente fundada, apoiada no ideal ascético. O ideal ascético foi até agora senhor de toda filosofia, [...] a verdade foi entronizada como Ser, como Deus, como instância suprema [...] A partir do momento em que a fé no Deus do ideal ascético é negada, passa a existir um novo problema: o problema do valor da verdade. – A Vontade de verdade requer uma crítica – com isso determinamos nossa tarefa –, o valor da verdade será posto em questão, palavras de Nietzsche na Genealogia da Moral. Não podemos deduzir que Nietzsche negue a verdade, mas sim a verdade absoluta, apontando para uma verdade como interpretação ou construção humana.
Nietzsche, na obra Genealogia da Moral destrona o conceito de Eu fixo e acabado, revelando-se contra a monadização da alma e afirmando a pluralidade dessa mesma alma. Para Nietzshe este conceito, e mesmo de homem, é uma criação domesticada, revelando-se grande crítico da noção grega de homem como racional e do seu conceito biblico de homem como imagem do deus. Nietzsche recupera a ideia anterior a Sócrates em que o homem era o exercício dos seus intintos, realizado na figura do super-homem, arredado da ideia de homem como ser consciente, responsável, trabalhador, respeitador das leis e temente a Deus. A origem da má consciência do homem faz-se no reprimir cruel dos instintos pela razão, pela sociedade, pela culpa, pela justiça, adoecendo o homem, tornando-se fraco e religioso. Para Nietzsche o paradigma da racionalidade que culmina na era moderna e subjuga os instintos criadores no homem.

Ana Monteiro

sábado, 11 de julho de 2009

... habemus soberanum....

... depois do jantar "imploratorium" e "ejaculatorium", a soberania do pelourinho atirou-se nos braços do povo, sem sequer exigir um "encore"... de quem vamos agora proteger os nossos rebanhos?

...que vivência foi esta, ao certo?...



...silêncio selvagem...

"Nada me surpreendeu mais do que saber, pelo PÚBLICO de ontem, que essa civilização nem sempre se estende à condenação dos selvagens. Falo dos selvagens que se divertem a pôr cães perigosos (que eles próprios criaram e treinaram para serem assim) a lutar contra outros cães.
Falo dos seres desumanos que põem os cães tão nervosos e agressivos que os condenam a uma existência psicótica. E que, de vez em quando, fogem do controlo dos donos, e atiram-se a quem calhar.
Por que carga de água-de-colónia, então, é que o PSD e o CDS-PP se abstiveram no diploma que criminaliza os promotores de lutas entre animais e os donos de cães perigosos que se atiram às pessoas?
Podem explicar-me o que há de tão polémico nesta lei que castiga quem organiza lutas entre animais? E que dá alguma satisfação às vítimas dos ataques destas bestas?
A nova lei é até daquelas desconcertantes que se estranha não haver já há muitos anos.
Saúde-se o deputado do PSD Mendes Bota, o único que votou a favor. Mas não chega. Fazer bonitos com abstenções é feio quando se trata de proteger pessoas e animais uns dos outros. E venha o Partido Pelos Animais!"

Miguel Esteves Cardoso

quinta-feira, 9 de julho de 2009

...é preciso chamar as coisas pelos nomes... vila velha de rodão...

... não quero saber o teu nome...

" O Último Tango em Paris é já há muito um autêntico emblema erótico da História do Cinema, e certamente assim continuará nos demais tempos vindouros, algo lhe deve, visto esta ter salientado o incontornável estatuto que detém tão libertadora obra. Por outro lado, a censura foi terrivelmente ingrata para com o filme em questão, pois é vergonhoso e descarado o mesmo ser privado de ser descoberto por espectadores com idade suficiente para o fazer, visto que O Último… merece precisamente o contrário. Conta-se que para tal ser levado a efeito na altura, tornou-se moda ir ao estrangeiro (para quem o seu país padecia de conservadorismo doentio) para poder visioná-lo, dado o intenso hype polémico que vigorava. Em Portugal, o seu visionamento foi proibido pela ditadura, situação que se quebrou somente após a Revolução dos Cravos. Embora a dimensão controversa da obra supere a qualitativa (há muito filme bem mais aclamado que este enquanto que os mais controversos não são assim tantos), esta não é, nem de longe nem de perto, o típico caso de possuidora de imensa fama e desprovida de méritos que a honrem.
Quanto à sobejamente conhecida história: um homem e uma mulher. Em Paris. Ela, Jeanne (Maria Schneider), uma jovem bonita parisiense, enquanto procura um apartamento depara-se com Paul (Marlon Brando), um misterioso americano desolado e atormentado cuja infiel mulher se suicidou recentemente. Entre os dois nasce instantaneamente uma estranha atracção, prolongando-se num ardente e tórrido romance que afectará profundamente as suas vidas, à medida que Paul tenta superar a morte da mulher e Jeanne prepara-se para casar com o seu noivo Tom (Jean-Pierre Léaud), que está a realizar um documentário sobre ela.
É insolitamente estabelecido na relação entre os dois o factor anonimato, para além da não descortinação do passado de ambos, embora este seja consideravelmente alvo de revisitações, no entanto duvidosas. E se é verdade que às vezes sentimos mais medo quando não vemos fisicamente o perigo, também às vezes o fascínio é maior quando este não é quebrado pelo desvanecer da sensação sedutora de mistério que permanece nos corpos. Uma opção ousada que vai no complexamente intrigante espírito da obra, mas os méritos estão bem longe de terminar por aqui.
Os actores entusiasmam: Brando, nomeado ao Óscar de Melhor Actor, e desencantadamente irrepreensível, é o elemento desconcertante da “estória de uma vida” pela qual é acompanhado por Schneider, sem possibilidade de evitarem os tumores emocionais que se alastram gradualmente. Schneider, detentora de uma putativa cara de garota, que, por não transportar devidamente essa inocente vulnerabilidade, é com alguma naturalidade que faz jus à “gata” que muito bem cultiva a bel-prazer de Brando. Enquanto isso, Jean-Pierre Léaud, actor fetiche de François Truffaut, interpreta com inteligente dinamismo o seu personagem. Mas como não é só de actores que resplandece a obra, há também que referir outros campos gloriosos. Um deles: a fotografia antiquadamente sedutora a propiciar um maior espírito de sedução e a enfatizar o apaixonante sentimento de mistério e obscurantismo que paira em muitas atmosferas de incerta tragédia emocional. Outro: a banda sonora jazzy a condensar eximiamente o ambiente carnal munido de notáveis requintes estéticos. Para estes, muito contribui a câmara de Bertolucci, nomeada ao Óscar de Melhor Realização. Esta, quando não se revela sobriamente discreta, opta por sentidos devaneios, ora a estilizar os espaços, ora a potenciar ainda mais a carga de visual deslumbramento dos personagens. Personagens esses com arrebatador fascínio, com um elevado grau de complexidade emocional, com uma intrigante carga de mistério, com… alma. "

terça-feira, 7 de julho de 2009

...still-life with grapes/ UTRECHT, adriaen van...


... tu pões-me tão quente...

...vitor franco... a banda sonora de uma vida...

....semalmente irei postar a banda sonora que melhor, no meu entender, se adapta a determinadas personagens e personalidades... a estreia é vitor franco...candidato à câmara de loures...

... eu cá sou bom...

Esta sim devia ser a banda sonora da vida de cristiano ronaldo...
...que dor de alma ver a minha música favorita dos xutos, "à minha maneira", fazer-se hino deste burgesso aburguesado...

...bloco de esquerda vai a votos no distrito...coordenadora distrital demite-se em bloco ...

O estatuto de terceira força política alcançado nas eleições Europeias trouxe ao Bloco de Esquerda (BE) dores de cabeça acrescidas, no distrito de Castelo Branco.
A Comissão Coordenadora Distrital (CCD), eleita em Fevereiro deste ano, prepara-se para realizar eleições antecipadas, em data a designar, para apaziguar os ânimos exaltados nos últimos meses.
Primeiro com a demissão de Ana Monteiro – do partido e da Assembleia Municipal da Covilhã – e agora, com a saída de Bruno Pereira, da CCD do BE e, também, da Assembleia Municipal de Castelo Branco por divergências profundas com os restantes sete membros da Coordenadora e com Vítor Franco, dirigente designado pela Mesa Nacional.
A antecipação das eleições para a CCD foi decidida a 25 de Junho, um dia antes de Bruno Pereira ter pedido a demissão alegando “subserviência” dos dirigentes distritais do BE às directivas apontadas por Vítor Franco.
A gota de água que fez transbordar o copo teve a ver com declarações proferidas por Bruno Pereira, na qualidade de coordenador distrital do BE, sobre os resultados das eleições Europeias no distrito.
“O Bruno não participou em nenhuma reunião desde a eleição da comissão mas comentou os resultados das eleições invocando um cargo que não tem”, disse Luís Barroso, dirigente distrital do BE, responsável pelo núcleo de Castelo Branco. “A comissão não é um órgão hierarquizado”, acrescentou.
As divergências começaram quando, em Fevereiro, ainda antes da eleição da CCD, Bruno Pereira admitiu publicamente a possibilidade de apoiar Leal Salvado, candidato do PS à Câmara do Fundão.
“O nosso adversário é o PS”, disse Luís Barroso que, na última semana assinou um comunicado saudando a substituição de Bruno Pereira, na Assembleia Municipal de Castelo Branco e afirmando que “peca por tardia”. “As prioridades do Bloco de Esquerda são de cariz político e não pessoal”, lê-se no comunicado.
Bruno Pereira acusa Luís Barroso “subserviência” com a atitude de Vítor Franco, que, segundo ele, “elaborou uma acta e um comunicado de imprensa de uma reunião antes de a mesma ter lugar”, em Fevereiro deste ano.
A demissão em bloco dos membros da CCD, decidida a 25 de Junho, deverá ser anunciada hoje, às 18 horas, numa conferência de imprensa que terá lugar em Castelo Branco. O BE deverá anunciar, também, a apresentação de listas às eleições Autárquicas de 11 de Outubro, no concelho de Castelo Branco, Covilhã, Belmonte e Sertã.
Kaminhos

...sopa de feijão verde com segurelha

Numa panela ponham a cozem 1 cebola, 2 dentes de alho, um pedaço de abóbora, 2 ou 3 cenouras, 6 ou 7 batatas, 1 tomate, sal a gosto quando cozidos batam tudo e acrecentem feijão verde cortado aos bocadinhos e deixem cozer. Quase no fim acrecentem um ramo de segurelha.

domingo, 5 de julho de 2009

... pachancho, o motor de rega...

"Transporta-me para os campos luminosos
onde cresce a papoila e os castanheiros
fabricam o outono devagar. Ou vem comigo
ver o linho e o cânhamo, as terras húmidas
enquadradas por pomares. Esquece o mês,
esquece o dia, as horas são eternas, vão
passando eternamente à beira da estrada
ladeada de pinhais. A caruma
que se acama vem de longe, os fetos
fazem alas aos moscardos e ver as giestas
é a mesma coisa que ficar. Ou não será
mas, atentos aos mosquitos, os cucos
cantam nos motores de rega. E se vieres
ou me levares contigo, lá ao fundo,
desenho-te um ribeiro a ir para o mar.
"

Graça Vieira Lopes

... a opulência de epicuro...


Epicuro de Samos:
"Se queres fazer um ser humano feliz,
não acrescentes nada à sua riqueza,
satisfaz antes alguns dos seus desejos. "

Friedrich Nietzsche sobre Epicuro:
“Um pequeno jardim, figos, queijinhos
E mais três ou quatro amigos
- Eis a opulência de Epicuro”

...dejeuner sur l´herbe...

ana monteiro
botero
manet
picasso

... a última ceia...

dali

giotto

tintoretto

grão vasco

leonardo da vinci

quinta-feira, 2 de julho de 2009

... olé... o touro morreu na arena...

"Pois que, na sequência do episódio parlamentar a que a imprensa se refere como o incidente dos chifres, Portugal ficou sem ministro da Economia. Contudo, à saída do hemiciclo, Manuel Pinho fez saber que achava que tinha todas as condições para permanecer no governo. Ora, está bom de ver que isto revela a inocência, senão mesmo a candura, de que o movimento de mãos que levantou toda esta celeuma esteve originalmente revestido. É que, apesar de ter mandado abaixo a casa onde nasceu Almeida Garrett, de que era proprietário, Manuel Pinho é, também ele, um poeta. Um homem de metáforas, que em nenhum momento quis insinuar que o deputado comunista Bernardino Soares, a quem se dirigia naquele instante, mais parece uma grande vaca. Mas nem a preguiçosa da surda-muda que vive no quadradinho inferior esquerdo do ecrã se dignou a tentar perceber, e a explicar à sua gente, que queria dizer o ministro com aquilo. Um ultraje de injustiça, no fundo.
Aqui, entendemos (reparem no plural institucional) que a consciência política de cada um obriga à extracção dos significados escondidos até nos gestos que aparentam grosseria. Assim sendo, o Cálssio decreta que a mímica de Manuel Pinho foi manifestamente incompreendida e mal-interpretada. Porque a injustiça, o rumor e a destilação de veneno são coisas que a este blogue muito entristecem, aqui ficam diferentes modos de subtrair simbolismo e de justificar o incidente dos chifres, sem malícia nem má-vontade. O que o ministro da Economia quis dizer foi, sem dúvida alguma, uma destas cinco coisas:
1.justificação pela metáfora combativa - Senhor deputado Bernardino Soares, o país está em crise! Temos que pensar em formas de a ultrapassar e de encarar os problemas de frente. Temos, enfim, de pegar o touro pelos cornos!
2.justificação pelo Plano Tecnológico - Senhor deputado Bernardino Soares, já mandei vir duas anteninhas de satélite para pendurar aqui na cabeça. Todo eu vou ser um avançado dispositivo receptor de ideias para reanimar a vitalidade económica do país.
3.justificação pelo elogio à supremacia intelectual alheia - Senhor deputado Bernardino Soares, quem dera a este humilde governante deter os dois palminhos de testa que o senhor deputado demonstra que tem, de cada vez que abre a sua comunista boca. Aliás, corrijo: quais dois palmos, senhor deputado, bastavam dois dedos! Aqui, olhe, assim.
4.justificação pelo discurso pedagógico com ilustração - Senhor deputado Bernardino Soares, PIB per capita é produto interno bruto por cabeça. A cabeça é esta parte do corpo que o pescoço segura. Espere aí, senhor deputado, que vou enquadrar a minha capita para o senhor deputado perceber melhor. (...) Arre, malditas orelhas que não me deixam enquadrá-la toda - obsctaculizam-se-me os dedos aqui na zona da testa. Mas é isto, senhor deputado, é isto. PIB per cabeça.
5.justificação pelo acesso repentino de atraso mental - Ó Bernardino, olha para mim! Sou um caracolinho! Olha aqui os meus pauzinhos ao sol!" cálssio

quarta-feira, 1 de julho de 2009

...docente acusa universidade do minho de retaliação...

Daniel Luís, professor da Universidade do Minho (UM) e autor do blogue humorístico Dissidências, não terá o seu contrato de trabalho renovado. O vínculo termina no início de Setembro e, contra aquilo que é habitual no departamento a que pertence, não será renovado. O docente diz que a decisão é consequência do caso que envolveu o encerramento do blogue há um ano e meio.
O professor recebeu, no dia 17 deste mês, a comunicação de que o Conselho de Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional (DSEAE) decidiu, por unanimidade, recusar o pedido de prolongamento do contrato com a instituição. Daniel Luís tinha pedido um novo biénio de ligação à UM para concluir a tese de doutoramento que está a preparar há dois anos e meio, uma prática corrente no departamento. Mas a solicitação foi rejeitada, com base numa parecer da orientadora de doutoramento, Fátima Antunes, que evocava o pouco trabalho apresentado pelo docente.
Daniel Luís contesta a justificação. "Entreguei dois capítulos da minha tese e mais alguns materiais", justifica, lembrando que há colegas que produziram menos, a quem os vínculos foram renovados. "Nunca tinham feito isto a ninguém. Sempre facilitaram ao máximo, até aos limites da lei." Daí que acuse as chefias de retaliação: "Se não tivesse acontecido o episódio do blogue, as coisas agora seriam diferentes". Em Dezembro de 2007, o Conselho do DSEAE considerou que o blogue humorístico e o canal de vídeos mantidos por Daniel Luís eram "desprestigiantes" para a instituição. Em consequência da pressão feita pelos superiores, o docente e humorista encerrou ambos os espaços.
O assunto acabou por merecer eco público e, depois de uma reunião em que também participou o reitor da UM, o blogue acabou por ser reaberto, em Março de 2008. Mas, desde então, Daniel Luís diz que vive "num inferno". "A maioria dos colegas do departamento deixaram de me falar. Não tenho condições psicológicas e emocionais para trabalhar, mas tenho resistido", conta. No blogue fazia humor político e social, satirizando várias figuras políticas nacionais e a Igreja Católica.
Renovação dos contratos de trabalho é prática corrente para doutorandos. Daniel Luís diz que a saída da Universidade do Minho é consequência do caso do blogue humorístico Dissidências há ano e meio.
Público


http://sol.sapo.pt/Blogs/dissidencias/default.aspx
http://www.facebook.com/group.php?gid=99524567266&ref=nf
http://hortadozorate.blogspot.com/2008/02/joo-paulo-guerra-do-dirio-econmico-o.html

http://www.canalup.tv/?menu=noticia&id_noticia=1815

http://shampodecapante.blogspot.com/2009/06/apoio-ao-cronista-daniel-luis.html

Klimt

... freud e klimt...

"Podemos perceber que essa tela traz de forma explícita o dualismo freudiano entre Pulsões de Vida e Pulsão de Morte em constante tensão e complementaridade, transparecendo a impossibilidade de se conceber uma sem a acção da outra. Vida e morte aparecem aqui como noções mutuamente opostas e complementares: diante da confusão e profusão de movimentos e cores, corpos e intenções, afectos e expressões, a morte permanece como contraponto necessário e constituinte, só, isolada, silenciosa à espreita. Se contrapondo ao burburinho da vida, uma silenciosa, mas macabra morte dela faz parte, o que podemos notar ao perceber que o manto da morte, se pudéssemos aproximá-lo do contorno da vida, com esse se encaixaria perfeitamente. Assim como na teoria freudiana, tal tensão parece percorrer toda a obra de Klimt. "